Dicas para votar em 2016

23 de setembro de 2016 4 comentários
Foto de verbetes do Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 1ª edição, 2001, Editora Objetiva

Foto de verbetes do Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 1ª edição, 2001, Editora Objetiva

Precisamos escolher candidatos, se não bons, no mínimo razoáveis ou pouco ruins. Também quero dar meus pitacos sobre as eleições municipais de 2016, porque é agora o momento de escolhermos a cidade que queremos. Seja qual for a sua cidade.

Antes, um alerta: no texto, quando me refiro a candidato no masculino, estou falando de uma pessoa de qualquer sexo, cor, raça, religião ou qualquer outra característica individual. Porque a leitura deste texto não progride, se eu tiver de esclarecer o gênero – (o) (a) – a todo momento.

Vamos começar pelo mais importante:

O momento do voto

Ao entrar na cabine de votação, esteja com os números dos candidatos à mão ou na cabeça. Não tente ser o mais rápido de todos, vá no seu ritmo. Valorize este momento, você está decidindo o futuro de sua cidade, não está segurando uma batata quente. SENTE-SE (se não tiver uma cadeira, exija, pois haverá gente que precisará dela). Ao sentar e olhar para a máquina de votação, concentre-se, preste atenção a cada número que for digitando e aguarde a foto aparecer, para ver se é mesmo quem deseja. Só então, só então, aperte o Confirma. Repita, com mesmo cuidado, os números do próximo candidato.

O que não pode é, logo depois de votar, não lembrar exatamente do que fez, nem em quem votou, como se tivesse saído de um transe hipnótico.

E fique com a colinha e o material de campanha do vencedor, para cobrar as promessas nas próximas eleições. Inclusive, podem ser guardados (no computador ou em papel) recortes sobre acontecimentos políticos importantes, para ir formando uma espécie de dossiê acerca de determinados candidatos. Uma pasta para ser revisada a cada eleição e sempre que a memória falhar.

Identificando candidatos

Conhece algum candidato? Aprova, ou pelo menos tolera as atitudes dele? Já conversou com ele, olho no olho e mediu sua sinceridade? Ou percebeu que ele tem uma máscara?

Conhece alguém que gosta de política e não é candidato? Puxe uma conversa com esta pessoa e compare suas opiniões com as dela. Poderá descobrir coisas interessantes. Mas evite questões pessoais.

Recolha o material de propaganda que lhe derem e cuide quem são os candidatos, ao redor de sua rua, de seu bairro, no trajeto para o trabalho. Quanto mais propaganda um candidato tiver, mais dinheiro ele investiu na campanha. Já é um indício de apoio financeiro graúdo.

O fato de alguém gastar mais dinheiro na campanha do que todo o salário que irá receber enquanto eleito, é extremamente suspeito. Observe quanto o candidato disse que gastou para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A página do TSE, Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (link AQUI) é extremamente bem montada e vale a pena visitar, sabe-se toda a movimentação financeira do candidato – o que ele declarou, ao menos -, quais as pessoas e partidos que o ajudaram e se houve alguma grande doação. Assim, poderá formar uma ideia do grupo de apoiadores (quem ajuda quem).

Evite candidatos envolvidos com imobiliárias, com grandes empresas ou com imensas propriedades, pois eles tentarão determinar os rumos para onde a cidade irá crescer, não necessariamente em benefício da comunidade.

O candidato que não promete nada também é perigoso, pois das duas, uma: ou ele não tem projeto nenhum e conduzirá o barco sem rumo, conforme os ventos apontarem; ou ele tem um projeto que não pode ser divulgado, pois prejudica a população e não passará se os eleitores souberem.

O candidato sabe falar bem (é articulado), ao menos é possível compreender o que quer dizer? Ou ele é uma múmia, que balbucia as suas falas decoradas, ao vivo ou na TV? Candidatos que não conseguem falar nada, também não pensam por si, são fantoches colocados para servir a alguém poderoso, que ditará suas ações. Quem gosta de política fala de improviso, facilmente, tenha plateia ou não.

As ações

Jamais conforme-se com opiniões do tipo “é assim mesmo”, “sempre foi deste jeito”, “nunca vai dar certo”, “não melhora nunca”. Eleição é para mudar. Ou para continuar o que está bom. Pense por si mesmo. Avalie com cuidado o que você quer que mude e o que quer que continue.

Políticos, que por causa de suas ações nos deixam tristes e desanimados, que não nos valorizam e nem nos deixam orgulhosos por morar onde moramos, devem ser apeados do poder.

Muito importante: o candidato que faz uso do recurso ad hominem (contra o homem) deve ser evitado. É aquele que prefere ofender os adversários em vez de confrontar as propostas de trabalho. Ao tentar atrair a atenção para assuntos que não tratam de política, ele está disfarçando suas reais intenções.

Não dê bola a boatos ou àqueles textos acusadores de véspera, que além de não dar tempo de serem respondidos, focam em questões pessoais e não em ações políticas. Um político tem de ser julgado por suas obras e atos públicos, não pela sua vida privada, muito menos por denúncias sem comprovação.

Assuntos pessoais não servem de parâmetro para eleger alguém, pois a pessoa pode ter uma família desestruturada, ser rude e grosseira, mas ser trabalhadora, honesta e altruísta. As aparências enganam, especialmente em eleições. Deve-se procurar conhecer o histórico de vida do candidato, como ele entrou para a política e de que projetos participou. Ninguém se transforma em santo de uma hora para outra, nem tampouco vira bandido num estalo.

Por coerência, se você é contrário ao golpe que trocou a presidenta legitimamente eleita (ver foto do artigo), deveria evitar de votar em candidatos que apoiaram esta manobra. Porque o candidato é a extensão do seu braço e de seu pensamento, ele não pode fazer o que você não quer.

Do mesmo modo, se você foi e ainda é favorável ao golpe, deveria votar naqueles que ajudaram a consumá-lo. Democracia obriga a respeitar as escolhas dos outros e exigir que respeitem as suas. Se em Brasília temos uma democracia ou não, é outra história.

Algum candidato ofereceu alguma espécie de recompensa para que vote nele? Desconfie, o dinheiro que agora ele gasta consigo, para lhe presentear ranchos ou sacos de cimento, depois pegará de volta em dobro. É dinheiro que faltará em escolas, creches, calçamentos, iluminação, etc., etc..

O prefeito atual começou, há poucos meses, grandes obras de asfaltamento da cidade? Foram trocadas todas as canalizações existentes, antes da cobertura? Ou aplicaram diretamente uma casquinha de piche e brita? A segunda opção deixará estas ruas, em poucos anos, com frequentes buracos e desníveis, devido às necessárias obras de manutenção. É asfalto só para eleição.

Muitos candidatos, especialmente a vereador, fazem confusão entre as ações que beneficiam a cidade como um todo, e as que ajudam apenas uma fração dela. O fato de você ter um cachorro ou gato em casa não deve servir de parâmetro para votar em candidatos que “farão tudo em defesa dos animais”. Antes de pensar em animais de estimação, há problemas muito mais graves e urgentes a resolver, como as condições de vida nas periferias. Lá vivem pessoas que dão muito duro e têm direito de viver dignamente. Evite o egoísmo, pense coletivamente.

A Câmara de Vereadores é um local onde se deve debater e legislar para o desenvolvimento da cidade, sempre de olho no bem-estar de toda a comunidade. Não é para ficar discutindo assuntos minúsculos, que dizem mais respeito à vida privada. Depois de minimizados os grandes problemas do município, pode-se abordar desafios menores.

Cuide como está o bairro onde mora. Há água encanada, tratamento de esgoto (ou pelo menos canalização de esgoto pluvial), calçamento, iluminação, calçadas? Se não há, é necessário cobrar dos políticos um mínimo de qualidade de vida. Você também deve fazer a sua parte, como não entupir as ruas de lixo, nem praticar algo errado porque “todos fazem”. Se o exemplo não vem de cima, seja você o exemplo.

Cuide se algum candidato fala em:

– urbanizar as áreas mais pobres (casas, calçamento, água e luz);

– aumentar o tratamento de esgoto (inexistente na maioria das cidades brasileiras);

– cobrar a melhoria das calçadas (intransitáveis na maioria das cidades brasileiras);

– cobrar mais iluminação pública;

– apoiar e ampliar o transporte público (em vez de beneficiar o trânsito de automóveis).

Observe que certas ações poderão ter um efeito reverso individualmente, mas beneficiarão toda a comunidade. Como o tratamento de esgoto, que aumenta substancialmente a conta de água. Mas que torna os córregos mais limpos, evita o mau cheiro e melhora a saúde da população em geral.

Também poderemos ser cobrados por não arrumar nossa calçada. Mas quando caminharmos por elas, não atolaremos os pés no barro, não tropeçaremos em degraus, nem teremos que correr risco de vida ao disputar a rua com os automóveis.

Afinal, a vida em comunidade é isso, todos dividem as despesas para poder usufruir dos benefícios da convivência mútua. Dá para perceber que o futuro da cidade é algo que construímos diariamente.

Falando nisso, algum candidato cogita em projetar a cidade para as próximas décadas? Porque o caótico crescimento urbano no Brasil é resultado da total falta de planejamento de longo prazo. E do tradicional e irracional costume de cada novo gestor em parar, atrasar ou derrubar tudo o que o anterior fez, mesmo que tenha sido bom.

Agora é o momento de raciocinar e escolher calmamente aqueles que nos representarão, evitando os apelos para que votemos com emoção.

Há muito mais coisas a observar, mas o texto já tá ficando chato e cada um sabe onde sua cidade pode melhorar.

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FILAMENTO LED – Conheça e compare – Parte 2

28 de agosto de 2016 1 comentário
Figura 57 – Lâmpada de filamento LED de 6W, de origem chinesa, bivolt, não dimerizável, sem pescoço, cor branca fria (6500K), com filamentos LED de base cerâmica. No detalhe, a lâmpada ligada.

Figura 57 – Lâmpada de filamento LED de 6W, de origem chinesa, bivolt, não dimerizável, sem pescoço, cor branca fria (6500K), com filamentos LED de base cerâmica. No detalhe, a lâmpada ligada.

Na primeira parte do artigo sobre as lâmpadas de filamento LED, tratamos dos requisitos de qualidade que precisam ser observados para distingui-las, dos componentes que formam um filamento LED, do problema da geração de calor nos LEDs, do efeito LED droop, da criação das lâmpadas e das tentativas LED de imitação das incandescentes.

Nesta segunda parte, abordaremos o modo de montagem, a origem, os fabricantes, os modelos e a popularização das lâmpadas de filamentos LED, a certificação obrigatória das lâmpadas LED no Brasil, a briga pelas patentes das tecnologias LED, o banimento das lâmpadas incandescentes, os programas de eficiência energética no Brasil e no mundo, a história do cartel Phoebus, a obsolescência programada e a história da escola de arte Bauhaus (que parece não ter nada a ver com nosso assunto, mas tem).

E o baile não termina desta vez, continua na terceira parte…

Leia mais…

Pré-sal: a ponta do iceberg do petróleo brasileiro

23 de maio de 2016 8 comentários

Figura 1 – Semelhanças entre os continentes africano e sul-americano. Fonte: The Africa Report [1].

Figura 1 – Semelhanças entre os continentes africano e sul-americano. Fonte: The Africa Report [1].

Observe o mapa conjugado do Brasil e África (figura 1). Estas regiões são geologicamente semelhantes.

O território de Angola, por exemplo, na região da bacia Benguela, é equivalente à região de Santos, pois faziam parte da mesma área, quando havia um só continente em todo o planeta (Gondwana). Lá, como cá, são grandes áreas de exploração de petróleo.

Existe petróleo por toda a costa oeste africana, desde a África do Sul até Marrocos, pelo menos. Até a Petrobras achou – e explora – reservas do pré-sal por lá (figura 2).

Figura 2 – Concessões petrolíferas em Angola. Fonte: Sonangol [2].

Figura 2 – Concessões petrolíferas em Angola. As jazidas em destaque tem participação da Petrobras.  Clique para ampliar. Fonte: Sonangol [2].

 Figura 3 – Bacias petrolíferas brasileiras. Fonte: Petrobras [3].


Figura 3 – Bacias petrolíferas brasileiras. Fonte: Petrobras [3].

E aqui? Recentemente descoberta (e pouco falada), a Margem Equatorial, na foz do rio Amazonas, tem petróleo e gás, no pré e no pós-sal. E também tem na Bacia de Pelotas, e na Bacia Potiguar, etc.. Um mar de petróleo (figura 3).

Se as reservas provadas já são um bilhete premiado, imagine o resto, ainda não descoberto.

O pré-sal custa, hoje, 8 dólares o barril para a Petrobras. Este é o custo. E quanto vale cada barril? Por baixo, digamos 30 dólares (já foi mais de 100, há poucos anos).

Então, brotam do chão, todo o dia, U$80 milhões de dólares (segundo a produção diária de 2,7 milhões de barris e usando o custo mais alto, do pré-sal).

Que resultam em U$21 bilhões por ano, já descontando o custo de cada barril.

Em reais, isto dá R$82 BILHÕES por ano. Fora os recursos oriundos das outras áreas, como os fertilizantes e as refinarias.

Isto indica alguma falta de dinheiro no caixa da Petrobras, ou impossibilidade de pagar as contas, ainda mais sabendo que a produção está aumentando? Se as multinacionais já podem participar em até 70% de cada poço do pré-sal, porque a Petrobras tem que ceder mais? Porque ela não pode ter nem os 30% e determinar como extrair?

Precisamos extrair tudo de uma só vez? Se são reservas, RESERVAS, temos que usá-las com parcimônia, afinal, um dia acabam. A Noruega fez isso, decidiu que usaria o petróleo para beneficiar o povo e dos 20 bilhões de barris que eles descobriram, ainda restam 8. Em 40 anos, saíram da pobreza para tornarem-se o país com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo.

Aqui, a mina de ferro e ouro de Carajás, tinha reservas estimadas para durar 400 anos, na década de 1990. Depois que a concessionária da mina (Vale do Rio Doce) foi privatizada, estima-se que Carajás dure apenas 40 anos. Pergunte a qualquer construtor: depois de aumentarem 10 vezes o ritmo de exploração das minas, o ferro barateou no Brasil?

Voltaram com a ladainha de entregar tudo, afinal “os estrangeiros são melhores nisso…”

Estudos estimam que as reservas brasileiras de petróleo são pelo menos 9 vezes maiores que as da Noruega.

Nós nem sabemos quanto temos, de tanto que temos…

Aliás, vamos esclarecer a diferença entre concessão e partilha:

Concessão – a concessionária fica com tudo, é dona da área de exploração, determina como será explorada, inclusive contabiliza estas reservas como patrimônio.  As jazidas sob concessão seguem junto se a empresa for vendida.

Partilha – a União fica com a propriedade da área, assim nem a operadora principal (Petrobras), nem as empresas parceiras podem contabilizar como patrimônio as reservas. Com a exclusividade, a Petrobras (o governo) determina em que velocidade será feita a exploração e o Governo Federal mantém a posse das jazidas.

Se o problema é a corrupção, a saída é abrir as pernas aos estrangeiros? Ou melhorar nossos métodos de fiscalização e punição?

Nem a Noruega escapou de uma série de escândalos com a Stat Oil. E a Stat Oil (ESTATAL), quer explorar nosso pré-sal também. Porque eles podem ter uma estatal com negócios por todo mundo e nós não?

Figura 4 – Capa da revista Isto É, de abril de 1992.

Figura 4 – Capa da revista Isto É, de abril de 1992.

O que não pode é sempre aparecer a mesma conversa, depois de algum tempo. Olhe esta capa da IstoÉ, de abril de 1992, quando o Collor estava sob ataque cerrado da mídia (figura 4), logo antes do impeachment.  Curiosamente, o envolvido no escândalo de 1992 é Pedro Paulo Leoni Ramos, que também aparece na Operação Lava Jato.  E é só um, das dezenas de outros…

Nada mudou, não se iluda.  Posicione-se.

Seguem alguns dados, talvez estonteantes:

De 2003 para cá, nos 13 anos do governo agora deposto, a Petrobras saiu de 30 mil funcionários para 85 mil, os investimentos passaram de 5 bilhões de dólares para US$48 bilhões e a participação da Petrobras no PIB pulou de 3% para 13%.

A Petrobras valia, em 2003, 20 bilhões de dólares, hoje vale US$120 bilhões. Mas antes da desvalorização, chegou a valer 320 bilhões de dólares.

Tem mais: em 2008, 73% das reservas provadas de petróleo mundiais, eram dominadas por empresas ESTATAIS (em 1970, as estatais controlavam 1%).

O controle nacional das reservas de petróleo permite, como pontos fundamentais: ditar o ritmo de exploração das reservas e de comercialização do óleo; gerar e obter informações detalhadas e confiáveis das jazidas; desenvolver tecnologia própria; instalar políticas de conteúdo nacional; influenciar os preços no mercado interno (hoje, está mais caro andar de ônibus intermunicipal do que duas pessoas fazer o mesmo trajeto de carro).

Um último ponto: a frota brasileira de veículos levará muitos anos para passar para motores elétricos, o consumo de petróleo irá sustentar-se muito tempo, até porque além da gasolina há outros subprodutos importantes (querosene de aviação, diesel, nafta para a produção de plásticos, tintas e borrachas, etc).

[1] The Africa Report – Angola-brazilian connection could mean higher productionhttp://www.theafricareport.com/Southern-Africa/angola-brazilian-connection-could-mean-higher-production.html

[2] Sonangol – Angola – Concessões – http://angola-luanda-pitigrili.com/who%E2%80%99s-who/s/sonangolhttp://www.sonangol.co.ao/Portugu%C3%AAs/%C3%81reasDeAtividade/Concession%C3%A1ria/Documents/GAD201501-DMC0001-P-A.pdf

[3] Petrobras – Bacias – http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/bacias/

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A chave do cofre

16 de abril de 2016 Deixe um comentário

Mafalda e o governo

Colocaram a culpa de tudo em um só partido, que é o único nascido das camadas mais pobres da população, que justamente por isto sempre defendeu e apoiou os mais fracos, contra as oligarquias. Um partido que não foi formado por conchavos de empresários.

Forjaram no Congresso um processo lotado de ilegalidades, com o único intento de apear do poder uma presidente eleita pela população. Porque mesmo “fazendo parte” do governo, os golpistas não tinham a chave do cofre.

E agora terão.

Se deixarmos.

A lista de apoiadores do impeachment é uma extensa folha corrida. Se eles já são beneficiários de esquemas de corrupção, porque fariam diferente num novo governo? http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2016/03/a-inacreditavel-ficha-corrida-do-impeachment-1383.html

E estão tão assanhados que, se não for através do impeachment, já têm na manga outras opções para tomar o poder: eleições gerais ainda neste ano; implantação do parlamentarismo; redução dos poderes da presidência; intervenção do STF, cassando a presidente e o vice.

palavras-charge

Nesta longa campanha difamatória, cegaram a tal ponto boa parte da população brasileira, que o real perigo está passando em brancas nuvens.

Por exemplo, a possibilidade de um réu da Lava-Jato, com processo correndo no STF (por unanimidade), dentre vários outros, poder vir a exercer o cargo de vice ou até de presidente do Brasil! Um cara que entrou na política, apadrinhado por PC Farias. E cuja trajetória política é acompanhada de uma série de denúncias de irregularidades, até falsificação de documentos. Denúncias recentes o ligam a desvios de mais de 50 milhões de reais. E falam em COMBATE À CORRUPÇÃO?

Assim que esta “tchurma” tomar o poder, saberemos o que é que estavam armando contra o povo.

Várias ações serão lançadas a partir do novo “governo”, provavelmente durante as Olimpíadas 2016 ou até imediatamente, aproveitando a euforia inicial (que cega e distrai também).  Dentre uma imensidade de maldades que estão por vir, trago algumas:

A operação Lava-Jato será encerrada rapidamente, para evitar desdobramentos maiores, pois já está atingindo os oligarcas e boa parte dos apoiadores do golpe. Será punido apenas o partido da presidente e algumas pessoas para servir de exemplo, daí fecharão a porteira. Vale lembrar que a lei anti-corrupção foi proposta pelo partido da presidente e que nas listas de Furnas, Odebrecht e Panamá-papers, não aparece nenhum beneficiário do partido da presidente.

– Perdão de dívidas de impostos para empresas. O famoso REFIS estará de volta. É uma das razões da queda da arrecadação federal, pois parte dos empresários, apostando na queda do governo, não pagam mais seus impostos, de olho no benefício do perdão. Grandes empresários do estado mais rico do país, junto com a grande mídia, todos envolvidos em sonegação, comandam estas ações.

– Elevação dos juros bancários (que já são os mais altos do mundo). Isto fará sumir o dinheiro de nossos bolsos e beneficiará aqueles que podem aplicar no mercado financeiro. Ou seja, CARESTIA para a maioria da população e alta renda para quem só aplica seu dinheiro em bancos, nunca na produção. E crescimento da dívida externa, obrigando o Brasil a voltar de joelhos para o FMI.

– Redução do poder de compra dos salários, colocando a culpa, obviamente, no governo anterior. Quebrarão a CLT e o desemprego voltará a aumentar, para possibilitar esta redução de salários.

– O Bolsa Família, o Pronatec, o Prouni, o Brasil Sorridente, o Minha Casa, Minha Vida, tantos programas de ascensão social dos mais pobres, serão cuidadosamente desligados, um após o outro.

– Devido ao aumento dos juros, as mensalidades das prestações da casa própria subirão demais, o que causará uma onda de execuções hipotecárias. O FIES ficará impagável.

– As reparações da tragédia de Mariana ficarão definitivamente no papel.

– As operações da Polícia Federal e da Receita Federal terão seu alcance drasticamente reduzido, limitando-se a pequenos delitos.

– Seguindo o mesmo caminho, as atuações do Judiciário e do Ministério Público sofrerão limitações importantes.

– E os protestos serão abafados a ferro e fogo.

– Usando como desculpa a crise, dirão que será necessário vender empresas como Petrobrás, BB e Eletrobrás, para fazer caixa. E entregarão o Pré-Sal de bandeja. E começará uma era de desastres ambientais.

– A concentração de renda dobrará em poucos anos.

– E isto será só o começo.

Porque tudo isso, nada mais é do que a volta ao poder da velha e conhecida oligarquia, aquela dos escravocratas, grandes proprietários de terras e da parte podre do empresariado, todos sempre ávidos por dinheiro. Que não conseguem ficar muito tempo longe do poder. Antinacionais, preconceituosos, exploradores e muito, muito menos, nem é bom falar.

Para eles, não importa que o país vá à bancarrota, desde que estejam com as malas cheias de dinheiro e que voltem a viajar tranquilos e sossegados nos aviões, sem os incômodos e barulhentos brasileiros da classe média.

Se deixarmos.

Mafalda e a democracia representativa

Anencefalia - Política

O cacarejar da galinha

20 de março de 2016 Deixe um comentário

Figura 1 – Cartum gentilmente cedido pelo cartunista LAZ MUNIZ. Fonte: Brazil Cartoon [1].

Figura 1 – Cartum gentilmente cedido pelo cartunista LAZ MUNIZ. Fonte: Brazil Cartoon [1].

Tenho visto, com certa aflição, os acontecimentos dos últimos dias e percebo que a radicalização agora é a regra. Uma parcela da sociedade não se conforma com a presidente atual.

E querem ver o ex-presidente, do mesmo partido, na cadeia. Os valores envolvidos nos delitos são risíveis, perto de um banco pego na Zelotes, por exemplo, que deve 4 bilhões de reais em impostos. Quem deu mais prejuízo? Isto não serve como juízo de valor? Qual processo importa mais?

Querem porque querem, como crianças mimadas. E estão surdos, não ousam escutar qualquer palavra da outra parcela da sociedade, que votou na atual presidente e espera o cumprimento da lei.

Numa época em que o bullying é execrado em todo lugar, justamente é o que mais fazem contra os últimos dois presidentes. Jamais presenciei tamanho assanhamento, onde se comprazem em falar de alguém que não conhecem, através de adjetivos ofensivos. Tem vídeos onde pessoas de aparência angelical chegam a babar de ódio, gritando, vociferando, com os olhos esbugalhados. Experimente falar para qualquer estrangeiro, mal, do presidente de seu país. Aqui, pode.

Com o partido da presidente é a mesma coisa, mas isto não é novidade, pois batem nele desde que o fundaram. As agressões destilam a intolerância contra quem pensa diferente. Boatos, sempre existiram, como aquele de 1989, que assustou muita gente, quando se dizia que colocariam um bando de pobres para morar com cada família, se ganhassem a presidência. E quando chegaram lá, assistimos ao maior plano habitacional desde o descobrimento.

O pior é que agridem os eleitores, pois tentam passar a ideia de que estes são burros, ignorantes e não pensam por si. De forma totalmente prepotente, abusam de “entrevistas”, onde humilham e zombam da gente simples, que não tem a capacidade de conversação dos articulistas. E consideram-se representantes da “opinião pública”. Na verdade, é a opinião que se publica (obrigado, Barão de Itararé).

Quem um dia sentiu a barriga roncar de fome, sabe o que é dificuldade. Quem sempre foi acostumado a dar ordens e nunca recebeu um não, não consegue compreender a humildade e entra em pânico ao passar por um bairro pobre.

E os meios de comunicação, que há anos quebraram duas regras básicas do jornalismo: a de sempre ouvir todos os lados e a de nunca misturar fatos com opiniões. Exibem-se sempre como imparciais, mas está evidente que eles têm lado. E não é o dos pobres e remediados, muito menos o do Brasil.

Uma mídia de poucos donos, que só fala em patriotismo em época de Copa, Fórmula 1 e quando há algum projeto que atenda a seus interesses (como foi na época das privatizações e nos dois impeachment, o de Collor e o de agora).

Uma mídia que não cultua nosso país, como os meios de comunicação americanos o fazem, muitas vezes com ufanismo. Uma mídia que sempre martela que o bom vem de fora.

Nunca vi uma programação especial para os feriados nacionais. Se eles caem no meio da semana, tudo corre como se fosse outro dia qualquer. Taí um dos motivos pelos quais não vemos quase ninguém nos desfiles de 7 de setembro, as homenagens são escassas em outras datas cívicas e o Natal e a Páscoa perdem cada vez mais sua importância religiosa e tornam-se épocas de consumo.

Alguém ainda pendura a bandeira brasileira num mastro, em frente à sua casa, todos os dias, coisa que era comum nos anos 1950-1960? Nem mesmo os prédios públicos a hasteiam atualmente. Muitos cidadãos americanos ainda o fazem, com o maior orgulho.

Quantos brasileiros ainda montam o presépio, debaixo da árvore de Natal?

Além da desconsideração para com nosso país, estes meios de comunicação omitem muita coisa.

Omitem que um juiz ganha 80 mil reais por mês, ou mais, com os penduricalhos. Quantia que um assalariado leva 10 anos para somar. Esquecem que os membros da Corte têm 2 meses de férias, sem contar a folga do final de ano. E não consideram indecentes o auxílio moradia e auxílio educação para magistrados.

Esquecem que juízes criminosos são somente aposentados e continuam com seu salário.

Omitem que um deputado ou senador aposenta-se com 8 anos de mandato. No caso do senador, é um mandato só e a pessoa não precisa mais trabalhar. Sem falar no salário, também absurdo. Mas os políticos podem ser destituídos.

Omitem a construção do cargueiro Embraer KC-390, o maior jato da América Latina, construído em parceria com a Argentina, Portugal e República Tcheca, que permitirá a Embraer construir aviões cada vez maiores.

Omitem o benefício que foi para 400 empresas brasileiras, que receberam financiamento do BNDES para exportarem seus serviços e produtos, para a revitalização do porto de Mariel, em Cuba. O dinheiro não foi para o exterior, ficou aqui [2] [4]. Omitem que este porto será estratégico, quando estiver concluído o novo canal entre o Pacífico e o Atlântico, na Nicarágua.

Figura 2 – Porto de Mariel I, Cuba. Fonte: Granma [4].

Figura 2 – Porto de Mariel I, Cuba. Fonte: Granma [3].

 Figura 3 – Porto de Mariel II, Cuba. Fonte: Odebrecht [4].


Figura 3 – Porto de Mariel II, Cuba. Fonte: Odebrecht [4].

Figura 4 – Porto de Mariel III, Cuba. Fonte: Odebrecht [4].

Figura 4 – Porto de Mariel III, Cuba. Fonte: Odebrecht [4].

Omitem que uma empresa como a Odebrecht emprega 168 mil trabalhadores, que estão sendo prejudicados por esta sanha de acabar com as grandes empresas nacionais, em vez de fazer um processo judicial justo e correto, com provas e testemunhos verdadeiros e que puna os envolvidos, não as empresas que negociaram com os dois últimos governos.

Omitem as dezenas de novos portos construídos no Brasil, na última década. Alguns são terminais exclusivos para carga e descarga de contêineres, como o porto de Itapoá, em Santa Catarina (fotos abaixo). Cuidem o movimento dele.

Figura 5 – Porto de Itapoá, SC, em 2014 - I.

Figura 5 – Porto de Itapoá, SC, em 2014 – I.

Figura 6 – Porto de Itapoá, SC, em 2014 - II.

Figura 6 – Porto de Itapoá, SC, em 2014 – II.

Figura 7 – Porto de Itapoá, SC, em 2014 - III.

Figura 7 – Porto de Itapoá, SC, em 2014 – III.

Omitem que, em razão desses novos portos (e de novos parceiros comerciais, em especial os do BRIC), as exportações brasileiras aumentaram mais de 500% entre 2003 e 2015 e as importações, um percentual semelhante. Omitem que as exportações geram muito menos impostos do que as importações. Omitem as melhorias nos sistemas de comércio exterior, com a eliminação dos processos em papel, para agilizar as operações. E continuam reclamando da logística e mostrando indicadores parciais [5] [6].

Omitem e desdenham a extração de petróleo do Pré-Sal, que é altamente rentável (8 dólares por barril extraído, contra 15 dólares da média mundial) e que as reservas colocarão o Brasil como o terceiro maior produtor mundial de petróleo, em 20 anos, o que influenciará o preço do barril.

Omitem que um poço do Pré-Sal é perfurado em tempo recorde, perto de 30 dias. Imagine perfurar 5 quilômetros de solo neste tempo. Omitem que só a Petrobrás o faz – sem poluição – e com índice de sucesso (quando tem petróleo) perto de 100%, muito além da média mundial de 60%.

Omitem que o Pré-Sal já responde por um terço do petróleo e gás extraídos de nossas plataformas.

Omitem que o Pré-Sal, com reservas no mínimo 9 vezes maiores que as da Noruega, poderá alavancar nossa educação a um patamar de qualidade sem precedentes. A Noruega usou suas reservas de petróleo para sair da pobreza e tornar-se hoje o país com o melhor IDH do mundo. Aliás, a Noruega adota o sistema de partilha para a extração de petróleo. No regime de partilha, a propriedade dos poços continua com o governo, ao contrário do regime de concessão.

Figura 8 – Plataforma de extração do Pré-Sal com navio-plataforma (FPSO). Fonte: Jornal GGN [7].

Figura 8 – Plataforma de extração do Pré-Sal com navio-plataforma (FPSO), com dois risers concentradores de cabos. Fonte: Jornal GGN [7].

Figura 9 – Boias (risers) para isolar a correnteza do mar das tubulações, que permite montar as tubulações sem precisar de plataforma. Fonte: COPPE UFRJ [8].

Figura 9 – Boia (riser) para isolar as ondas do mar das tubulações, que permite montar as tubulações sem precisar de plataforma. Fonte: COPPE UFRJ [8].

Figura 10 – Riser visto de perto, observar o tamanho das pessoas. Fonte: Jornal GGN [7].

Figura 10 – Risers vistos de perto, observar o tamanho das pessoas. Fonte: Jornal GGN [7].

Omitem que Collor foi deposto porque atrasou as privatizações e ouviu o canto de sereia de Brizola sobre educação, quando passou a construir CIACs por todo o país. O CIAC – depois renomeado para CAIC – foi uma versão nacional do CIEP e existe em milhares de cidades brasileiras. O CIEP foi idealizado pelo político, professor e antropólogo Darci Ribeiro [9], um dos maiores estudiosos do Brasil.

Omitem que está em votação um projeto de lei para dificultar a participação da Petrobrás no Pré-Sal e acabar com o regime de partilha, agora, nestes dias que correm. É aí que está o ovo, a galinha está cacarejando lá do outro lado e falando de política, contra o governo, pelo impeachment. A bola da vez é a Petrobrás, não se iludam. Para quem não sabe, a galinha quando bota ovo, sai correndo e começa a cacarejar loucamente, para atrair a atenção para si, não para o ovo.

Omitem que o salário-mínimo pulou de 72 dólares em 2003 para 309 dólares em 2015.

Omitem que metade da riqueza dos brasileiros está nas mãos de menos de 50 pessoas. Omitem que os últimos dois governos tentam, há anos, implantar a cobrança de impostos sobre as grandes fortunas, mas o Congresso impede.

Reclamam da violência, mas a programação da mídia é toda voltada para isso, especialmente as novelas, que abusam de cenas sombrias e depressivas, com poucas cores (amarelo, vermelho, preto). Noticiário, então, nem se fala, é só tragédia e sangue. Afinal, para eles bandido bom é bandido morto. Mesmo que muitas vezes não seja bandido.

Omitem que as favelas estão em guerra civil há décadas, que no Brasil é onde mais morre gente por assassinato no mundo, mais do que nas atuais guerras no Oriente Médio. As vítimas são na grande maioria, jovens pretos ou mulatos e pobres.

Omitem que o protesto de vários dias em Brasília contra o governo, foi pago e que algum pecuarista de Goiás presenteou bois aos manifestantes. Por isto que tinha churrasco de picanha. Conheço algumas pessoas daqui da cidade que receberam dinheiro para viajar de carro do Rio Grande do Sul a Brasília, para participar dessa “mamifestação”. Se pagaram por isso, imagine o que devem estar pagando agora.

Omitem que foram implantados o ponto eletrônico e as metas de desempenho para funcionários públicos. Ainda há setores da administração federal que rejeitam as medidas (consideram-se acima disso). MAS, se alguém é contratado para trabalhar 6 ou 8 horas diárias, deve cumprir toda a jornada, não importa qual é o patrão, nem o cargo que ocupa. É o que todo trabalhador da iniciativa privada está cansado de saber.

Por fim, omitem toda e qualquer ação que possa indicar que alguma coisa positiva está sendo feita. Porque não é o projeto deles que está em vigor. Por isso, interessa a eles parar o Brasil. E 2015 foi só um cheirinho do que poderá vir.

Aliás, sempre foi assim: quando o Brasil começa a entrar nos eixos, colocam areia nos trilhos. Querem rodar o mesmo filme, de novo, como já fizeram em 1954, 1964 e 1992. E sem criatividade, pois a ladainha é e sempre foi a mesma: o combate à corrupção.

Isto me faz lembrar da obra Il Gattopardo (O Leopardo, único livro de Giuseppe Tomasi di Lampedusa), onde o príncipe dizia que “tudo tem que mudar para tudo continuar como antes”.

Afinal, porque não há programas edificantes nestes meios de comunicação, que permitam às pessoas aprender algo de bom. Porque não há incentivo para fazer a coisa certa? Porque procuram sempre mostrar a marombagem, a promiscuidade, as cenas eróticas em horário impróprio, a fraude, o desrespeito, o preconceito, a traição, a intriga, a humilhação? Nas cenas de humor, orientam para rirmos dos outros, não com os outros.

Alguém lembra de algum programa, em horário aceitável, sobre profissões interessantes, por exemplo, que poderiam despertar a vocação de jovens? Porque elevam tanto as profissões de ator, cantor, jogador de futebol, etc., mas nunca as de engenheiros, pesquisadores, militares ou instrumentistas? Porque sempre reforçam o trabalho individual, em vez de profissões precisam de equipes?

Se estamos em crise, o mais correto para os meios de comunicação seria criar, no ramo do entretenimento, válvulas de escape, para possibilitar rirmos da situação e observar as coisas por outros ângulos, de um modo que melhore nosso olhar crítico. Mas interessa uniformizar os comportamentos, alienar, imbecilizar as pessoas e criar um clima de confronto. Que está a pleno vapor.

Se isto continuar, poderemos chegar a um estado de convulsão (palavra que alguns jornais já estampam, apesar dos brasileiros trabalharem normalmente e não haver qualquer menção a um estado de sítio). Já existem empresários colocando lenha na fogueira, fazendo até apologia ao crime (desobediência civil). Aonde pretendem chegar, quando a situação fugir do controle?

Aqueles que agora protestam, esquecem que também serão atingidos, no caso de estalar algo mais grave. Exatamente como aconteceu com a Iugoslávia.

Aquele país, que saíra do domínio soviético já em 1961, não era rico mas tinha uma forte indústria local (automóveis, eletrodomésticos, minérios, cigarros, etc.), sistema público de saúde, produção agrícola orgânica e boa qualidade de vida. Foram insufladas disputas internas que o estraçalharam. Estes conflitos, acompanhados de inúmeras chacinas e outras atrocidades, ocorridos na década de 1990, originaram a Bósnia-Herzegovina, Croácia, Eslovênia, Kosovo, Macedônia, Montenegro e Sérvia. As grandes empresas foram privatizadas e hoje são dominadas por multinacionais. A agricultura deles atualmente utiliza agrotóxicos e transgênicos, a poluição aumentou e as doenças também. Assista ao documentário “O peso das correntes”, de 2010, do premiado diretor sérvio-canadense Boris Malagurski [10] [11] [12]. Há uma segunda e terceira partes do documentário, a última ainda não terminada. Os DVDs podem ser comprados no sítio do diretor.

Figura 11 - “Evolução” da Iugoslávia (ou Jugoslavia, como corrigem seus habitantes). Fonte: Wikipedia [13] [14].

Figura 11 – “Evolução” da Iugoslávia (ou Jugoslavia, como corrigem seus habitantes). Fonte: Wikipedia [13] [14].

Figura 12 – Documentário “O peso das correntes”, de Boris Malagurski [10].

Figura 12 – Capa do DVD do documentário “O peso das correntes”, de Boris Malagurski [10].

Aqui nos trópicos, vemos a imprensa alimentar frequentemente o preconceito das regiões Sul e Sudeste, contra Norte e Nordeste. Inclusive contra nossos irmãos de toda a América Latina, de África, Portugal, China, etc.. Em vez de respeitarem as características de cada povo e lugar, aprendendo e reconhecendo o que há de bom neles e procurar conhecer suas carências, preferem, por absoluta desinformação, repetir chavões com os mais obscenos preconceitos. Ou é má fé mesmo. Ou são pagos para isso.

Este é o começo da discórdia, que segue a máxima do Império Romano: divide et impera (dividir para reinar). A quem este comportamento beneficia?

Observação:

Para quem desejar comentar, informo que não há esta possibilidade. É uma pequena maneira de demonstrar a impotência que sentimos, quando queremos falar e não somos ouvidos.

Referências

[1] Brazil Cartoon – Laz Muniz – http://brazilcartoon.com/blog/lazmuniz/

[2] Odebrecht – Newshttp://odebrecht.com/en/communication/news

[3] Granma – Com a filosofia de sobreviver, crescer e perdurar – http://pt.granma.cu/cuba/2016-02-05/com-a-filosofia-de-sobreviver-crescer-e-perdurar

[4] Odebrecht – Odebrecht Infraestrutura América Latina conclui a revitalização do porto Mariel em Cuba – http://odebrecht.com/pt-br/odebrecht-infraestrutura-america-latina-conclui-a-revitalizacao-do-porto-mariel-em-cuba

[5] Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – Balança Comercial Mensal – http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=1161

[6] IPEA – Brasil em Desenvolvimento 2015 – Estado, Planejamento e Políticas Públicas – http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/livros/livros/bd_2015_web.pdf

[7] Jornal GGN – Clipping do dia – Tecnologia desenvolvida pela Petrobrás impulsiona produção no PR – http://jornalggn.com.br/comment/415048#comment-415048

[8] Petrobrás – Descubra o Pré-Sal – http://relacionamento.petrobras.com.br/otc2013/PreSal

[9] Blog do Mello – Collor, Roberto Marinho, Brizola, CIAC, CIEP – http://blogdomello.blogspot.com/2007/06/collor-roberto-marinho-brizola-ciac.html

[10] Blog de Boris Boris Malagurski – Weight of chains 1, 2, 3http://weightofchains.ca/

[11] Wikipedia – Weight of Chains (O peso das correntes) – https://en.wikipedia.org/wiki/The_Weight_of_Chains

[12] Bemvindo à Servia – Comunidade servo-brasileira no filme – http://bemvindoaservia.blogspot.com.br/2012/05/comunidade-servo-brasileira-no-filme.html

[13] Wikipedia – Desintegração da Iugoslávia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Desintegra%C3%A7%C3%A3o_da_Iugosl%C3%A1via

[14] Wikipedia – Jugoslavia – https://pt.wikipedia.org/wiki/Jugosl%C3%A1via

Úbris, Nêmesis ou apenas canídeos

5 de março de 2016 Deixe um comentário

Úbris, Nêmesis, ou apenas canídeos

L1

Alguns influentes arreganham seus dentes

Querendo mostrar poder

E babam, como se lobos fossem

Se eles são, também somos

Mas, diferente deles

Pertencemos à maior alcateia.

L2

Para clarear

Nêmesis representa a força encarregada de abater toda a desmesura (húbris), como o excesso de felicidade de um mortal ou o orgulho dos reis, por exemplo. Essa é uma concepção fundamental do espírito helênico:

“Tudo que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilíbrio universal e, por isso, tem de ser castigado, se se pretende que o universo se mantenha como é.”

No direito grego, a húbris refere-se com maior frequência à violência ébria dos poderosos para os débeis. Outros a identificam como vício pelo poder, ou no qual um personagem comporta-se com soberba e arrogância e exagerada autoconfiança.

Uma boa explicação: http://www.quo.es/ser-humano/el-sindrome-hubris/lideres

L3

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FILAMENTO LED – Conheça e compare – PARTE 1

20 de dezembro de 2015 12 comentários
Figura 1 – Lâmpada de filamento LED tamanho A60 vendida no Brasil, marca Ourolux, de 6W, bivolt, emissão de 600 lumens, 10 mil horas de vida útil, selo Procel A. No detalhe, a mesma lâmpada, ligada.

Figura 1 – Lâmpada de filamento LED tamanho A60 vendida no Brasil, marca Ourolux, de 6W, bivolt, emissão de 600 lumens, 10 mil horas de vida útil, selo Procel A. No detalhe, a mesma lâmpada, ligada.

 

Estamos em plena era dourada da iluminação LED. O mercado mundial de LEDs alcançou a cifra de 160 bilhões de dólares em 2014 [1]. Em razão da necessidade de um planeta sustentável (diminuição do consumo de energia), o crescimento do setor continuará por alguns anos. Estima-se que há em torno de 20 bilhões de lâmpadas no planeta (valor conservador), imagine trocar a metade delas, ao menos…

No Brasil, segundo a Abilux[2], o setor de iluminação LED – também conhecido por iluminação de estado sólido (SSL – Solid State Light) – crescerá 30% em 2015. E estudos apontam que este será o mercado com melhor viabilidade comercial em 2020 [3].

Em razão disso, há uma intensa competição mundial para abocanhar a maior fatia possível do mercado de iluminação LED, que faz com que apareçam novidades a todo momento.

Uma delas está chegando de mansinho nas lojas, mas ainda não é muito conhecida. É a lâmpada de filamento LED (figura 1), que de tão parecida com as incandescentes, é confundida com elas. Parece incandescente, mas é LED.

Conheça o que são os filamentos LED, como são fabricados, os modelos existentes, como ligá-los e as possibilidades de uso.

Além disso, são expostos, ao final desta série de artigos, os testes comparativos de 7 tipos de lâmpadas (filamento LED, LED leitosa, fluorescente compacta, incandescente comum clara, incandescente comum leitosa, incandescente de alta resistência, incandescente halógena), bem como explicados os conceitos básicos envolvidos na medição da luz, para que qualquer pessoa saiba identificar o que realmente importa na escolha de uma lâmpada.

Espero que façam bom proveito desta primeira parte.
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