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O Natal de 2020

22 de dezembro de 2020 Deixe um comentário
Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Que ano! Todos tivemos muitas dificuldades, em razão do confinamento causado pela pandemia.

Mas, estamos em plenas Boas Festas, 2021 está chegando aí e precisamos espairecer.

Descobri por esses dias uma bela canção de Natal, diferente das mesmas de sempre. Não é nova, essa música já tem mais de 30 anos e fez sucesso na Europa dos anos 1980. Por aqui, jamais tocou.

A música “Christmas was a friend mine (Natal era um amigo meu) lembra, sem pieguice, de como o Natal era bom, quando éramos inocentes.

Também tenho a mesma sensação quando chega o final do ano, pois bate saudade do tempo de criança, na casa de minha avó. Não havia ceia, era almoço com toda a família no dia 25.

A árvore de Natal era especial, cortavam um pinheiro pequeno e o colocavam numa lata com areia molhada, ficava verde por dias. Aqueles frágeis enfeites de vidro coloridos, pendurados com todo o cuidado, alguns eram helicoidais e giravam com a menor brisa.

Num tempo em que a luz vinha de lampiões a querosene, havia castiçais para pequenas velas, que agarravam-se aos galhos da árvore natalina. Após anoitecer, as velinhas eram acesas por um adulto, às vezes “ajudado” por uma criança mais calma e cuidadosa. Era o momento de apreciar a árvore, pois isso não durava muito.

Todos ficávamos ao redor daquele presépio, maravilhados com a quantidade de detalhes para olhar. O espelho que imitava a água, a serragem para fazer o terreno, o arroz plantado algumas semanas antes, cujos brotos formavam um canavial ao lado dos bonecos e animais. O papelão pintado e amassado, ao fundo, que transformava-se numa montanha…

Com sorte, a noite ainda nos presenteava com nuvens de vaga-lumes, uns pequenos e de luz amarela no abdome. A maioria era grande, com luzes verdes piscantes, que pareciam olhos. Davam um estalo assustador, ao ficarem presos nas mãos.

O presente de cada neto era um punhado de balas e chocolates, que eu e meus primos adorávamos. Mas que ficava menor a cada ano, devido ao aumento da família…

Depois, íamos dormir de janelas abertas, sentido o frescor daquelas noites de verão, porque não tinha pernilongo nem ladrão. Bons tempos, antes do agronegócio arrebentar com tudo.

Voltemos à canção natalina: a letra dela também fala de coisas desconhecidas dos brasileiros – que explico adiante -, mas é bastante agradável de ouvir, na voz melodiosa de Fay Lovsky. Delicie-se nestes 4m38s, especialmente a parte final:

Segue a letra, em tradução do Google, com alguns pitacos meus, aqui e ali. Depois aparece a versão em inglês, extraída da página web de Fay [1] e os esclarecimentos necessários.

Natal era um amigo meu (Christmas was a friend mine)

por Fay Lovsky

Todo ano durava muito, com coelhinhos da Páscoa, cartões de aniversário,

E passeios à beira-mar no verão, apenas para quebrar o longo

Espaço de tempo que se estendia entre um e outro

Natal

O Natal nos anos 60 era bom

Com velas, guloseimas, presentes e vinho

Paz na Terra” era real, parecia

E AMOR uma palavra ainda não obscena, oh não

Assistindo ao desfile da estação

Árvores morrendo, estrelas de neon e papais noéis de plástico por um centavo

Incentivando a comemorar: ding dong ding dong

Aí vem outro Natal!

O Natal era uma época divertida

Com Billy Smart’s e Auld Lang Syne

Paz na Terra” era real, parecia

E AMOR uma palavra ainda não obscena, oh não

Cheiro de árvore de Natal e aqueles sinos prateados

O natal era um amigo meu

O natal era um amigo meu

Feliz, feliz, feliz, feliz, Feliz Natal

Todos, em todo o mundo,

A época do Natal é agora

E eu espero que todos tenham um bom tempo

aproximando-se

Se depender de mim, sim

O Natal está aqui de novo

Não tem estado por aí desde você sabe quando

Feliz Ano Novo, Feliz Ano Novo

Espero que todos tenham um feliz ano novo …

Christmas was a friend mine

by Fay Lovsky

Every year lasted too long, with Easter bunnies, birthday cards,

And seaside outings in the summer, only to break the long

Gap of time that stretched between the one and the other

Christmas

Christmas in the sixties was fine

With candles, goodies, presents, and wine

Peace on Earth was real, it seemed

And LOVE a word as yet not obscene, oh no

Watching the season parade

Dying trees, and neon stars, and plastic Santas for a penny

urging to celebrate: ding dong ding dong

Here comes another Christmas!

Christmas was a jolly old time

With Billy Smart’s and Auld Lang Syne

Peace on Earth was real, it seemed

And LOVE a word as yet not obscene, oh no

Christmas tree smell and those silvery bells

Christmas was a friend of mine

Christmas was a friend of mine

Merry, merry, merry, merry, merry Christmas

Everybody, all around the world,

Christmas-time is here

And I hope that everybody’s gonna have a good time

coming

If it’s up to me yeah

Christmas time is here again

Ain’t been around since you know when

Happy New Year Happy New Year

I hope that everyone will have a happy New Year …

Vamos contextualizar?

Primeiro, o óbvio: lembre-se que o Natal lá no norte é no inverno

Billy Smart’s era o dono de um circo que fazia muito sucesso na Europa, inclusive havia nos anos 1980 um programa anual na TV holandesa chamado “Billy Smart’s Kinderkerstcircus” (“Circo de Natal para Crianças do Billy Smart’s”) [2].

Auld Lang Syne (“Pelos velhos tempos”, em tradução livre) é um poema escocês de origem popular, reunido em 1788 por Robert Burns [3]. Tornou-se uma música tradicional da passagem do Ano Novo nos países nórdicos. Nos EUA e Reino Unido é conhecida como “The Song of Nobody Knows” (“A música que ninguém conhece”), porque poucos lembram da letra até o final…

Este poema recebeu uma versão brasileira de Alberto Ribeiro e Carlos Alberto Ferreira Braga (Braguinha – João de Barro). Em 1941, Francisco Alves e Dalva de Oliveira gravaram essa música, que ficou conhecida como a “Valsa da Despedida“. Ouça a versão deles, num vídeo com imagens de famoso drama italiano de 1970 (Os Girassóis da Rússia), cuja trilha sonora foi, na verdade produzida por Henri Mancini.

A Valsa da Despedida é entoada – com eventuais alterações da letra – pelos formandos da AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras) e da EEAR (Escola de Especialistas da Aeronáutica). Em Portugal, é a música de despedida dos escoteiros (escuteiros) e cadetes formandos da EPCAR (Escola Preparatória de Cadetes do Ar) [4].

Fay Lovsky é cantora e compositora nascida Fay Luyendijk, em 11 de setembro de 1955, nos Países Baixos (Holanda). O nome artístico vem de um cachorro de sua avó tcheca que, como a neta, amava a música e esquiar.

Fay é multi-instrumentista, toca violão, guitarra, baixo, serrote elétrico, theremin e muito mais [5].

O theremin, um instrumento musical eletrônico, tem sonoridade semelhante ao serrote acústico, assista o pequeno vídeo do inventor dele, Leon Theremin:

Nessa época de nostalgia e reflexões, é essencial lembrar da música natalina Boas Festas, composta pelo gênio baiano José de Assis Valente [6] [7].

Autor preferido de Carmem Miranda, Assis Valente compôs muitos outros clássicos brasileiros, como “Cai, Cai Balão”, “Camisa Listrada”, “E o Mundo Não se Acabou”, “Recenseamento” e “Brasil Pandeiro”. Lembra daquela música que diz “Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”? Pois é.

Boas Festas, de Assis Valente

Anoiteceu, o sino gemeu

E a gente ficou feliz a rezar

Papai Noel, vê se você tem

A felicidade pra você me dar

Eu pensei que todo mundo

Fosse filho de Papai Noel

Bem assim felicidade

Eu pensei que fosse uma

Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi

Mas o meu Papai Noel não vem!

Com certeza já morreu

Ou então felicidade

É brinquedo que não tem!

Apesar de ser a mais conhecida canção natalina brasileira, Boas Festas perdeu parte da magia e do impacto da letra, porque tem sido cantada de modo desinteressado e comercial. A música traz em si um paradoxo, porque o ritmo é alegre (marchinha), mas a letra é uma forte crítica social (Papai Noel não é para todos).

Resgato aqui um pouco a possibilidade de ouvir algo cativante, nas vozes de um coral de crianças de 9 a 14 anos.

O disco “Feliz Natal”, com os Pequenos Cantores da Guanabara, alunos do Colégio Salesiano (RJ), foi gravado na década de 1960. O disco todo tem boas interpretações de tradicionais músicas natalinas, você até poderá descobrir alguma que ainda não conheça. No Youtube encontrei somente o LP inteiro, pode-se ouvir Boas Festas a partir de 1m53s. Até agora, considero a melhor versão para essa música.

José de Assis Valente escreveu Boas Festas em 1932, a canção brotou de um Natal solitário e triste, como ele confidenciou numa entrevista de 1936 [8]:

Eu morava em Niterói, e passei aquele Natal sozinho. Estava longe dos meus e de todos em uma terra estranha. Era uma criatura esquecida dos demais no mundo alegre do Natal dos outros. Havia em meu quarto isolado, uma estampa simples de uma menina esperando seu presente, com seus sapatinhos sobre a cama. Eu me senti nela. Rezei e pedi. Fiz então “Boas festas”. Era uma forma de dizer aos outros o que eu sentia. Foi bom, porque de minha infelicidade tirei esta marchinha que fez a felicidade de muita gente. É minha alegria de todos os natais. Esta é a minha melhor composição”.

Outra interessante música natalina é Natal Verde e Amarelo, escrita por Wilma Camargo em 1960. A letra é bastante nacionalista e tenta mostrar que o nosso Natal é no hemisfério sul, no auge do verão, portanto devemos encher de presentes os nossos chinelos, não nossas meias… Ouça-a com o Trio Alvorada:

Natal Verde e Amarelo

por Wilma Camargo

Blem Blem Blem Blim Blim Blom Blom

Feliz Natal

Natal brasileiro, sem nada estrangeiro

Calor de dezembro, sem neve, sem frio

Natal todo nosso, com sinos tocando

Nas nossas matrizes do nosso Brasil

Feliz Natal (Feliz Natal)

Na hora da ceia, não sirva peru

Sirva um bom café, vatapá e caruru

Família reunida, contente da vida

Que bom festejar

Festejar o Natal a cantar

Não há, ó gente, ó não

Natal tão bonito, Natal tão azul

Luar do sertão e o Cruzeiro do Sul

Para iluminar o Brasil por inteiro

Eu quero este ano ver Papai Noel de verde e amarelo

Chegar alta noite e em muito chinelo deixar

Orgulho de ser brasileiro

Não há, ó gente, ó não

Natal tão bonito, Natal tão azul

Luar do sertão e o Cruzeiro do Sul

Para iluminar o Brasil por inteiro

Eu quero este ano ver Papai Noel de verde e amarelo

Chegar alta noite e em muito chinelo deixar

Orgulho de ser brasileiro

Para quem quiser conhecer mais canções natalinas brasileiras, recomendo um artigo sobre o assunto, que fala do acervo do Instituto Moreira Salles [9].

Referências

[1] Fay Lovsky – Blog https://www.lovsky.com/lovsky/hello.html

[2] Wikipedia – Billy Smart Jr. – https://en.wikipedia.org/wiki/Billy_Smart_Jr.

[3] Wikipedia – Auld Lang Syne – https://pt.wikipedia.org/wiki/Auld_Lang_Syne

[4] Assis Valente – Wikipedia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Assis_Valente

[5] Fay Lovsky – Canal no Youtube – https://www.youtube.com/channel/UCy5fiVGYnX37ix6csgv4Atg

[6] Biblioteca Virtual Consuelo Pondé – Assis Valente, o Pivô do Samba – http://www.bvconsueloponde.ba.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=158

[7] Enciclopédia Itaú Cultural – Assis Valente – http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12149/assis-valente

[8] Qual Delas? – A Canção Contada – Boas Festas – http://qualdelas.com.br/boas-festas/

[9] Teseo Press – Nísio Teixeira – A contribuição do acervo musical do site do Instituto Moreira Salles para a diversidade. Um estudo de caso: canções natalinas brasileiras – https://www.teseopress.com/diversidadedeexpressoesculturaisnaeradigital/chapter/a-contribuicao-do-acervo-musical-do-site-do-instituto-moreira-salles-para-a-diversidade-um-estudo-de-caso-cancoes-natalinas-brasileiras/

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DICA – Lanterna LED em capacete

27 de outubro de 2020 4 comentários
Fig. 1 – Lanterna LED para cabeça, adaptada em capacete.

Fig. 1 – Lanterna LED para cabeça, adaptada em capacete.

Às vezes, precisamos lidar na penumbra ou na escuridão com a ajuda de uma lanterna. Mas, ocupar uma das mãos com ela atrapalha qualquer serviço.

A solução é uma lanterna de cabeça, que seja fácil de usar. Consegui isso ao adaptar um modelo LED em capacete de segurança, alimentado por pilha de lítio recarregável e substituível. É o assunto deste artigo.

Aproveite para conhecer um circuito simples e eficiente de controle de corrente para LEDs, que funciona com ampla faixa de tensões.

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TÉCNICA – Nikon Coolpix 3200 com pilha de lítio + pilha falsa

1 de julho de 2020 3 comentários
Fig. 1 – Nikon Coolpix 3200, com o compartimento das pilhas aberto.

Fig. 1 – Nikon Coolpix 3200, com o compartimento das pilhas aberto.

Minha primeira máquina fotográfica digital foi esta NIKON Coolpix 3200, que comprei usada. Gosto muito dela, porque apesar de não ser HD é econômica e tira excelentes fotos em close-up.

De uns tempos para cá, a Nikonzinha começou a reclamar de pilhas fracas, mesmo quando novas. Como as pilhas AA de NimH ou mesmo alcalinas de boa qualidade são escassas e caras no Brasil, resolvi adaptar uma pilha recarregável de lítio de 3,7V. Mostro neste artigo como fazer isso. Aproveite também para informar-se melhor sobre as pilhas de lítio.

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Músicas para enlevar

11 de junho de 2020 Deixe um comentário

A internet, às vezes, pode ser muito chata, devido à segmentação, que é o ato deliberado de separar, classificar qualquer coisa em caixinhas. Por exemplo, os diversos estilos musicais.

Sou contra a segmentação, porque dirigir, separar e escolher de antemão o que uma pessoa deve gostar, ver ou comprar, significa que alguém pensa por ela. Aos poucos, reduzem o universo de escolha e diminuem a quantidade de opções, sem realmente dar lugar para o diferente.

Como determinar que aquele que gosta de música popular nunca desejará rock, blues, bossa nova, nem um grande instrumentista? Como saber se alguém poderia gostar da kalimba, sem nunca tê-la ouvido? Experiências sensoriais devem ser variadas e sempre incentivadas, como acontece na Natureza. Afinal, diversidade não é somente preferência sexual. E música não é só esse gritedo sintetizado que se houve hoje em dia.

Se não fosse a segmentação:

– Teríamos canais com verdadeira liberdade, onde poderíamos ter contato com coisas agradáveis e que não esperamos;

As músicas seriam muito mais variadas e realmente motivadoras da cultura, e não esse desfile de estrangeirismos e obscenidades, como se a vida fosse só isso;

Os concursos musicais poderiam revelar verdadeiros talentos, em vez de iludir, pois hoje dependem da preferência do contratante e dos ajustes corretos do afinador e vibrato automáticos;

O caldo cultural resultante seria bastante heterogêneo e formaria uma sociedade com maior bom senso, o que dificultaria a existência de extremismos;

Seríamos mais críticos com o que nos é oferecido, fossem produtos de consumo, entretenimento ou serviços públicos.

Tudo passa pela segmentação. A grande mídia vive disso.

Quando a informação vem sempre com o mesmo viés, todo enfoque diferente tende a parecer falso. É assunto já estudado há tempos, sabe-se muito bem que isso faz aumentar o sectarismo – sectário é alguém intolerante, defensor obstinado de qualquer sistema. E chega-se ao ódio. Por enquanto, só com palavras. Está ficando perigoso.

Precisamos libertar-nos de certas amarras. A música é excelente para isso, e por isso mesmo é tão controlada. Digamos que você queira ouvir algo para lhe enlevar. Enlevo é encantamento, arrebatamento, êxtase. Existe algum lugar que classifica música assim, sem que lhe mande para uma lista gospel? Não, porque estão mais atentos ao modo dos músicos tocarem, em vez dos efeitos que a música produz. Por isso que há sons que se tornam clássicos, pois ao longo dos anos só se confirma a qualidade do trabalho. Obras de longa vida não interessam comercialmente, o que se quer é músicas consumíveis, que sejam vendidas e trocadas a todo momento. Porque música boa também pode despertar desejos, como a vontade de ter uma vida menos miserável.

Esta é minha primeira playlist, bem curtinha – somente 11 músicas – que intenta encantar aquele que a ouvir. Se puder, curta num horário tranquilo e silencioso, talvez à noite. São quatro excelentes artistas, que não aparecem facilmente por aí. O que eles têm em comum é sua competência, são muito bons no que fazem.

A primeira música é de Noa, uma cantora israelense que regravou a música tema do filme “A vida é bela”, de Roberto Benigni e inseriu uma bela letra, criada por ela e Gil Dor. Aquele vocal, dá arrepios e vontade de cantar junto… O vídeo também é um primor, com os lindos desenhos em areia de Ilana Yahav.

Depois, conheça uma gata, literalmente, porque toca guitarra com as unhas: Lianne La Havas, inglesa de sangue grego e jamaicano. Além do vocal gostoso, a quantidade de harmonias que essa menina tira do instrumento, sem olhar, é impressionante, tem uma penca de músicas legais como Au Cinéma, No Room for Doubt, What You Don’t Do, Tokyo e Wonderful.

Você já imaginou um pianista que se apresenta em público de roupão e pantufas? Ele pode, é o gênio canadense Chilly Gonzales, que vive na Alemanha. Ouça a maravilhosa Rideaux Lunaires (Cortinas de sonho, em tradução livre). Na fábrica de pianos Steinway & Sons, em Hamburgo, ele tocou outra linda melodia: White Keys. No palco, interpretou visceralmente a música Orégano, até imaginei-me polvilhando uma pizza… Chilly Gonzales é o cara que andou dando uma mão para o grupo Daft Punk, famoso pela ótima música Get Lucky. No Youtube você encontra também uma hilária “batalha” dele com o pianista Jean Francoise Ziegel.

Por último, o baterista italiano Aldo Romano, que já foi roqueiro e hoje toca jazz. Dele vem duas músicas absolutamente maravilhosas: Viso di Donna (Rosto de mulher) e Anno Bom (Ano bom – foi em 2014, não agora…).

Delicie-se!!

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TÉCNICA – OUTRO conserto da fonte XBOX ligada em 220V

28 de maio de 2020 6 comentários
Fig. 1 – Placa de fonte XBOX 360 S, com o capacitor eletrolítico de entrada vazado.

Fig. 1 – Placa de fonte XBOX 360 S, com o capacitor eletrolítico de entrada vazado.

Ao ligar em 220V uma fonte chaveada que só aceita 127V, ela pode queimar de maneiras diferentes, dependendo do tempo que o fusível leva para abrir e interromper a corrente elétrica.

No modo mais rápido, queima só o fusível e o varistor. Isso foi tratado em outro artigo, aqui no Dicas do Zébio: Conserto da fonte de XBOX 360 S (Slim) que foi ligada em 220V.

Passados poucos segundos, se o varistor não queimar, o capacitor eletrolítico de entrada da fonte explode e vaza o eletrólito (fig. 1) e então queima o fusível. É disso que vamos tratar hoje.

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CORONAVÍRUS – Não se desespere

6 de abril de 2020 6 comentários

Assim como a alegria, a tristeza também um dia irá passar.

Este vírus nos trancou em casa. A verdade cruel é que parecemos palitos de fósforo: duramos muito pouco e qualquer vento pode nos apagar.

Tire vantagem do isolamento: agora há tempo, faça as coisas sem atropelos, durma mais, mas não exagere, pois as manhãs são sempre agradáveis e bonitas.

Imite os povos orientais, sejam árabes, indianos, chineses, japoneses, coreanos, filipinos, indonésios e outros, que fazem isso há séculos: não entre em casa com os calçados da rua, tenha um par de chinelos ou pantufas à porta, para cada morador. Lave as mãos frequentemente, com água e sabonete.

Converse, ouça melhor aqueles que estão ao seu lado e que todos os dias lhe aturam. Seja mais atencioso e amoroso para com os outros, imagine como está a vida daqueles que moram em uma peça 3×4. Se tiver algum poder, utilize-o para beneficiar os outros.

Coma devagar, saboreie cada garfada. Prepare sua comida com mais carinho e atenção, descubra o valor do orégano e do sal junto do tomate, do alho picado em meio ao queijo aquecido, ou da cebola crua no recheio do pastel. Faça pães, como faziam antigamente, só com 4 ingredientes. Controle sua gula.

Leia aquele livro ou revista que está rolando pela casa, há tempos. Leia outros posts do Dicas do Zébio! Aprenda algo novo ou pratique um instrumento musical. Assista ao que você realmente gosta, não aceite a ansiedade, a indolência e o envenenamento mental, vindos da TV e dos noticiários alarmantes. Ouça músicas sem vídeo, para percebê-las por inteiro.

Sinta o fresco perfume da noite, olhe para o céu, você perceberá que ele não é mais cortado a todo instante por aquelas chatas luzinhas piscantes dos aviões. Com sorte, verá uma lua maravilhosa, ou alguma estrela cadente. Aí, pense num desejo.

Pare de tomar remédio por conta própria, por qualquer dorzinha. Além de não resolver o problema e somente aliviar os sintomas, seu corpo estará de guarda abaixada quando o vírus chegar. Faça algum exercício, nem que seja só arrumar ou limpar a casa.

Ao beber, frua com gosto, como se fosse seu último gole. Afinal, para alguns, poderá ser mesmo.

Pense nos mais idosos, que estão na corda bamba. Pode ser que logo mais, você não consiga nem ir ao enterro deles. Telefone, bata um papo. Lembre-se de alguma piada.

Plante alguma coisa, seja árvore frutífera, tempero ou hortaliça. Meta as mãos na terra, nem que seja na de um vaso. Aproveite para desenrolar as raízes e diminuir o seu tamanho, e replante. Para tudo poder recomeçar.

Sente-se confortavelmente num lugar silencioso, na penumbra e tente ficar quieto, sem pensar. É difícil parar a cabeça, esforce-se, concentre-se em uma só coisa. Pense em um mundo de paz, saúde e alegria. Quando você perceber, os minutos terão se transformado em horas, e você sentirá uma profunda tranquilidade interior.

Faça como os antigos egípcios: todos os dias, abra a boca para o sol, deixe ele ver suas entranhas e lhe curar. Mosca só entra em boca podre.

Afinal de contas, a vida é para ser digerida, já dizia Arroz, um poema coreano.

INFORMAÇÕES

Se você quer informações corretas sobre o coronavirus, acesse o portal da Fiocruz, que tem muito material, inclusive orientações (imprimíveis) sobre os cuidados básicos para preservar nossa saúde, nestes tempos de pandemia.

Para obter notícias consistentes, fora dos meios tradicionais e sem estardalhaço, olhe um noticiário de Portugal, da França ou da Alemanha (todos em nossa língua) e um da Coreia do Sul, em inglês.

Aliás, da Deutsche Welle, tem um interessante artigo sobre como melhorar seu sistema imunológico para enfrentar o vírus: https://www.dw.com/pt-br/como-fortalecer-o-sistema-imunológico-durante-o-isolamento/a-53007971

Se quiser saber como anda o vírus pelo mundo, acesse o portal do Hospital Johns Hopkins, nos EUA, é bem completo, atualiza mais rápido que o da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro mapa mundial sobre a pandemia é o Worldometers.

No RS, a Secretaria de Saúde divulga a situação do estado em um mapa.

Por fim, lembre-se que todos os dias, o sol nasce para todos.

Arroz – Um poema coreano

3 de março de 2020 3 comentários

Fig. 1 – Arroz (밥 - Bap), de Yang-hee Chun, poema em língua coreana. Fonte: Blog Last-minute Girl [1]

Fig. 1 – Arroz (밥 – Bap), de Yang-hee Chun, poema em língua coreana. Fonte: Blog Last-minute Girl [1]

Arroz – por Yang-hee Chun

Para você que come muito arroz porque está sozinho

Para você que dorme muito porque está entediado

Para você que chora muito porque está triste

Eu escrevi isso.

Mastigue seus sentimentos que estão encurralados

Como você mastigaria arroz

Afinal, a vida é algo que você precisa digerir

O singelo poema “Arroz” (– Bap, em coreano) sintetiza perfeitamente uma boa forma de encarar a vida. O arroz é um alimento sagrado para os orientais, eles o comem em todas as refeições diárias, inclusive no café da manhã. Antigamente, era usado até como dinheiro.

Esse poema aparece nas cenas finais da primeira temporada da série da Netflix “Vamos Comer” (Let’s Eat), dirigida pelo coreano Joon-hwa Park. Curti muito a série e o poema a encerrou com chave de ouro. Assim, foi praticamente uma obrigação saber mais sobre ele e quem o escreveu.

A poetisa sul-coreana Yang-hee Chun (천양희), segundo a Wikipedia [2], nasceu em Busan em 12 de janeiro de 1942, filha mais nova de sete. Cresceu influenciada por seu pai e seu avô, estreou seus poemas em 1965 e parou de escrever de 1969 a 1982, devido ao casamento. Divorciou-se e voltou à ativa em 1983, não sem antes passar pela tuberculose e por problemas cardíacos. Já recebeu vários prêmios literários em seu país, é uma das raras pessoas que alcançou o reconhecimento público na juventude e voltou a ser premiada aos 40 anos de idade.

O site da Biblioteca Digital de Literatura Coreana – LTI Korea [3], mostra uma foto dela, uma entrevista (em coreano…) e as formas de escrever o nome, onde podemos perceber que, dependendo da transliteração, a grafia pode ser ligeiramente diferente.

O poema “Arroz”, traduzido acima, é uma amostra do que essa poetisa consegue criar. Seus textos falam da solidão, das dores e decepções que encontramos ao longo da vida e sugere meios de enfrentá-las. Alguns trabalhos seus foram traduzidos para o inglês e o japonês, mas nada ainda para nossa língua. Agradeço muito ao diretor Joon-hwa Park, que nos brindou com esta pérola.

Fig. 2 – Let’s Eat, primeira temporada na Netflix. Fonte: Blog Vamos Falar Disso [4].

Fig. 2 – Let’s Eat, primeira temporada na Netflix. Fonte: Blog Vamos Falar Disso [4].

Let’s Eat já está na terceira temporada, apesar de ainda só aparecerem duas na Netflix. A série é uma comédia romântica, com um toque de gourmet – essa palavra da moda. Todo episódio mostra os atores saboreando uma ou mais refeições, das mais diversas origens, com dicas interessantes sobre os pratos, para que o prazer de comer seja mais intenso. Os atores literalmente comem e bebem, não é como nas novelas brasileiras, que trocam de cena quando a pessoa vai abocanhar algo e depois só aparece com a língua empurrando a bochecha, mastigando nada…

Além das enormes diferenças culturais, fica evidente que eles comem muito bem. É hábito em vários lugares, mesmo nos mais populares, ter frutos do mar ainda vivos, que são mortos na hora de fazer o prato. E é comum as mesas disporem de uma grelha, onde os próprios clientes colocam as porções para assar. Os melhores restaurantes têm um coletor de fumaça para cada mesa. Nota-se que eles estão acostumados à comida fresca, mais nutritiva e saborosa.

Eles não se importam de chupar o lámen com barulho, entornar direto o caldo do prato, ou ficar rolando algum pedaço de comida quente pela boca. A etiqueta, o requinte e a pompa à mesa só servem para aqueles que podem levar 2 horas em cada refeição. O nosso tempo é cada vez mais escasso, precisamos nos ater ao que é importante: saborear bem a comida!

Por conta desta série, tenho sentado mais calmo à mesa, sem atropelos. Presto mais atenção ao gosto de cada garfada. A sensação tem sido muito agradável, diria até de descoberta de sabores que não percebia antes. Mastigo mais e tenho estado mais tranquilo, também.

Em restaurantes, eu comia um tanto rapidamente, apesar de algumas vezes ter visto pessoas servirem-se à minha frente no buffet e irem embora enquanto eu sentava…

Seria interessante que nós, brasileiros, não fôssemos tão vorazes, ansiosos e apressados à mesa, porque isso só nos trará problemas no futuro.

Concordo que a vida é uma correria, mas se aproveitarmos com mais atenção aqueles momentos das refeições (sem olhar o celular, né), muito estresse poderia ser evitado. Isso vale também para aqueles, como eu, que levam marmita para almoçar no trabalho. Pesquisas preveem que o Brasil será o país mais obeso do mundo daqui a 10 anos [5] – estamos em 2020. Imagine, o país mais desigual do mundo também poderá ser o campeão de obesidade!

Voltando ao poema, ele diz que temos que digerir a vida. Não precisa explicar mais nada. Isso é uma das coisas que tenho gostado de ver nos seriados que vem do leste: em cada episódio eu sempre aprendo algo de positivo e interessante.

E o que você tira de bom de uma novela brasileira? Não é só intrigas, ciúmes, brigas, forçação de barra, sexo, soberba, palhaçadas, canalhices e hipocrisia? Sem falar dos estereótipos e da violência. Se queremos um futuro melhor, temos que olhar para coisas boas, desejáveis, que nos façam pensar e comparar com a vida que temos. Porque aqueles seriados coreanos, japoneses, chineses e europeus, contam estórias agradáveis, têm humor na medida certa e sem baixarias, apresentam relações humanas baseadas na franqueza e mostram lugares tranquilos para morar, passear à noite ou conversar calmamente. Aqui, vivemos no sobressalto, a todo momento temos que aguentar um vizinho barulhento na madrugada, um tiro ou um rojão, a sirene de uma ambulância ou da polícia, ou ainda o escapamento aberto de um carro ou moto…

Fig. 3 – Kaoru Kobayashi, o “Mestre” da série Jantar da Meia-noite (Midnight Dinner). Fonte: Peach no Japão [6].

Fig. 3 – Kaoru Kobayashi, o “Mestre” da série Jantar da Meia-noite (Midnight Dinner). Fonte: Peach no Japão [6].

Para completar este texto sobre vida e comida, lembro que a Netflix trouxe do Japão a elogiadíssima série “Jantar da meia noite” (Midnight Dinner), já com duas temporadas – está saindo a terceira -, em que um pequeno restaurante em Tóquio abre à meia-noite e fecha às sete da manhã. O “mestre” faz o prato que o cliente pedir, se tiver os ingredientes. Cada episódio é curto, dura cerca de 20 minutos e conta uma estória envolvendo um prato preferido de alguém. É extremamente agradável de assistir, foi feito com muito cuidado: se você observar, perceberá que a abertura de cada episódio é ligeiramente diferente da anterior. Também há dicas sobre o preparo dos pratos, às vezes tão simples como uma salsicha empanada. E não sou só eu que falo bem [6][7].

Pense o seguinte: adianta você viver apressado e aflito, cheio de preocupações e traumas, enquanto a vida está passando? Saborear a comida é o que nos devolve aos eixos – desde que você deixe a gula de lado. Agradeça aos céus por ter recebido a refeição e aprecie o momento…

Nota Final

Uma curiosidade sobre o nome dos coreanos: ele é composto por duas partes, ao passo que o sobrenome é um só. Sempre. Assim, um nome como o da excelente cantora Youn-sun Nah, pode ser explicado como o nome (Youn-sun) e o sobrenome ou nome da família (Nah). E quando escrevem, fazem como os americanos: geralmente o sobrenome vem primeiro (Nah Youn Sun). Procure pela Youn-sun Nah no Youtube, a música “My Favorite Things” [8] é uma amostra do que ela faz com a voz. O site da cantora é https://www.younsunnah.com/

Referências

[1] Last-minute Girl – Rice Poem (Chun Yang Hee) – Hangul and translation – Let’s eat – http://last-minute-girl.blogspot.com/2014/09/rice-poem-chun-yang-hee-hangul-and.html

[2] Wikipedia – Cheon Yang-hee https://en.wikipedia.org/wiki/Cheon_Yang-hee

[3] Digital Library of Korean Literature – Chun Yang Heehttps://library.ltikorea.or.kr/node/31514

[4] Blog Vamos Falar Disso – Crítica – Let’s Eathttp://vamosfalardisso.com.br/critica-lets-eat/

[5] BBC – 2015 – Brasil pode ser o pais mais obeso do mundo em 15 anos – https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150826_obesidade_infantil_mdb

[6] Peach no Japão – Piti Koshimura – Curiosidades sobre a série Midnight Dinner – Tokyo Stories – https://peachnojapao.com/cultura/cinema/curiosidades-sobre-a-serie-midnight-diner-tokyo-stories/

[7] Nerd Cult – Conheça Shinya Shokudo, O Jantar da Meia-noite – https://www.nerdcult.com.br/2017/02/conheca-shinya-shokudo-o-jantar-da-meia.html

[8] Youtube – Youn-sun Nah – My Favorite Thingshttps://youtu.be/v3q6L8ONqCI

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Como resolver qualquer problema

26 de agosto de 2019 12 comentários

Esquema para resolver qualquer problema

Este esquema é muito famoso na Itália (procure por “Schema per la soluzione di ogni problema”) e encaixa em qualquer profissão ou assunto. Quantas vezes presenciamos alguém inescrupuloso dizer:

– Não fui eu, foi ele…

Observe que será mera coincidência qualquer semelhança com os dias atuais, nos quais o espalhamento de mentiras tornou-se corriqueiro e é feito por quem devia dar o exemplo (seja juiz, policial, doutor, jornalista ou político).

Se você quiser continuar a brincadeira, poderá editar ou traduzir o fluxograma, esteja à vontade, baixe DAQUI o original em formato .odg (compactado em formato zip).

TÉCNICA – Conserto e funcionamento de raquete mata-mosquitos

19 de agosto de 2019 23 comentários
Fig. 1 – Raquete eletrônica, que mata mosquitos por eletrocução (Obs.: esta é uma fotomontagem, os mosquitos são eletrocutados somente quando se aproximam ou encostam na malha interna da raquete, não tenha medo dela...).

Fig. 1 – Raquete eletrônica, que mata mosquitos por eletrocução (Obs.: esta é uma fotomontagem, os mosquitos são eletrocutados somente quando se aproximam ou encostam na malha interna da raquete, não tenha medo dela…).

Parece uma perda de tempo consertar um aparelho tão barato quanto uma raquete eletrônica mata-mosquitos (fig. 1), se considerarmos somente o valor de compra. Mas, se você quiser saber como funciona…

Dentro da raquete há um interessante circuito gerador de alta tensão, que vale a pena conhecer. Saber como trabalha um circuito tão simples, ajuda na prática a entender o comportamento de cada componente do circuito, além de desmistificar um pouco os indutores e o mundo da alta tensão. Podemos inclusive compreender o funcionamento de circuitos semelhantes, como os “ladrões de joule” (joule thief), que conseguem ligar LEDs com uma pilha gasta.

O texto mostra o que são as pilhas de ions de lítio, os cuidados e os perigos, e como uma delas foi adaptada na raquete, com um circuito de proteção, para carregar por cabo USB. Também falamos sobre alguns modelos de mata-mosquitos eletrônicos, para uso fixo, muito interessantes para pessoas idosas.

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DICA – XBOX ligado em fonte ATX

29 de março de 2019 34 comentários
Figura 1 – Fonte ATX para computador, adaptada com o cabo de fonte XBOX. Funciona igual à original, comandada pelo botão POWER do console.

Figura 1 – Fonte ATX para computador, adaptada com o cabo de fonte XBOX. Funciona igual à original, comandada pelo botão POWER do console.

É possível fazer o XBOX ligar uma fonte para computadores (padrão ATX), pois as tensões de alimentação são iguais. Fontes de PC entregam muito mais potência e também são bivolt, um recurso inexistente na maioria das fontes originais do XBOX.

Este artigo mostra como adaptar o console XBOX 360S em fonte de computador (fig. 1), mas pode ser feito também no modelo no 360E (Super Elite ou Super Slim), no 360 antigo, no XBOX One e possivelmente nos modelos One S e One X, que têm fontes embutidas.

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