DICA – Quando a raquete mata-mosquitos vibra

18 de janeiro de 2021 6 comentários
Fig. 1 – Raquete mata-mosquitos parcialmente desmontada.

Fig. 1 – Raquete mata-mosquitos parcialmente desmontada.

Se a raquete mata-mosquitos zumbe e vibra ao acionar o botão e às vezes funciona, outras vezes não, leia esta dica, pode ser um problema bem fácil de resolver.

Ocorre também da raquete ligar normalmente, às vezes até matar algum mosquito, mas não fazer mais aquele estalo típico, nem aparecer a faísca. Saiba como resolver este inconveniente.

Já abordei as raquetes mata-mosquitos em artigo recente no Dicas do Zébio. Aquele post detalha o funcionamento do circuito, como testar os diodos de alta-tensão (AT), as falhas que podem ocorrer na parte eletrônica, a troca do transformador e até como atualizar a raquete, com a instalação de uma pilha de lítio 18650, recarregável por USB. Acesse o texto por AQUI.

RESUMO

Uma raquete mata-mosquitos muito louca

Polos opostos atraem-se

Solução do mistério

A raquete funciona às vezes, sem estalo nem faísca

O que melhorar nas raquetes mata-mosquitos

Referências

Uma raquete mata-mosquitos muito louca

Certa vez, ao visitar familiares, vi que essa raquete mata-mosquitos vibrava ao acionar o botão de disparo de alta-tensão (fig. 1). Era muito estranho, porque o circuito não teria, em princípio, capacidade para gerar qualquer movimento.

Quando liguei a raquete na escuridão, foi possível notar o brilho de uma faísca na garganta da raquete, de onde saem os fios para a placa de circuito impresso. Esse termo, “garganta” [1], tomei emprestado dos tenistas…

Desmontei toda ela, inclusive aquele conjunto de telas metálicas e então descobri a causa do estranho comportamento. Para compreendê-lo, vamos lembrar de um dos princípios da Física.

Fig. 2 – Disposição das telas metálicas de uma raquete mata-mosquitos.

Fig. 2 – Disposição das telas metálicas de uma raquete mata-mosquitos.

Fig. 3 – Ligações das telas da raquete mata-mosquitos. Observe que os fios amarelos, das telas externas, são ligados ao mesmo polo.

Fig. 3 – Ligações das telas da raquete mata-mosquitos. Observe que os fios amarelos, das telas externas, são ligados ao mesmo polo.

Atração de polos opostos

As 3 telas da raquete formam um “sanduíche”, onde as 2 externas são ligadas ao negativo e a interna, ao positivo (fig. 2 e 3).

Na verdade, a polaridade aqui não importa, o que deve ficar bem claro é que as duas telas que ficam do lado de fora precisam estar no mesmo potencial, para evitar choques.

Uma das telas externas estava com o fio de ligação oxidado, o que dificultava a passagem de corrente (figs. 4 e 5). Apesar disso, a alta-tensão conseguia ultrapassar a barreira de óxido e energizar, às vezes, a tela metálica. Prova disso é o esfumaçamento do plástico junto da conexão (fig. 6).

Fig. 4 – Ao desmontar as telas, verifiquei que um dos fios amarelos estava solto.

Fig. 4 – Ao desmontar as telas, verifiquei que um dos fios amarelos estava solto.

Fig. 5 – Detalhe do fio solto e da respectiva solda na tela. Observe que ao desmontar o conjunto, o fio afastou-se da posição onde estava (perto da tela).

Fig. 5 – Detalhe do fio solto e da respectiva solda na tela. Observe que ao desmontar o conjunto, o fio afastou-se da posição onde estava (perto da tela).

Fig. 6 – Detalhe do esfumaçamento no plástico da raquete, causado pelas faíscas entre o fio solto e a tela.

Fig. 6 – Detalhe do esfumaçamento no plástico da raquete, causado pelas faíscas entre o fio solto e a tela.

Lembremos de um princípio básico da Física, a atração entre cargas elétricas opostas. Existe influência entre a tela central e as telas externas, porque estão com polaridades contrárias.

Como visto no esquema da raquete, em artigo anterior (AQUI), os diodos retificam (e aumentam, junto com os capacitores) a alta-tensão de saída, portanto as telas externas são ligadas a um polo (negativo, por exemplo) e a tela central ao outro polo.

A força de atração pode ser bastante forte, porque a tensão é de quase 2000V (= 2 Kilovolt = 2KV), espalhada sobre toda a área da tela. Observe que estou falando em tensão (VOLT) e não em potência (WATT).

Solução do mistério

A causa do problema: ao energizar a raquete as telas aproximam-se; o fio oxidado da respectiva tela fica um pouco mais longe e interrompe a conexão; com isso, cessa a atração de um lado e a tela central se aproxima da outra (que continua ligada); ao interromper a conexão, a tela do fio solto volta à posição original; a conexão é refeita e o ciclo recomeça. O deslocamento das telas pode ser bem menor que 1mm, mas é suficiente para criar o efeito mecânico de vibração, devido ao tamanho da tela.

Imagine esta sequência acontecer rapidamente. Era essa a causa do zumbido e do tremor, que podia ser sentido no cabo da raquete.

Conforme a posição do fio solto e da respectiva tela, um lado da raquete deixava de funcionar. Por isso o plástico junto da solda defeituosa ficou chamuscado pelas faíscas (fig. 6).

Com a limpeza e ressoldagem do ponto de contato, a raquete voltou a ficar silenciosa e a funcionar normalmente.

Mal comparando, esse comportamento de liga-desliga da raquete é igual ao do interruptor de palheta vibratória ou interruptor de campainha (interrupter bell), utilizado nos primórdios da eletricidade. Enquanto que no interruptor a atração é magnética e feita por um eletroímã, na raquete ela ocorreu pela proximidade das telas eletricamente carregadas.

A raquete funciona às vezes, sem estalo nem faísca

Uma das raquetes mata-mosquitos que temos em casa enfraqueceu e não dava mais o estalo típico da eletrocução. Geralmente o mosquito escapava ileso.

Há dois caminhos para descobrir a origem do problema: um é confirmar o bom estado da bateria e do circuito de carregamento. Outra linha de investigação é conferir se o consumo do circuito está normal e o transformador não queimou.

Se o trafo queimou, leia AQUI o artigo anterior, que trata este assunto e inclusive tem um vídeo sobre como enrolá-lo.

A bateria usada na raquete é de chumbo-ácido, com duas células e deve exibir 4,4 V quando plenamente carregada (e sem consumo). Baterias com algum tempo de uso reduzem aos poucos essa tensão máxima.

Selecione no multímetro a escala de tensão CC (VDC) e prenda as pontas de prova aos polos da bateria. Ligue a raquete e acione o botão da faísca.

Nessa raquete, a bateria estava com 4,39V e baixava para 1,77V ao ligar o circuito. Ao medir o consumo com uma fonte ajustada em 4,4V, deu 420mA.

Comparei com uma raquete nova, cuja bateria, com 4,08V baixou só até 3,83V. O consumo ficou em 360mA, com a fonte em 4,4V.

Ao trocar as baterias entre si, a que está com 4,36V baixou para 1,96V na outra raquete. E aquela com 4,08V baixou até 3,79V.

Há 60mA de diferença de consumo entre as raquetes, mas isso não é suficiente para uma das baterias baixar tanto.

Conclusão: a bateria da primeira raquete está sulfatada, pois apresenta alta resistência interna e não consegue fornecer a corrente necessária ao circuito.

A sulfatação ocorre quando a carga da bateria de chumbo-ácido nunca é completa. Ao longo do tempo, formam-se no interior da bateria, junto do polo negativo, grandes cristais de sulfato de chumbo, que aumentam a resistência interna e diminuem a capacidade de corrente. Para ocorrer uma carga completa, que leva de 14 a 16 horas, essas baterias precisam de carga bem lenta. Por isso, aliás, que as baterias de automóveis duram somente 2 anos: faltam ciclos completos de carga.

Eu tinha que trocar a bateria de 4V da raquete, mas ela não existe nas lojas. Se houvesse alguma na sucata, ótimo, caso contrário a raquete teria que ser descartada.

Mandar a raquete para o lixo, só por causa da fonte de energia? BEM CAPAZ!

Dá para substituir a bateria por uma pilha de íons de lítio de 3,7V, se adicionarmos um pequeno circuito de controle de carga/descarga. Mostrei como fazer isso, ao adaptar uma pilha vinda de notebook usado, no primeiro artigo sobre conserto das raquetes mata-mosquitos, AQUI no Dicas do Zébio.

E mostro outra vez como ligar uma velha (e ainda em condições de uso) pilha de lítio no lugar da bateria de chumbo, mantendo praticamente inalterado o restante do circuito, ou seja, a raquete continuará a carregar pela rede elétrica. É só acompanhar as figuras a seguir.

Fig. 7 – Soldagem da plaquinha de controle de carga na pilha de lítio.

Fig. 7 – Soldagem da plaquinha de controle de carga na pilha de lítio.

Fig. 8 – Detalhe da plaquinha de controle de carga da pilha de lítio.

Fig. 8 – Detalhe da plaquinha de controle de carga da pilha de lítio.

Fig. 9 – Ligação da pilha de lítio à raquete. Observe que é a placa que controla o que entra ou sai de energia na pilha.

Fig. 9 – Ligação da pilha de lítio à raquete. Observe que é a placa que controla o que entra ou sai de energia na pilha.

Fig. 10 – Proteção da pilha com várias voltas de fita crepe e colocação de espaguete termorretrátil na placa de controle.

Fig. 10 – Proteção da pilha com várias voltas de fita crepe e colocação de espaguete termorretrátil na placa de controle.

Fig. 11 – Espaguete encolhido após aplicação de calor.

Fig. 11 – Espaguete encolhido após aplicação de calor.

Fig. 12 – Remoção de ilhas plásticas sem uso, provavelmente foram projetados para prender a bateria de chumbo.

Fig. 12 – Remoção de ilhas plásticas sem uso, provavelmente foram projetados para prender a bateria de chumbo.

O circuito de controle de carga e descarga da pilha de lítio foi adquirido do fabricante CELEX, em sua loja oficial no AliExpress [2]. A plaquinha é modelo 1S (para uma fonte), e limita a corrente a 3A. Esta plaquinha é mais adequada para ligar duas pilhas em paralelo, para poder fornecer tal corrente.

O certo seria comprar uma placa com limite de 1A, de modo a garantir que a pilha não forneça corrente acima de sua capacidade. As pilhas 18650 conseguem entregar entre 1,2 e 3,6A, mas não encontrei placas 1S com capacidade abaixo de 3A.

Apesar disso, no momento que a tensão da pilha cai abaixo de um determinado limite (3,2V), a placa deve interromper a conexão.

Observe que a pilha não tem mais conexão direta com o circuito da raquete, tudo passa pela placa de controle de carga/descarga. As figs. 7 a 11 mostram essas ligações e os cuidados com o isolamento elétrico.

Para acomodar a pilha e seu circuito de controle no cabo, tive que remover duas ilhas plásticas, que atravancavam o caminho (fig.12).

ATENÇÃO: este artigo somente SUGERE dicas de manutenção para a raquete mata-mosquitos, oriundos de minha própria experiência e da intenção de ensinar.

As ações aqui citadas são destinadas a pessoas com experiência na área de eletricidade e eletrônica, portanto não são para leigos.

O circuito da raquete não é isolado da rede elétrica e poderá causar choque elétrico FATAL a quem não tomar as devidas precauções, como lidar com o circuito desligado da rede elétrica e usar um transformador isolador na bancada, acoplado a um Dispositivo Diferencial Residual – DDR [3].

Mexi um pouco no circuito de carregamento, porque aqueles finíssimos fios azuis, ligados em 220VCA me davam medo (fig. 13).

Concordo que o fio mais fino se comporta como um fusível em caso de curto-circuito em rede elétrica (dá um estouro e interrompe a conexão, devido à sublimação imediata do cobre).

Na raquete é perigoso os fios da rede passarem pela pilha, porque se ela for avariada devido a um curto-circuito, pode ser desastroso. Mais detalhes sobre os perigos de incêndio com as pilhas de lítio, acesse AQUI outro artigo do Dicas do Zébio.

Fig. 13 – Pilha de lítio e circuito de controle, acomodados no cabo da raquete. Observe os frágeis fios azuis que vão do plugue retrátil da rede elétrica à placa.

Fig. 13 – Pilha de lítio e circuito de controle, acomodados no cabo da raquete. Observe os frágeis fios azuis que vão do plugue retrátil da rede elétrica à placa.

Fig. 14 – Disposição final da nova fiação da rede elétrica.

Fig. 14 – Disposição final da nova fiação da rede elétrica.

Fig. 15 – Fio substituto para ligação à rede elétrica, observe a tensão admissível.

Fig. 15 – Fio substituto para ligação à rede elétrica, observe a tensão admissível.

Fig. 16 – Plugue deslizante para carregar a raquete. Está fora das normas técnicas, porque não consegue conectar sem adaptador nas novas tomadas NBR.

Fig. 16 – Plugue deslizante para carregar a raquete. Está fora das normas técnicas, porque não consegue conectar sem adaptador nas novas tomadas NBR.

Fig. 17 – Capacitor substituto, classe X2, na placa da raquete.

Fig. 17 – Capacitor substituto, classe X2, na placa da raquete.

Achei prudente usar fios com maior isolamento: 300V, como se vê na fig. 15. Não é o ideal, porque foram tirados da saída de uma fonte ATX. Para ligar direto à rede elétrica, deveriam ser de 450 ou 750V.

No entanto, como são poucos centímetros entre o plugue deslizante e a placa de circuito impresso; a capa dos fios é suficientemente grossa e não haverá exposição ao calor excessivo, creio que a segurança seja suficiente.

Por garantia, troquei também aquele capacitor que fica em série com a rede elétrica e que tem a função de transformador (abaixa a tensão, mas não isola da rede elétrica). Esse capacitor plástico era de 1uF e estava em bom estado, coloquei outro de 330nF/400V, classe X2 (fig.17).

A corrente de carga reduziu para um terço da anterior e permite a raquete ficar várias horas na tomada, sem aquecer a bateria.

O capacitor de classe X2 é construído para jamais entrar em curto-circuito, os surtos apenas reduzem sua capacitância. Se ele estiver aberto, pode impedir a carga. No artigo sobre lanternas de cabeça (AQUI no Dicas do Zébio), falo em detalhes o que aconteceu com o capacitor do carregador embutido, igual ao da raquete.

O resultado da troca da pilha pode ser visto na fig. 18, a faísca até ficou mais forte.

Fig. 18 – Faísca produzida pela raquete mata-mosquitos, com a pilha de lítio.

Fig. 18 – Faísca produzida pela raquete mata-mosquitos, com a pilha de lítio.

O que melhorar nas raquetes mata-mosquitos

Eu sei que a raquete mata-mosquitos é barata e por isso está disseminada até nos países mais pobres. Também é bastante prática, pois não precisa de nenhum outro acessório para funcionar, é só espetá-la na tomada de vez em quando.

Ela tem sido melhorada aos poucos e espero que fique cada vez mais durável e robusta e evite de aparecer nos lixões.

Seria interessante que os fabricantes atualizassem a raquete para a pilha de lítio 18650, porque a bateria interna ainda é de chumbo, um metal pesado que faz mal à saúde causa porfiria.

Obviamente, o custo aumentaria, mas em algum momento o chumbo será banido dos equipamentos, por força de restrições internacionais.

Fig. 19 – Calços de espuma de borracha, colados com cianoacrilato na cabeça da raquete. Ela pode ficar encostada na parede, sem cair.

Fig. 19 – Calços de espuma de borracha, colados com cianoacrilato na cabeça da raquete. Ela pode ficar encostada na parede, sem cair.

Tomara que um dia fabriquem um modelo dobrável da raquete mata-mosquitos, para facilitar nas viagens e passeios.

Ela também precisa ser mais firme, quando é deixada de prontidão na parede. Para não cair a toda hora, ajudaria se a ponta do cabo fosse reta e achatassem o alto da cabeça (região chamada de pára-choques – bumper guard [1]). Como só esperar não resolve, minha solução foi usar calços antiderrapantes (fig.19).

Por hoje era isso, Bom proveito!

Referências

[1] Casa do Tenista – Estrutura de uma raquete – https://www.casadotenista.com.br/estrutura-de-uma-raquete

[2] AliExpress – Acelex Official Store – Carregadores para pilhas de lítio 18650 1S 2S 3S 4S – https://pt.aliexpress.com/item/1005001718598546.html

[3] Weg – Blog Tomadas & Interruptores – Você sabe o que é um DDR? – https://www.weg.net/tomadas/blog/arquitetura/voce-saber-o-que-e-um-dispositivo-diferencial-residual/

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O Natal de 2020

22 de dezembro de 2020 2 comentários
Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Que ano! Todos tivemos muitas dificuldades, em razão do confinamento causado pela pandemia.

Mas, estamos em plenas Boas Festas, 2021 está chegando aí e precisamos espairecer.

Descobri por esses dias uma bela canção de Natal, diferente das mesmas de sempre. Não é nova, essa música já tem mais de 30 anos e fez sucesso na Europa dos anos 1980. Por aqui, jamais tocou.

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DICA – Lanterna LED em capacete

27 de outubro de 2020 5 comentários
Fig. 1 – Lanterna LED para cabeça, adaptada em capacete.

Fig. 1 – Lanterna LED para cabeça, adaptada em capacete.

Às vezes, precisamos lidar na penumbra ou na escuridão com a ajuda de uma lanterna. Mas, ocupar uma das mãos com ela atrapalha qualquer serviço.

A solução é uma lanterna de cabeça, que seja fácil de usar. Consegui isso ao adaptar um modelo LED em capacete de segurança, alimentado por pilha de lítio recarregável e substituível. É o assunto deste artigo.

Aproveite para conhecer um circuito simples e eficiente de controle de corrente para LEDs, que funciona com ampla faixa de tensões.

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TÉCNICA – Nikon Coolpix 3200 com pilha de lítio + pilha falsa

1 de julho de 2020 3 comentários
Fig. 1 – Nikon Coolpix 3200, com o compartimento das pilhas aberto.

Fig. 1 – Nikon Coolpix 3200, com o compartimento das pilhas aberto.

Minha primeira máquina fotográfica digital foi esta NIKON Coolpix 3200, que comprei usada. Gosto muito dela, porque apesar de não ser HD é econômica e tira excelentes fotos em close-up.

De uns tempos para cá, a Nikonzinha começou a reclamar de pilhas fracas, mesmo quando novas. Como as pilhas AA de NimH ou mesmo alcalinas de boa qualidade são escassas e caras no Brasil, resolvi adaptar uma pilha recarregável de lítio de 3,7V. Mostro neste artigo como fazer isso. Aproveite também para informar-se melhor sobre as pilhas de lítio.

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Músicas para enlevar

11 de junho de 2020 Deixe um comentário

A internet, às vezes, pode ser muito chata, devido à segmentação, que é o ato deliberado de separar, classificar qualquer coisa em caixinhas. Por exemplo, os diversos estilos musicais.

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TÉCNICA – OUTRO conserto da fonte XBOX ligada em 220V

28 de maio de 2020 8 comentários
Fig. 1 – Placa de fonte XBOX 360 S, com o capacitor eletrolítico de entrada vazado.

Fig. 1 – Placa de fonte XBOX 360 S, com o capacitor eletrolítico de entrada vazado.

Ao ligar em 220V uma fonte chaveada que só aceita 127V, ela pode queimar de maneiras diferentes, dependendo do tempo que o fusível leva para abrir e interromper a corrente elétrica.

No modo mais rápido, queima só o fusível e o varistor. Isso foi tratado em outro artigo, aqui no Dicas do Zébio: Conserto da fonte de XBOX 360 S (Slim) que foi ligada em 220V.

Passados poucos segundos, se o varistor não queimar, o capacitor eletrolítico de entrada da fonte explode e vaza o eletrólito (fig. 1) e então queima o fusível. É disso que vamos tratar hoje.

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CORONAVÍRUS – Não se desespere

6 de abril de 2020 6 comentários

Assim como a alegria, a tristeza também um dia irá passar.

Este vírus nos trancou em casa. A verdade cruel é que parecemos palitos de fósforo: duramos muito pouco e qualquer vento pode nos apagar.

Tire vantagem do isolamento: agora há tempo, faça as coisas sem atropelos, durma mais, mas não exagere, pois as manhãs são sempre agradáveis e bonitas.

Imite os povos orientais, sejam árabes, indianos, chineses, japoneses, coreanos, filipinos, indonésios e outros, que fazem isso há séculos: não entre em casa com os calçados da rua, tenha um par de chinelos ou pantufas à porta, para cada morador. Lave as mãos frequentemente, com água e sabonete.

Converse, ouça melhor aqueles que estão ao seu lado e que todos os dias lhe aturam. Seja mais atencioso e amoroso para com os outros, imagine como está a vida daqueles que moram em uma peça 3×4. Se tiver algum poder, utilize-o para beneficiar os outros.

Coma devagar, saboreie cada garfada. Prepare sua comida com mais carinho e atenção, descubra o valor do orégano e do sal junto do tomate, do alho picado em meio ao queijo aquecido, ou da cebola crua no recheio do pastel. Faça pães, como faziam antigamente, só com 4 ingredientes. Controle sua gula.

Leia aquele livro ou revista que está rolando pela casa, há tempos. Leia outros posts do Dicas do Zébio! Aprenda algo novo ou pratique um instrumento musical. Assista ao que você realmente gosta, não aceite a ansiedade, a indolência e o envenenamento mental, vindos da TV e dos noticiários alarmantes. Ouça músicas sem vídeo, para percebê-las por inteiro.

Sinta o fresco perfume da noite, olhe para o céu, você perceberá que ele não é mais cortado a todo instante por aquelas chatas luzinhas piscantes dos aviões. Com sorte, verá uma lua maravilhosa, ou alguma estrela cadente. Aí, pense num desejo.

Pare de tomar remédio por conta própria, por qualquer dorzinha. Além de não resolver o problema e somente aliviar os sintomas, seu corpo estará de guarda abaixada quando o vírus chegar. Faça algum exercício, nem que seja só arrumar ou limpar a casa.

Ao beber, frua com gosto, como se fosse seu último gole. Afinal, para alguns, poderá ser mesmo.

Pense nos mais idosos, que estão na corda bamba. Pode ser que logo mais, você não consiga nem ir ao enterro deles. Telefone, bata um papo. Lembre-se de alguma piada.

Plante alguma coisa, seja árvore frutífera, tempero ou hortaliça. Meta as mãos na terra, nem que seja na de um vaso. Aproveite para desenrolar as raízes e diminuir o seu tamanho, e replante. Para tudo poder recomeçar.

Sente-se confortavelmente num lugar silencioso, na penumbra e tente ficar quieto, sem pensar. É difícil parar a cabeça, esforce-se, concentre-se em uma só coisa. Pense em um mundo de paz, saúde e alegria. Quando você perceber, os minutos terão se transformado em horas, e você sentirá uma profunda tranquilidade interior.

Faça como os antigos egípcios: todos os dias, abra a boca para o sol, deixe ele ver suas entranhas e lhe curar. Mosca só entra em boca podre.

Afinal de contas, a vida é para ser digerida, já dizia Arroz, um poema coreano.

INFORMAÇÕES

Se você quer informações corretas sobre o coronavirus, acesse o portal da Fiocruz, que tem muito material, inclusive orientações (imprimíveis) sobre os cuidados básicos para preservar nossa saúde, nestes tempos de pandemia.

Para obter notícias consistentes, fora dos meios tradicionais e sem estardalhaço, olhe um noticiário de Portugal, da França ou da Alemanha (todos em nossa língua) e um da Coreia do Sul, em inglês.

Aliás, da Deutsche Welle, tem um interessante artigo sobre como melhorar seu sistema imunológico para enfrentar o vírus: https://www.dw.com/pt-br/como-fortalecer-o-sistema-imunológico-durante-o-isolamento/a-53007971

Se quiser saber como anda o vírus pelo mundo, acesse o portal do Hospital Johns Hopkins, nos EUA, é bem completo, atualiza mais rápido que o da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro mapa mundial sobre a pandemia é o Worldometers.

No RS, a Secretaria de Saúde divulga a situação do estado em um mapa.

Por fim, lembre-se que todos os dias, o sol nasce para todos.

Arroz – Um poema coreano

3 de março de 2020 3 comentários

Fig. 1 – Arroz (밥 - Bap), de Yang-hee Chun, poema em língua coreana. Fonte: Blog Last-minute Girl [1]

Fig. 1 – Arroz (밥 – Bap), de Yang-hee Chun, poema em língua coreana. Fonte: Blog Last-minute Girl [1]

Arroz – por Yang-hee Chun

Para você que come muito arroz porque está sozinho

Para você que dorme muito porque está entediado

Para você que chora muito porque está triste

Eu escrevi isso.

Mastigue seus sentimentos que estão encurralados

Como você mastigaria arroz

Afinal, a vida é algo que você precisa digerir

O singelo poema “Arroz” (– Bap, em coreano) sintetiza perfeitamente uma boa forma de encarar a vida. O arroz é um alimento sagrado para os orientais, eles o comem em todas as refeições diárias, inclusive no café da manhã. Antigamente, era usado até como dinheiro.

Esse poema aparece nas cenas finais da primeira temporada da série da Netflix “Vamos Comer” (Let’s Eat), dirigida pelo coreano Joon-hwa Park. Curti muito a série e o poema a encerrou com chave de ouro. Assim, foi praticamente uma obrigação saber mais sobre ele e quem o escreveu.

A poetisa sul-coreana Yang-hee Chun (천양희), segundo a Wikipedia [2], nasceu em Busan em 12 de janeiro de 1942, filha mais nova de sete. Cresceu influenciada por seu pai e seu avô, estreou seus poemas em 1965 e parou de escrever de 1969 a 1982, devido ao casamento. Divorciou-se e voltou à ativa em 1983, não sem antes passar pela tuberculose e por problemas cardíacos. Já recebeu vários prêmios literários em seu país, é uma das raras pessoas que alcançou o reconhecimento público na juventude e voltou a ser premiada aos 40 anos de idade.

O site da Biblioteca Digital de Literatura Coreana – LTI Korea [3], mostra uma foto dela, uma entrevista (em coreano…) e as formas de escrever o nome, onde podemos perceber que, dependendo da transliteração, a grafia pode ser ligeiramente diferente.

O poema “Arroz”, traduzido acima, é uma amostra do que essa poetisa consegue criar. Seus textos falam da solidão, das dores e decepções que encontramos ao longo da vida e sugere meios de enfrentá-las. Alguns trabalhos seus foram traduzidos para o inglês e o japonês, mas nada ainda para nossa língua. Agradeço muito ao diretor Joon-hwa Park, que nos brindou com esta pérola.

Fig. 2 – Let’s Eat, primeira temporada na Netflix. Fonte: Blog Vamos Falar Disso [4].

Fig. 2 – Let’s Eat, primeira temporada na Netflix. Fonte: Blog Vamos Falar Disso [4].

Let’s Eat já está na terceira temporada, apesar de ainda só aparecerem duas na Netflix. A série é uma comédia romântica, com um toque de gourmet – essa palavra da moda. Todo episódio mostra os atores saboreando uma ou mais refeições, das mais diversas origens, com dicas interessantes sobre os pratos, para que o prazer de comer seja mais intenso. Os atores literalmente comem e bebem, não é como nas novelas brasileiras, que trocam de cena quando a pessoa vai abocanhar algo e depois só aparece com a língua empurrando a bochecha, mastigando nada…

Além das enormes diferenças culturais, fica evidente que eles comem muito bem. É hábito em vários lugares, mesmo nos mais populares, ter frutos do mar ainda vivos, que são mortos na hora de fazer o prato. E é comum as mesas disporem de uma grelha, onde os próprios clientes colocam as porções para assar. Os melhores restaurantes têm um coletor de fumaça para cada mesa. Nota-se que eles estão acostumados à comida fresca, mais nutritiva e saborosa.

Eles não se importam de chupar o lámen com barulho, entornar direto o caldo do prato, ou ficar rolando algum pedaço de comida quente pela boca. A etiqueta, o requinte e a pompa à mesa só servem para aqueles que podem levar 2 horas em cada refeição. O nosso tempo é cada vez mais escasso, precisamos nos ater ao que é importante: saborear bem a comida!

Por conta desta série, tenho sentado mais calmo à mesa, sem atropelos. Presto mais atenção ao gosto de cada garfada. A sensação tem sido muito agradável, diria até de descoberta de sabores que não percebia antes. Mastigo mais e tenho estado mais tranquilo, também.

Em restaurantes, eu comia um tanto rapidamente, apesar de algumas vezes ter visto pessoas servirem-se à minha frente no buffet e irem embora enquanto eu sentava…

Seria interessante que nós, brasileiros, não fôssemos tão vorazes, ansiosos e apressados à mesa, porque isso só nos trará problemas no futuro.

Concordo que a vida é uma correria, mas se aproveitarmos com mais atenção aqueles momentos das refeições (sem olhar o celular, né), muito estresse poderia ser evitado. Isso vale também para aqueles, como eu, que levam marmita para almoçar no trabalho. Pesquisas preveem que o Brasil será o país mais obeso do mundo daqui a 10 anos [5] – estamos em 2020. Imagine, o país mais desigual do mundo também poderá ser o campeão de obesidade!

Voltando ao poema, ele diz que temos que digerir a vida. Não precisa explicar mais nada. Isso é uma das coisas que tenho gostado de ver nos seriados que vem do leste: em cada episódio eu sempre aprendo algo de positivo e interessante.

E o que você tira de bom de uma novela brasileira? Não é só intrigas, ciúmes, brigas, forçação de barra, sexo, soberba, palhaçadas, canalhices e hipocrisia? Sem falar dos estereótipos e da violência. Se queremos um futuro melhor, temos que olhar para coisas boas, desejáveis, que nos façam pensar e comparar com a vida que temos. Porque aqueles seriados coreanos, japoneses, chineses e europeus, contam estórias agradáveis, têm humor na medida certa e sem baixarias, apresentam relações humanas baseadas na franqueza e mostram lugares tranquilos para morar, passear à noite ou conversar calmamente. Aqui, vivemos no sobressalto, a todo momento temos que aguentar um vizinho barulhento na madrugada, um tiro ou um rojão, a sirene de uma ambulância ou da polícia, ou ainda o escapamento aberto de um carro ou moto…

Fig. 3 – Kaoru Kobayashi, o “Mestre” da série Jantar da Meia-noite (Midnight Dinner). Fonte: Peach no Japão [6].

Fig. 3 – Kaoru Kobayashi, o “Mestre” da série Jantar da Meia-noite (Midnight Dinner). Fonte: Peach no Japão [6].

Para completar este texto sobre vida e comida, lembro que a Netflix trouxe do Japão a elogiadíssima série “Jantar da meia noite” (Midnight Dinner), já com duas temporadas – está saindo a terceira -, em que um pequeno restaurante em Tóquio abre à meia-noite e fecha às sete da manhã. O “mestre” faz o prato que o cliente pedir, se tiver os ingredientes. Cada episódio é curto, dura cerca de 20 minutos e conta uma estória envolvendo um prato preferido de alguém. É extremamente agradável de assistir, foi feito com muito cuidado: se você observar, perceberá que a abertura de cada episódio é ligeiramente diferente da anterior. Também há dicas sobre o preparo dos pratos, às vezes tão simples como uma salsicha empanada. E não sou só eu que falo bem [6][7].

Pense o seguinte: adianta você viver apressado e aflito, cheio de preocupações e traumas, enquanto a vida está passando? Saborear a comida é o que nos devolve aos eixos – desde que você deixe a gula de lado. Agradeça aos céus por ter recebido a refeição e aprecie o momento…

Nota Final

Uma curiosidade sobre o nome dos coreanos: ele é composto por duas partes, ao passo que o sobrenome é um só. Sempre. Assim, um nome como o da excelente cantora Youn-sun Nah, pode ser explicado como o nome (Youn-sun) e o sobrenome ou nome da família (Nah). E quando escrevem, fazem como os americanos: geralmente o sobrenome vem primeiro (Nah Youn Sun). Procure pela Youn-sun Nah no Youtube, a música “My Favorite Things” [8] é uma amostra do que ela faz com a voz. O site da cantora é https://www.younsunnah.com/

Referências

[1] Last-minute Girl – Rice Poem (Chun Yang Hee) – Hangul and translation – Let’s eat – http://last-minute-girl.blogspot.com/2014/09/rice-poem-chun-yang-hee-hangul-and.html

[2] Wikipedia – Cheon Yang-hee https://en.wikipedia.org/wiki/Cheon_Yang-hee

[3] Digital Library of Korean Literature – Chun Yang Heehttps://library.ltikorea.or.kr/node/31514

[4] Blog Vamos Falar Disso – Crítica – Let’s Eathttp://vamosfalardisso.com.br/critica-lets-eat/

[5] BBC – 2015 – Brasil pode ser o pais mais obeso do mundo em 15 anos – https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150826_obesidade_infantil_mdb

[6] Peach no Japão – Piti Koshimura – Curiosidades sobre a série Midnight Dinner – Tokyo Stories – https://peachnojapao.com/cultura/cinema/curiosidades-sobre-a-serie-midnight-diner-tokyo-stories/

[7] Nerd Cult – Conheça Shinya Shokudo, O Jantar da Meia-noite – https://www.nerdcult.com.br/2017/02/conheca-shinya-shokudo-o-jantar-da-meia.html

[8] Youtube – Youn-sun Nah – My Favorite Thingshttps://youtu.be/v3q6L8ONqCI

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Como resolver qualquer problema

26 de agosto de 2019 12 comentários

Esquema para resolver qualquer problema

Este esquema é muito famoso na Itália (procure por “Schema per la soluzione di ogni problema”) e encaixa em qualquer profissão ou assunto. Quantas vezes presenciamos alguém inescrupuloso dizer:

– Não fui eu, foi ele…

Observe que será mera coincidência qualquer semelhança com os dias atuais, nos quais o espalhamento de mentiras tornou-se corriqueiro e é feito por quem devia dar o exemplo (seja juiz, policial, doutor, jornalista ou político).

Se você quiser continuar a brincadeira, poderá editar ou traduzir o fluxograma, esteja à vontade, baixe DAQUI o original em formato .odg (compactado em formato zip).

TÉCNICA – Conserto e funcionamento de raquete mata-mosquitos

19 de agosto de 2019 32 comentários
Fig. 1 – Raquete eletrônica, que mata mosquitos por eletrocução (Obs.: esta é uma fotomontagem, os mosquitos são eletrocutados somente quando se aproximam ou encostam na malha interna da raquete, não tenha medo dela...).

Fig. 1 – Raquete eletrônica, que mata mosquitos por eletrocução (Obs.: esta é uma fotomontagem, os mosquitos são eletrocutados somente quando se aproximam ou encostam na malha interna da raquete, não tenha medo dela…).

Parece uma perda de tempo consertar um aparelho tão barato quanto uma raquete eletrônica mata-mosquitos (fig. 1), se considerarmos somente o valor de compra. Mas, se você quiser saber como funciona…

Dentro da raquete há um interessante circuito gerador de alta tensão, que vale a pena conhecer. Saber como trabalha um circuito tão simples, ajuda na prática a entender o comportamento de cada componente do circuito, além de desmistificar um pouco os indutores e o mundo da alta tensão. Podemos inclusive compreender o funcionamento de circuitos semelhantes, como os “ladrões de joule” (joule thief), que conseguem ligar LEDs com uma pilha gasta.

O texto mostra o que são as pilhas de ions de lítio, os cuidados e os perigos, e como uma delas foi adaptada na raquete, com um circuito de proteção, para carregar por cabo USB. Também falamos sobre alguns modelos de mata-mosquitos eletrônicos, para uso fixo, muito interessantes para pessoas idosas.

Leia mais…