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Archive for the ‘Vivendo’ Category

MANUAL DE RETÓRICA PERVERSA

28 de setembro de 2022 Deixe um comentário

ou COMO VENCER QUALQUER DISCUSSÃO


A Escola de Atenas, afresco de Rafael Sanzio. Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Atenas

Você certamente já presenciou um debate no qual a pessoa com a razão tenha perdido de seu adversário.

Talvez pela dificuldade de expressar bem as suas ideias, mas geralmente o que acontece é que o opositor está munido de técnicas para vencer qualquer confronto de palavras, mesmo que não possua um pingo de razão.

Essas técnicas apelam para a emoção, elas apontam para o teu fígado ou teu coração, não a tua mente. Em vez de raciocinar, afloram os sentimentos, para desestabilizar.

São técnicas utilizadas em todo lugar, principalmente por políticos, comerciantes e publicitários. Você mesmo pode tê-las empregado alguma vez, sem saber.

Faz algum tempo que encontrei na internet um texto que sintetiza essas técnicas de confronto. O autor é desconhecido, mas provavelmente tenha sido escrito no Chile, por causa das referências implícitas. Traduzi e coloco à disposição de todos.

Retórica é um modo de você dizer uma frase simples com vários parágrafos de enfeite, com o claro intuito de persuadir. Agora, imagine usar isso de maneira vil.

Junto com a retórica, aparece também a falácia, que é uma mentira que parece verdade. Ela pode ter pontos verdadeiros, mas sua conclusão é falsa.

Mesmo que esse Manual lhe revolte o estômago, como fez comigo, considero ele útil para aprendermos a reconhecer o uso dessas técnicas, de modo a não sermos iludidos nem passados para trás por gente de lábia afiada.

Materiais adicionais para consulta:

[1] Intelectuais, Cultura e Política – Albert Hirschmann – A retórica da intransigência –

[2] 100 nexos – Como vencer um debate (sem ter razão) –

[3] Medium – Jeferson Silva – A arte de iludir pessoas – Como se prevenir –

https://medium.com/@blogdojsilva/a-arte-de-iludir-e-como-se-prevenir-efd1a62840be

Rádio Elétrica – Ouça!

18 de maio de 2022 3 comentários

Katia Suman – Foto de Guilherme Santos / Sul21

Quer uma rádio sem comerciais nem papo furado? OUÇA a Rádio Elétrica, com programação variada, ótima e às vezes inesperada, pois toca rock, pop, jazz, blues, MPB, samba, etc.. Seleção de músicas feita manualmente por Katia Suman, a comunicadora que marcou indelevelmente a história da cultura em Porto Alegre/RS. O endereço é:

https://radioeletrica.com/

Tem o app Rádio Elétrica para celular, que pode ser baixado na Apple Store ou no Google Play.

As únicas interrupções no repertório são pequenas vinhetas de alguns segundos, que mostram o estilo da rádio ou pedem auxílio para mantê-la no ar. Se puder, ajude-a pelo link:

https://apoia.se/radioeletrica

Se você é eclético em suas preferências musicais, certamente gostará de ouvir a Rádio Elétrica. Poderá dar de cara com Banda do Mar, Jorge Ben Jor, Lauryn Hill, Anelis Assupmção, Grace Jones, Marku Ribas, AC/DC, Carmen Miranda, Fito Páez, Grupo Rumo, Cesaria Évora, Beyoncé, Paulinho da Viola, Bee Gees, Tom Zé, David Bowie, Gilberto Gil, Charly Garcia, Tim Maia, Frank Zappa, Caetano Veloso, Rod Stewart, Erasmo Carlos, Prince, Elis Regina, Paul Mcartney (e Beatles), Ná Ozetti, Chico Science, Stevie Ray Vaughan, Luiz Melodia, The Monkees, Belchior, Gotam Project, Ana Cañas, Wes Montgomery, Egberto Gismonti, George Benson, Paralamas do Sucesso, Horace Silver, Emílio Santiago, Brandford Marsalis, Titãs, Jimmy Smith, Chico Buarque, BB King, Roupa Nova, Stevie Wonder, O Terço, The Trammps, Sérgio Sampaio, James Brown, Nei Lisboa, James Hunter, Cascavelettes, Delvon Lamar Organ Trio, TNT, Chaka Kan, Cachorro Grande, Bob Dylan, Ultramen, Mercedes Sosa, Kid Abelha, Madonna, IRA!, Aretha Franklin, Nelson Coelho de Castro, JJ Cale, Cazuza, Ramones, Capital Inicial, Club des Belugas, Legião Urbana, Tom Waits, Taranatiriça, Nina Simone, Elza Soares, Norah Jones, Bezerra da Silva, Simply Red, Itamar Assumpção, Toots & The Maytals, Paulinho da Viola, Bob Marley, Bebel Gilberto, Michael Jackson, Ney Matogrosso, Astor Piazzola, Adriana Calcanhoto, Arctic Monkeys, Djavan, The Replacements, Hermeto Paschoal, Queen, Raul Seixas, Dire Straits, Marisa Monte, Joss Stone, Trio Mocotó, Me’Shell Ndegeocello, Pixinguinha, Lianne La Havas, Luiz Gonzaga e muitos, muitos, mas MUITOS outros.

Nas terças-feiras à noite tem o Sarau Elétrico, um evento já tradicional em Porto Alegre, transmitido a partir do bar Ocidente. Foi criado para celebrar a palavra escrita de modo bastante informal, sem academicismo [1]. Os apresentadores leem trechos que acham interessantes para o assunto em pauta, fala-se de qualquer coisa, sem tabus e às vezes com muitas risadas. Ao final, tem a canja ao vivo de alguém convidado. O sarau costuma acontecer das 21h às 22h, é gravado em podcast e disponibilizado depois no site da própria rádio. Podemos assistir ao sarau no Youtube, no canal da Katia:

https://www.youtube.com/katiasuman25

Vale a pena conhecer a Rádio Elétrica, para sair do marasmo musical imposto pelos algoritmos. Este é o ponto central: algoritmos de seleção musical são montados com fins comerciais, para repetir o que já foi ouvido (se ouviu, é porque gostou…) ou para destacar quem paga melhor, não são feitos para desafiar, nem realmente entreter o ouvinte.

Ou, mal comparando, você concorda com aquele e-mail de ofertas da loja que continua lhe oferecendo o produto já comprado?

Além disso, conhecer músicas de diversos estilos e origens nos torna mais críticos com o que ouvimos, porque formamos uma visão musical com parâmetros mais exigentes, coisa muito difícil de acontecer para quem está amarrado a algum canal de mídia fortemente segmentado. A segmentação reforça a intolerância musical. Daí vem a importância de ter pessoas que realmente entendam do riscado para fazer tal seleção.

Quem é Katia Suman

De minha parte, Katia Suman é aquela voz agradável, aveludada e preciosa que preenchia a noite porto-alegrense nos idos de 1980 e 90, quando sintonizávamos a então imperdível Rádio Ipanema FM. Trazia uma seleção musical primorosa, dava dicas de cinema, teatro e livros, fazia ótimas entrevistas, de repente uma banda recém formada tocava ao vivo, havia muita coisa inesperada, nova e cativante.

Segundo a editora Besouro Box, Katia Suman é “radialista, graduada em Ciências Sociais, com Mestrado em Comunicação e Doutorado em Letras. Trabalhou durante quase 20 anos na Ipanema FM, tendo passagens também pela FM Cultura e Unisinos FM. Em televisão, fez “Folharada Ipanema na TV”, na Band; “Crônicas do tempo”, na TVE e “Camarote”, na TVCOM. Criou em 1999 o evento Sarau Elétrico, que, desde então, faz parte do calendário cultural da cidade de Porto Alegre. Desde 2010, mantém a rádio web radioeletrica.com, emissora independente com programação voltada ao debate, à literatura e a boa música. Ativista da cidade participou do coletivo “Cais Mauá de Todos” e preside a Associação Amigos do Cais do Porto. Seu livro foi finalista dos Prêmios Açorianos de Literatura e Minuano/IEL, edição 2019.”

O livro de Katia Suman “Os diários secretos da Ipanema FM” relata as peripécias do dia-a-dia da rádio, tendo como referência os cadernos de comunicação usados para passar informações entre os radialistas. Cada locutor fazia o próprio programa, não havia roteiro pré-definido ou lista de músicas para tocar. Você poderá comprar o livro na Estante Virtual [2], por exemplo.

Se quiser conhecê-la melhor, há várias entrevistas na internet, uma bem interessante foi publicada no jornal Sul21 [3] e no blog do livreiro e tradutor Milton Ribeiro (NÃO É ex-ministro!!) [4], acesse-a AQUI ou AQUI.

Um detalhe sobre a Ipanema FM é a semelhança com sua irmã, a “maldita” Fluminense FM, de Niteroi, RJ, também nos mesmos 94.9 MHz. Ambas marcaram a cena musical dos anos 80 e 90 em suas respectivas regiões e ajudaram a impulsionar o rock nacional. A Ipanema foi mais que isso, ela sacudiu todas as formas de cultura na capital, com toques de rebeldia, novidade e liberdade.

Katia também fez uma interessante dissertação de mestrado em Ciências da Comunicação, pela Unisinos [5], onde destrinchou a esquema do jabá em 3 rádios FM. Jabá é o “agrado” que as gravadoras oferecem aos meios de comunicação, para tocarem mais (ou somente) as composições escolhidas para fazer sucesso (as chamadas “músicas de trabalho”). Ou você pensa que o sucesso das canções é sempre determinado pelo público? Leia o trabalho dela AQUI.

Não que hoje tenha melhorado muito isso, pois as empresas se adaptam. Apesar da internet democratizar o acesso a um infinito repertório, os serviços online de divulgação musical podem não ter um artista antigo, ou aquele que faz sucesso somente na sua região, nem a versão que você mais gosta de uma música e muito menos lhe apresentar algo diferente do que costuma ouvir.

Sabe aquelas viseiras que colocam nos cavalos, para que olhem somente para frente? Pois é.

E as rádios online podem sofrer na mão dos provedores de internet: cada qual opera um cache de internet (não é cachê), uma reserva temporária de memória que guarda páginas web recentemente carregadas, para não ter que repetir o acesso ao endereço original e que pode, em tese, gravar horas de programação de uma determinada rádio e reproduzir essa sequência em certas ocasiões. O objetivo seria reduzir custos (diminuir o tráfego de dados) através de software inteligente. Com isso, o ouvinte não perceberia interrupções da programação, mas teria a impressão de um fraco repertório, o que poderia inviabilizar a audiência das pequenas emissoras. O descompasso entre a playlist e a música que está em execução no momento pode ser um reflexo disso.

Vai lá na Rádio Elétrica, ouça e deleite-se!

Referências

[1] Dana – Entrevistas – Katia Suman – https://dana.com.br/social/entrevistas/katia-suman/

[2] Estante Virtual – Katia Suman e os diários secretos da rádio Ipanema FM – https://www.estantevirtual.com.br/ludylivros/katia-suman-katia-suman-e-os-diarios-secretos-da-radio-ipanema-fm-2531990865?show_suggestion=0

[3] Sul21 – Katia Suman relembra papel da Ipanema em relação ao rock e garante: liberdade era total – https://sul21.com.br/entrevistasz_areazero/2015/05/katia-suman-relembra-papel-da-ipanema-em-relacao-ao-rock-e-garante-liberdade-era-total/

[4] Milton Ribeiro – Katia Suman relembra papel da Ipanema em relação ao rock e garante: liberdade era total – https://miltonribeiro.ars.blog.br/2018/03/07/katia-suman-relembra-papel-da-ipanema-em-relacao-ao-rock-e-garante-liberdade-era-total/

[5] Unisinos – Repositório – Dissertação de mestrado de Katia Suman – O jabá no rádio FM: Atlântida, Jovem Pan e Pop Rock – http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/2613

O Natal de 2020

22 de dezembro de 2020 2 comentários

Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Que ano! Todos tivemos muitas dificuldades, em razão do confinamento causado pela pandemia.

Mas, estamos em plenas Boas Festas, 2021 está chegando aí e precisamos espairecer.

Descobri por esses dias uma bela canção de Natal, diferente das mesmas de sempre. Não é nova, essa música já tem mais de 30 anos e fez sucesso na Europa dos anos 1980. Por aqui, jamais tocou.

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Músicas para enlevar

11 de junho de 2020 Deixe um comentário

A internet, às vezes, pode ser muito chata, devido à segmentação, que é o ato deliberado de separar, classificar qualquer coisa em caixinhas. Por exemplo, os diversos estilos musicais.

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CORONAVÍRUS – Não se desespere

6 de abril de 2020 8 comentários

Assim como a alegria, a tristeza também um dia irá passar.

Este vírus nos trancou em casa. A verdade cruel é que parecemos palitos de fósforo: duramos muito pouco e qualquer vento pode nos apagar.

Tire vantagem do isolamento: agora há tempo, faça as coisas sem atropelos, durma mais, mas não exagere, pois as manhãs são sempre agradáveis e bonitas.

Imite os povos orientais, sejam árabes, indianos, chineses, japoneses, coreanos, filipinos, indonésios e outros, que fazem isso há séculos: não entre em casa com os calçados da rua, tenha um par de chinelos ou pantufas à porta, para cada morador. Lave as mãos frequentemente, com água e sabonete.

Converse, ouça melhor aqueles que estão ao seu lado e que todos os dias lhe aturam. Seja mais atencioso e amoroso para com os outros, imagine como está a vida daqueles que moram em uma peça 3×4. Se tiver algum poder, utilize-o para beneficiar os outros.

Coma devagar, saboreie cada garfada. Prepare sua comida com mais carinho e atenção, descubra o valor do orégano e do sal junto do tomate, do alho picado em meio ao queijo aquecido, ou da cebola crua no recheio do pastel. Faça pães, como faziam antigamente, só com 4 ingredientes. Controle sua gula.

Leia aquele livro ou revista que está rolando pela casa, há tempos. Leia outros posts do Dicas do Zébio! Aprenda algo novo ou pratique um instrumento musical. Assista ao que você realmente gosta, não aceite a ansiedade, a indolência e o envenenamento mental, vindos da TV e dos noticiários alarmantes. Ouça músicas sem vídeo, para percebê-las por inteiro.

Sinta o fresco perfume da noite, olhe para o céu, você perceberá que ele não é mais cortado a todo instante por aquelas chatas luzinhas piscantes dos aviões. Com sorte, verá uma lua maravilhosa, ou alguma estrela cadente. Aí, pense num desejo.

Pare de tomar remédio por conta própria, por qualquer dorzinha. Além de não resolver o problema e somente aliviar os sintomas, seu corpo estará de guarda abaixada quando o vírus chegar. Faça algum exercício, nem que seja só arrumar ou limpar a casa.

Ao beber, frua com gosto, como se fosse seu último gole. Afinal, para alguns, poderá ser mesmo.

Pense nos mais idosos, que estão na corda bamba. Pode ser que logo mais, você não consiga nem ir ao enterro deles. Telefone, bata um papo. Lembre-se de alguma piada.

Plante alguma coisa, seja árvore frutífera, tempero ou hortaliça. Meta as mãos na terra, nem que seja na de um vaso. Aproveite para desenrolar as raízes e diminuir o seu tamanho, e replante. Para tudo poder recomeçar.

Sente-se confortavelmente num lugar silencioso, na penumbra e tente ficar quieto, sem pensar. É difícil parar a cabeça, esforce-se, concentre-se em uma só coisa. Pense em um mundo de paz, saúde e alegria. Quando você perceber, os minutos terão se transformado em horas, e você sentirá uma profunda tranquilidade interior.

Faça como os antigos egípcios: todos os dias, abra a boca para o sol, deixe ele ver suas entranhas e lhe curar. Mosca só entra em boca podre.

Afinal de contas, a vida é para ser digerida, já dizia Arroz, um poema coreano.

INFORMAÇÕES

Se você quer informações corretas sobre o coronavirus, acesse o portal da Fiocruz, que tem muito material, inclusive orientações (imprimíveis) sobre os cuidados básicos para preservar nossa saúde, nestes tempos de pandemia.

Para obter notícias consistentes, fora dos meios tradicionais e sem estardalhaço, olhe um noticiário de Portugal, da França ou da Alemanha (todos em nossa língua) e um da Coreia do Sul, em inglês.

Aliás, da Deutsche Welle, tem um interessante artigo sobre como melhorar seu sistema imunológico para enfrentar o vírus: https://www.dw.com/pt-br/como-fortalecer-o-sistema-imunológico-durante-o-isolamento/a-53007971

Se quiser saber como anda o vírus pelo mundo, acesse o portal do Hospital Johns Hopkins, nos EUA, é bem completo, atualiza mais rápido que o da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro mapa mundial sobre a pandemia é o Worldometers.

No RS, a Secretaria de Saúde divulga a situação do estado em um mapa.

Por fim, lembre-se que todos os dias, o sol nasce para todos.

Arroz – Um poema coreano

3 de março de 2020 3 comentários

Fig. 1 – Arroz (밥 - Bap), de Yang-hee Chun, poema em língua coreana. Fonte: Blog Last-minute Girl [1]

Fig. 1 – Arroz (밥 – Bap), de Yang-hee Chun, poema em língua coreana. Fonte: Blog Last-minute Girl [1]

Arroz – por Yang-hee Chun

Para você que come muito arroz porque está sozinho

Para você que dorme muito porque está entediado

Para você que chora muito porque está triste

Eu escrevi isso.

Mastigue seus sentimentos que estão encurralados

Como você mastigaria arroz

Afinal, a vida é algo que você precisa digerir

O singelo poema “Arroz” (– Bap, em coreano) sintetiza perfeitamente uma boa forma de encarar a vida. O arroz é um alimento sagrado para os orientais, eles o comem em todas as refeições diárias, inclusive no café da manhã. Antigamente, era usado até como dinheiro.

Esse poema aparece nas cenas finais da primeira temporada da série da Netflix “Vamos Comer” (Let’s Eat), dirigida pelo coreano Joon-hwa Park. Curti muito a série e o poema a encerrou com chave de ouro. Assim, foi praticamente uma obrigação saber mais sobre ele e quem o escreveu.

A poetisa sul-coreana Yang-hee Chun (천양희), segundo a Wikipedia [2], nasceu em Busan em 12 de janeiro de 1942, filha mais nova de sete. Cresceu influenciada por seu pai e seu avô, estreou seus poemas em 1965 e parou de escrever de 1969 a 1982, devido ao casamento. Divorciou-se e voltou à ativa em 1983, não sem antes passar pela tuberculose e por problemas cardíacos. Já recebeu vários prêmios literários em seu país, é uma das raras pessoas que alcançou o reconhecimento público na juventude e voltou a ser premiada aos 40 anos de idade.

O site da Biblioteca Digital de Literatura Coreana – LTI Korea [3], mostra uma foto dela, uma entrevista (em coreano…) e as formas de escrever o nome, onde podemos perceber que, dependendo da transliteração, a grafia pode ser ligeiramente diferente.

O poema “Arroz”, traduzido acima, é uma amostra do que essa poetisa consegue criar. Seus textos falam da solidão, das dores e decepções que encontramos ao longo da vida e sugere meios de enfrentá-las. Alguns trabalhos seus foram traduzidos para o inglês e o japonês, mas nada ainda para nossa língua. Agradeço muito ao diretor Joon-hwa Park, que nos brindou com esta pérola

Inserção em 24/10/2021 – OBSERVAÇÃO: Infelizmente, percebi há alguns dias que esta primeira temporada saiu da Netflix e agora tem uma versão tailandesa, simplesmente horrível.  O enredo é o mesmo, adaptado para eles, mas não há como comparar a qualidade dos atores e da produção coreana com as péssimas atuações desta nova versão.  Quem quiser ver a original (inclusive a 3a. temporada, que nunca apareceu na citada operadora de streaming), terá que procurar na Viki ou em outro canal de doramas.

Fig. 2 – Let’s Eat, primeira temporada na Netflix. Fonte: Blog Vamos Falar Disso [4].

Fig. 2 – Let’s Eat, primeira temporada na Netflix. Fonte: Blog Vamos Falar Disso [4].

Let’s Eat já está na terceira temporada, apesar de ainda só aparecerem duas na Netflix. A série é uma comédia romântica, com um toque de gourmet – essa palavra da moda. Todo episódio mostra os atores saboreando uma ou mais refeições, das mais diversas origens, com dicas interessantes sobre os pratos, para que o prazer de comer seja mais intenso. Os atores literalmente comem e bebem, não é como nas novelas brasileiras, que trocam de cena quando a pessoa vai abocanhar algo e depois só aparece com a língua empurrando a bochecha, mastigando nada…

Além das enormes diferenças culturais, fica evidente que eles comem muito bem. É hábito em vários lugares, mesmo nos mais populares, ter frutos do mar ainda vivos, que são mortos na hora de fazer o prato. E é comum as mesas disporem de uma grelha, onde os próprios clientes colocam as porções para assar. Os melhores restaurantes têm um coletor de fumaça para cada mesa. Nota-se que eles estão acostumados à comida fresca, mais nutritiva e saborosa.

Eles não se importam de chupar o lámen com barulho, entornar direto o caldo do prato, ou ficar rolando algum pedaço de comida quente pela boca. A etiqueta, o requinte e a pompa à mesa só servem para aqueles que podem levar 2 horas em cada refeição. O nosso tempo é cada vez mais escasso, precisamos nos ater ao que é importante: saborear bem a comida!

Por conta desta série, tenho sentado mais calmo à mesa, sem atropelos. Presto mais atenção ao gosto de cada garfada. A sensação tem sido muito agradável, diria até de descoberta de sabores que não percebia antes. Mastigo mais e tenho estado mais tranquilo, também.

Em restaurantes, eu comia um tanto rapidamente, apesar de algumas vezes ter visto pessoas servirem-se à minha frente no buffet e irem embora enquanto eu sentava…

Seria interessante que nós, brasileiros, não fôssemos tão vorazes, ansiosos e apressados à mesa, porque isso só nos trará problemas no futuro.

Concordo que a vida é uma correria, mas se aproveitarmos com mais atenção aqueles momentos das refeições (sem olhar o celular, né), muito estresse poderia ser evitado. Isso vale também para aqueles, como eu, que levam marmita para almoçar no trabalho. Pesquisas preveem que o Brasil será o país mais obeso do mundo daqui a 10 anos [5] – estamos em 2020. Imagine, o país mais desigual do mundo também poderá ser o campeão de obesidade!

Voltando ao poema, ele diz que temos que digerir a vida. Não precisa explicar mais nada. Isso é uma das coisas que tenho gostado de ver nos seriados que vem do leste: em cada episódio eu sempre aprendo algo de positivo e interessante.

E o que você tira de bom de uma novela brasileira? Não é só intrigas, ciúmes, brigas, forçação de barra, sexo, soberba, palhaçadas, canalhices e hipocrisia? Sem falar dos estereótipos e da violência. Se queremos um futuro melhor, temos que olhar para coisas boas, desejáveis, que nos façam pensar e comparar com a vida que temos. Porque aqueles seriados coreanos, japoneses, chineses e europeus, contam estórias agradáveis, têm humor na medida certa e sem baixarias, apresentam relações humanas baseadas na franqueza e mostram lugares tranquilos para morar, passear à noite ou conversar calmamente. Aqui, vivemos no sobressalto, a todo momento temos que aguentar um vizinho barulhento na madrugada, um tiro ou um rojão, a sirene de uma ambulância ou da polícia, ou ainda o escapamento aberto de um carro ou moto…

Fig. 3 – Kaoru Kobayashi, o “Mestre” da série Jantar da Meia-noite (Midnight Dinner). Fonte: Peach no Japão [6].

Fig. 3 – Kaoru Kobayashi, o “Mestre” da série Jantar da Meia-noite (Midnight Dinner). Fonte: Peach no Japão [6].

Para completar este texto sobre vida e comida, lembro que a Netflix trouxe do Japão a elogiadíssima série “Jantar da meia noite” (Midnight Dinner), já com duas temporadas – está saindo a terceira -, em que um pequeno restaurante em Tóquio abre à meia-noite e fecha às sete da manhã. O “mestre” faz o prato que o cliente pedir, se tiver os ingredientes. Cada episódio é curto, dura cerca de 20 minutos e conta uma estória envolvendo um prato preferido de alguém. É extremamente agradável de assistir, foi feito com muito cuidado: se você observar, perceberá que a abertura de cada episódio é ligeiramente diferente da anterior. Também há dicas sobre o preparo dos pratos, às vezes tão simples como uma salsicha empanada. E não sou só eu que falo bem [6][7].

Pense o seguinte: adianta você viver apressado e aflito, cheio de preocupações e traumas, enquanto a vida está passando? Saborear a comida é o que nos devolve aos eixos – desde que você deixe a gula de lado. Agradeça aos céus por ter recebido a refeição e aprecie o momento…

Nota Final

Uma curiosidade sobre o nome dos coreanos: ele é composto por duas partes, ao passo que o sobrenome é um só. Sempre. Assim, um nome como o da excelente cantora Youn-sun Nah, pode ser explicado como o nome (Youn-sun) e o sobrenome ou nome da família (Nah). E quando escrevem, fazem como os americanos: geralmente o sobrenome vem primeiro (Nah Youn Sun). Procure pela Youn-sun Nah no Youtube, a música “My Favorite Things” [8] é uma amostra do que ela faz com a voz. O site da cantora é https://www.younsunnah.com/

Referências

[1] Last-minute Girl – Rice Poem (Chun Yang Hee) – Hangul and translation – Let’s eat – http://last-minute-girl.blogspot.com/2014/09/rice-poem-chun-yang-hee-hangul-and.html

[2] Wikipedia – Cheon Yang-hee https://en.wikipedia.org/wiki/Cheon_Yang-hee

[3] Digital Library of Korean Literature – Chun Yang Heehttps://library.ltikorea.or.kr/node/31514

[4] Blog Vamos Falar Disso – Crítica – Let’s Eathttp://vamosfalardisso.com.br/critica-lets-eat/

[5] BBC – 2015 – Brasil pode ser o pais mais obeso do mundo em 15 anos – https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150826_obesidade_infantil_mdb

[6] Peach no Japão – Piti Koshimura – Curiosidades sobre a série Midnight Dinner – Tokyo Stories – https://peachnojapao.com/cultura/cinema/curiosidades-sobre-a-serie-midnight-diner-tokyo-stories/

[7] Nerd Cult – Conheça Shinya Shokudo, O Jantar da Meia-noite – https://www.nerdcult.com.br/2017/02/conheca-shinya-shokudo-o-jantar-da-meia.html

[8] Youtube – Youn-sun Nah – My Favorite Thingshttps://youtu.be/v3q6L8ONqCI

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Como resolver qualquer problema

26 de agosto de 2019 12 comentários

Esquema para resolver qualquer problema

Este esquema é muito famoso na Itália (procure por “Schema per la soluzione di ogni problema”) e encaixa em qualquer profissão ou assunto. Quantas vezes presenciamos alguém inescrupuloso dizer:

– Não fui eu, foi ele…

Observe que será mera coincidência qualquer semelhança com os dias atuais, nos quais o espalhamento de mentiras tornou-se corriqueiro e é feito por quem devia dar o exemplo (seja juiz, policial, doutor, jornalista ou político).

Se você quiser continuar a brincadeira, poderá editar ou traduzir o fluxograma, esteja à vontade, baixe DAQUI o original em formato .odg (compactado em formato zip).

TÉCNICA – Conserto e funcionamento de raquete mata-mosquitos

19 de agosto de 2019 42 comentários

Fig. 1 – Raquete eletrônica, que mata mosquitos por eletrocução (Obs.: esta é uma fotomontagem, os mosquitos são eletrocutados somente quando se aproximam ou encostam na malha interna da raquete, não tenha medo dela...).

Fig. 1 – Raquete eletrônica, que mata mosquitos por eletrocução (Obs.: esta é uma fotomontagem, os mosquitos são eletrocutados somente quando se aproximam ou encostam na malha interna da raquete, não tenha medo dela…).

Parece uma perda de tempo consertar um aparelho tão barato quanto uma raquete eletrônica mata-mosquitos (fig. 1), se considerarmos somente o valor de compra. Mas, se você quiser saber como funciona…

Dentro da raquete há um interessante circuito gerador de alta tensão, que vale a pena conhecer. Saber como trabalha um circuito tão simples, ajuda na prática a entender o comportamento de cada componente do circuito, além de desmistificar um pouco os indutores e o mundo da alta tensão. Podemos inclusive compreender o funcionamento de circuitos semelhantes, como os “ladrões de joule” (joule thief), que conseguem ligar LEDs com uma pilha gasta.

O texto mostra o que são as pilhas de ions de lítio, os cuidados e os perigos, e como uma delas foi adaptada na raquete, com um circuito de proteção, para carregar por cabo USB. Também falamos sobre alguns modelos de mata-mosquitos eletrônicos, para uso fixo, muito interessantes para pessoas idosas.

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Meu querido Ligustro

14 de outubro de 2018 10 comentários

Figura 1 - Meu querido ligustro, em plena floração.

Figura 1 – Meu querido ligustro, em plena floração.

ou: Compreenda melhor as árvores

Fazia quinze anos que estávamos juntos, mas tive que matá-lo, antes que arrebentasse e mofasse toda a calçada (figura 1).

Não ganhei na loteria, nem tenho salário exuberante, para comprar mais terra e poder plantá-lo solto, para que pudesse mostrar todo o seu esplendor. A vida corre e nosso fôlego já não é o mesmo para juntar dinheiro.

Este artigo mostra a técnica para remover totalmente uma árvore da calçada, a maneira como elas funcionam e como realmente são as raízes das árvores.

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DICA – Como endereçar cartas e encomendas

14 de abril de 2018 4 comentários

Figura 1 – Envelopes tipo RPC (Recomendado Pelos Correios

Figura 1 – Envelopes tipo RPC (Recomendado Pelos Correios).

Este artigo pode parecer sem muita utilidade, mas, numa época em que todos podemos vender algo pela internet, até coisas usadas e já sem serventia – desapega! -, é crucial que façamos todo o possível para que tais encomendas sejam entregues o mais rápido possível ao destinatário.

Diferente da crença geral, os remetentes tem muita responsabilidade pela lentidão dos Correios.

Segundo informações colhidas de carteiros e atendentes dos Correios, muitos não sabem o modo de endereçar corretamente cartas e encomendas e fazem de qualquer jeito. Talvez pensem que os entregadores sejam mágicos ou adivinhos…

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