Para ONDE vamos, amigo ou inimigo?

13 de setembro de 2026 Deixe um comentário
Exemplar reduflação.

A nossa vida é um caminho sem volta, desde que brotamos neste mundo, até retornarmos ao pó.

Muitos consideram que há bastante tempo para fazer as coisas, que podem deixar para começar depois. Mas, se forem analisar com cuidado, verão que a vida é muito curta.

Quando visitamos aqueles parentes ou amigos de quem gostamos, já paramos para pensar quantas vezes poderemos fazer isso ao longo da vida? Se os visitamos uma vez por ano, dará quantas no total?

Partindo da média de expectativa de vida do povo brasileiro, que é de quase 76 anos e descontada a nossa idade, dá o que pensar. Mulher brasileira vive mais, quase 80 anos, então a maioria dos homens brasileiros morrerá antes dos 76.

Assim, se temos 13 anos, vamos nos ver pelo menos 63 vezes. Agora, se estivermos com 60 anos, serão só mais 16 vezes. Se os nossos parentes e amigos tiverem idade avançada, esse saldo será menor ainda.

Sem falar que nós mesmos poderemos parar pelo meio do caminho em uma tragédia qualquer, como tantas que acontecem neste país abandonado pelas elites: enchentes, deslizamentos, temporais, violência pessoal ou institucional, acidentes de trânsito, construções mal feitas ou um problema de saúde fulminante.

Essa perspectiva vale para tudo o que fazemos. Temos motivo justo para deixar de fazer algo agora? Ou nos acostumamos demais ao tempo das telas, que destrói todo o nosso tempo livre?

E causa divisão.

Antigamente, aquele amigo, conhecido ou parente que tinha uma ideia política diferente da nossa era tolerado, sem grandes problemas. Apesar das falhas, enxergávamos que aquelas pessoas também tinham coisas boas e interagíamos com elas.

De uns anos pra cá, passamos a enxergar os outros como amigos ou inimigos, sem meio termo. Ficamos igual a computador: é zero ou um.

Uma diferença qualquer de opinião pode resultar na exclusão permanente, a pessoa deixa de ser visitada, convidada para encontros, reuniões, aniversários, Natal, Páscoa ou qualquer outra junção, justamente porque pensa diferente.

Essa divisão acontece com mais impacto dentro das famílias e tem causado toda sorte de conflitos, resultando em separações, brigas e até crimes.

Hoje, só nos juntamos com quem pensa igual e isso reforça a divisão, pois não tem ninguém no grupo para criticar alguma ideia descabida ou totalmente fora da realidade. E tais alucinações começam a fazer parte dos assuntos do dia a dia, sem muitos filtros.

Ao se reunir somente com quem pensa igual, o cérebro trabalha muito menos, quase não usa os neurônios, porque só precisa concordar. É bom lembrar do ditado: “Se você não pensa, será pensado pelos outros.”

Junto a isso, temos um sistema educacional que nos ensina a obedecer, jamais a criticar ou pensar diferente.

Pensar e comandar é ato restrito às escolas pagas, onde a elite forma os futuros dirigentes deste imenso país. Lá, a educação é investimento, mas para as escolas públicas é despesa. Educação é o que leva o país para frente, olhe para os asiáticos: todos, sem exceção, martelam na educação!

Outra questão que soma dificuldades às nossas vidas é a religião. Todos os grupos religiosos proclamam a paz, mas estão cada vez mais isolados uns dos outros. “A minha religião é a única verdadeira!”; “O nosso Deus é melhor que o seu”; “Sou melhor que você!” A quem serve isso?

Tudo isso forma um caldo que está fermentando.

Essas divisões da população em grupos isolados uns dos outros, somente beneficia quem já está no poder e nunca apeou dele, desde 1500. São esses que sempre se beneficiaram com a falta de unidade do povo e agora lucram com tais conflitos, através de seus paus mandados, os políticos.

Quem está no cargo máximo atualmente, pode fazer apenas o que o Congresso deixar. E NUNCA nosso Congresso teve maioria canhota. Inclusive nos estados, as Assembleias estão totalmente dominadas por grupos elitistas que defendem com unhas e dentes os seus privilégios, como se fossem direitos. São esses que se chamam “conservadores”, pois querem conservar o que nosso país sempre teve de ruim.

Uma elite que pensa pouco (e lê menos ainda) não se deu conta do básico: salários baixos implicam ao pobres maior estresse e violência e resultam em trabalho mal feito, porque ninguém consegue dar conta do recado se estiver cansado por ter dormido pouco, a roupa ficou fedendo porque não deu tempo de secar direito, ter passado em pé 2 horas espremido no ônibus e ainda preocupado em como vai passar o resto do mês.

Monteiro Lobato já reclamava dos baixos salários na década de 1920, antes do Brasil transformar-se no grande exportador de hoje. Lá se vão 100 anos, o bolo cresceu muito e o povo continua a receber migalhas. A chapa tá esquentando, mas o caldo de que falei é outro.

Países que eram mais pobres que o Brasil há 40 anos, hoje nos ultrapassaram e dão ao seu povo uma qualidade de vida impressionante. A Coreia do Sul tem o tamanho de Santa Catarina ou Pernambuco. O Distrito Federal é 8 vezes maior que Singapura. Esses dois países asiáticos, que precisam importar quase tudo, têm cidades bonitas, com muito verde, pracinhas, riachos, estradas perfeitas, trens ou ônibus para onde precisar, moradia decente para todos, educação de qualidade, indústria pujante, salários dignos. Porque eles escolheram cuidar do povo!

É isso que boa parte da elite brasileira não quer (resol)ver: enquanto mantém a maioria na ignorância, por conta da péssima educação, por outro lado desvaloriza o trabalhador, prefere que ele fique com um salário que o torne dependente, mas que não permite que melhore de vida.

O trabalhador mora mal, muitas vezes de aluguel – queima dinheiro todo mês – e tem poucos lugares para passear, tá tudo tomado pelo concreto. Sua vida só patina. Precisa muito esforço e persistência para manter a cabeça pra fora d’água.

Afinal, quando há muitos que aceitam receber miséria do empregador, pra quê pensar em melhorar a vida daqueles que constroem a sua riqueza? Ambos envelhecem juntos, mas não podem progredir juntos.

A saída é a bebida, o sexo ou, muito pior, as drogas. Nem a música diverte mais, porque foi sequestrada por um bando de empresários com cérebro de minhoca, cujo objetivo é branquear nossa musicalidade, deixando-a sem gosto, sem calor, sem suor, sem vida, sem passado. Temos muita diversidade, mas ela não passa da cerca que esses imbecis ergueram.

Olhe ao seu redor. A quantidade de obesos em nosso país é algo impressionante. A causa? Má alimentação, principalmente, causada por desinformação (má educação, outra vez), falta de movimento (exercícios, caminhadas) e consumo descontrolado de comidas e bebidas industrializadas, que nos poupam tempo, são gostosas, mas roubam nossa saúde.

E aqui é que vem o caldo. Olhe ao redor, novamente, um pouco mais para longe: os estados brasileiros, depois os países do nosso continente. Quantas vezes você ouviu falar mal dos nordestinos, ou que os estados do sul querem se separar? E o que sabemos dos nossos irmãos castelhanos? Portugal nos legou um país imenso e não praticamos a solidariedade nem a boa vizinhança, antes nos isolamos e zombamos do país que nos criou. Claro, temos um passado (e um presente) muito cruel, ainda temos que acertar essa conta. Agora é justamente quando podemos definir um bom futuro, é só querer. E não se dobrar.

Os estados brasileiros deveriam sempre se unir em benefício do país, não o contrário. Correntes de pensamento diferentes devem chegar a um consenso, em vez de impedir bons projetos só porque vieram do “outro lado”.

Senadores, deputados federais e estaduais, deveriam pensar na infraestrutura nacional, na integração entre os municípios e estados, na qualidade das obras, na redução de tragédias, no desenvolvimento como um todo, mas atendem a interesses locais e o país fica à deriva. Essa é a política destra, que enterra as boas ideias (como os teleféricos para as comunidades do Rio ou as ferrovias) e faz valer a sua total falta de compromisso com os brasileiros e o ajoelhamento com os de fora, para sempre. Defendem os interesses de seus financiadores, que costumam gastar muito mais em campanha do que o salário que irão receber.

Afinal, é o Poder Legislativo que comanda os destinos do país (Senadores, deputados federais, deputados estaduais, vereadores). O Poder Executivo (Presidente, governadores e prefeitos) só consegue fazer o que o Legislativo deixa. E o Judiciário deveria servir de balança entre eles, para ninguém tomar conta.

E agora, com o caldo fermentando ao nosso redor, precisamos pensar no futuro que queremos para nós. Ou vamos descambar para um gigante quebradiço, que em mais alguns anos pode começar a se despedaçar como aquele do leste da Europa, espatifado em 7 pedaços nos anos 1990, ou nos juntamos e damos um basta a essa mania de explorar os outros sem dar nada em troca.

“Divide et impera.” (Dividir para reinar, é disso que se trata)

Há muito conteúdo por aí que mistura diversas verdades isoladas, mas leva a uma conclusão totalmente falsa. Não se iluda com afirmações que causam indignação e simplificam as coisas, porque elas apelam para as emoções e fazem agir por impulso. Os que falam que são contra o sistema, frequentemente agem em defesa dele e mentem descaradamente, confiantes da ignorância do povo. O objetivo é, como sempre, DIVIDIR, nunca UNIR ou prestar SOLIDARIEDADE.

“Diga-me com quem andas, que te direi quem és.” Cuide que as legendas juntam pessoas que tem os mesmos objetivos! Água não se mistura com óleo!

Muito cuidado daqui pra frente, virá fogo e tragédia de todo lado. Enxergue a diferença entre a crítica contra alguém (só acusações dirigidas à pessoa) ou contra o que ela faz ou fez (atos dela, com provas). OUÇA COM ATENÇÃO, não tape seus ouvidos, procure informar-se com várias fontes, depois analise calmamente e conclua. Mantenha a cabeça erguida, o olhar fixo e o pensamento livre. Escolha bem e não se arrependa.

Desejo a você este Feliz Domingo.

Categorias:Manutenção

MANUAL DE RETÓRICA PERVERSA

28 de setembro de 2022 Deixe um comentário

ou COMO VENCER QUALQUER DISCUSSÃO


A Escola de Atenas, afresco de Rafael Sanzio. Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Atenas

Você certamente já presenciou um debate no qual a pessoa com a razão tenha perdido de seu adversário.

Talvez pela dificuldade de expressar bem as suas ideias, mas geralmente o que acontece é que o opositor está munido de técnicas para vencer qualquer confronto de palavras, mesmo que não possua um pingo de razão.

Essas técnicas apelam para a emoção, elas apontam para o teu fígado ou teu coração, não a tua mente. Em vez de raciocinar, afloram os sentimentos, para desestabilizar.

São técnicas utilizadas em todo lugar, principalmente por políticos, comerciantes e publicitários. Você mesmo pode tê-las empregado alguma vez, sem saber.

Faz algum tempo que encontrei na internet um texto que sintetiza essas técnicas de confronto. O autor é desconhecido, mas provavelmente tenha sido escrito no Chile, por causa das referências implícitas. Traduzi e coloco à disposição de todos.

Retórica é um modo de você dizer uma frase simples com vários parágrafos de enfeite, com o claro intuito de persuadir. Agora, imagine usar isso de maneira vil.

Junto com a retórica, aparece também a falácia, que é uma mentira que parece verdade. Ela pode ter pontos verdadeiros, mas sua conclusão é falsa.

Mesmo que esse Manual lhe revolte o estômago, como fez comigo, considero ele útil para aprendermos a reconhecer o uso dessas técnicas, de modo a não sermos iludidos nem passados para trás por gente de lábia afiada.

Materiais adicionais para consulta:

[1] Intelectuais, Cultura e Política – Albert Hirschmann – A retórica da intransigência –

[2] 100 nexos – Como vencer um debate (sem ter razão) –

[3] Medium – Jeferson Silva – A arte de iludir pessoas – Como se prevenir –

https://medium.com/@blogdojsilva/a-arte-de-iludir-e-como-se-prevenir-efd1a62840be

Rádio Elétrica – Ouça!

18 de maio de 2022 3 comentários

Katia Suman – Foto de Guilherme Santos / Sul21

Quer uma rádio sem comerciais nem papo furado? OUÇA a Rádio Elétrica, com programação variada, ótima e às vezes inesperada, pois toca rock, pop, jazz, blues, MPB, samba, etc.. Seleção de músicas feita manualmente por Katia Suman, a comunicadora que marcou indelevelmente a história da cultura em Porto Alegre/RS. O endereço é:

https://radioeletrica.com/

Tem o app Rádio Elétrica para celular, que pode ser baixado na Apple Store ou no Google Play.

As únicas interrupções no repertório são pequenas vinhetas de alguns segundos, que mostram o estilo da rádio ou pedem auxílio para mantê-la no ar. Se puder, ajude-a pelo link:

https://apoia.se/radioeletrica

Se você é eclético em suas preferências musicais, certamente gostará de ouvir a Rádio Elétrica. Poderá dar de cara com Banda do Mar, Jorge Ben Jor, Lauryn Hill, Anelis Assupmção, Grace Jones, Marku Ribas, AC/DC, Carmen Miranda, Fito Páez, Grupo Rumo, Cesaria Évora, Beyoncé, Paulinho da Viola, Bee Gees, Tom Zé, David Bowie, Gilberto Gil, Charly Garcia, Tim Maia, Frank Zappa, Caetano Veloso, Rod Stewart, Erasmo Carlos, Prince, Elis Regina, Paul Mcartney (e Beatles), Ná Ozetti, Chico Science, Stevie Ray Vaughan, Luiz Melodia, The Monkees, Belchior, Gotam Project, Ana Cañas, Wes Montgomery, Egberto Gismonti, George Benson, Paralamas do Sucesso, Horace Silver, Emílio Santiago, Brandford Marsalis, Titãs, Jimmy Smith, Chico Buarque, BB King, Roupa Nova, Stevie Wonder, O Terço, The Trammps, Sérgio Sampaio, James Brown, Nei Lisboa, James Hunter, Cascavelettes, Delvon Lamar Organ Trio, TNT, Chaka Kan, Cachorro Grande, Bob Dylan, Ultramen, Mercedes Sosa, Kid Abelha, Madonna, IRA!, Aretha Franklin, Nelson Coelho de Castro, JJ Cale, Cazuza, Ramones, Capital Inicial, Club des Belugas, Legião Urbana, Tom Waits, Taranatiriça, Nina Simone, Elza Soares, Norah Jones, Bezerra da Silva, Simply Red, Itamar Assumpção, Toots & The Maytals, Paulinho da Viola, Bob Marley, Bebel Gilberto, Michael Jackson, Ney Matogrosso, Astor Piazzola, Adriana Calcanhoto, Arctic Monkeys, Djavan, The Replacements, Hermeto Paschoal, Queen, Raul Seixas, Dire Straits, Marisa Monte, Joss Stone, Trio Mocotó, Me’Shell Ndegeocello, Pixinguinha, Lianne La Havas, Luiz Gonzaga e muitos, muitos, mas MUITOS outros.

Nas terças-feiras à noite tem o Sarau Elétrico, um evento já tradicional em Porto Alegre, transmitido a partir do bar Ocidente. Foi criado para celebrar a palavra escrita de modo bastante informal, sem academicismo [1]. Os apresentadores leem trechos que acham interessantes para o assunto em pauta, fala-se de qualquer coisa, sem tabus e às vezes com muitas risadas. Ao final, tem a canja ao vivo de alguém convidado. O sarau costuma acontecer das 21h às 22h, é gravado em podcast e disponibilizado depois no site da própria rádio. Podemos assistir ao sarau no Youtube, no canal da Katia:

https://www.youtube.com/katiasuman25

Vale a pena conhecer a Rádio Elétrica, para sair do marasmo musical imposto pelos algoritmos. Este é o ponto central: algoritmos de seleção musical são montados com fins comerciais, para repetir o que já foi ouvido (se ouviu, é porque gostou…) ou para destacar quem paga melhor, não são feitos para desafiar, nem realmente entreter o ouvinte.

Ou, mal comparando, você concorda com aquele e-mail de ofertas da loja que continua lhe oferecendo o produto já comprado?

Além disso, conhecer músicas de diversos estilos e origens nos torna mais críticos com o que ouvimos, porque formamos uma visão musical com parâmetros mais exigentes, coisa muito difícil de acontecer para quem está amarrado a algum canal de mídia fortemente segmentado. A segmentação reforça a intolerância musical. Daí vem a importância de ter pessoas que realmente entendam do riscado para fazer tal seleção.

Quem é Katia Suman

De minha parte, Katia Suman é aquela voz agradável, aveludada e preciosa que preenchia a noite porto-alegrense nos idos de 1980 e 90, quando sintonizávamos a então imperdível Rádio Ipanema FM. Trazia uma seleção musical primorosa, dava dicas de cinema, teatro e livros, fazia ótimas entrevistas, de repente uma banda recém formada tocava ao vivo, havia muita coisa inesperada, nova e cativante.

Segundo a editora Besouro Box, Katia Suman é “radialista, graduada em Ciências Sociais, com Mestrado em Comunicação e Doutorado em Letras. Trabalhou durante quase 20 anos na Ipanema FM, tendo passagens também pela FM Cultura e Unisinos FM. Em televisão, fez “Folharada Ipanema na TV”, na Band; “Crônicas do tempo”, na TVE e “Camarote”, na TVCOM. Criou em 1999 o evento Sarau Elétrico, que, desde então, faz parte do calendário cultural da cidade de Porto Alegre. Desde 2010, mantém a rádio web radioeletrica.com, emissora independente com programação voltada ao debate, à literatura e a boa música. Ativista da cidade participou do coletivo “Cais Mauá de Todos” e preside a Associação Amigos do Cais do Porto. Seu livro foi finalista dos Prêmios Açorianos de Literatura e Minuano/IEL, edição 2019.”

O livro de Katia Suman “Os diários secretos da Ipanema FM” relata as peripécias do dia-a-dia da rádio, tendo como referência os cadernos de comunicação usados para passar informações entre os radialistas. Cada locutor fazia o próprio programa, não havia roteiro pré-definido ou lista de músicas para tocar. Você poderá comprar o livro na Estante Virtual [2], por exemplo.

Se quiser conhecê-la melhor, há várias entrevistas na internet, uma bem interessante foi publicada no jornal Sul21 [3] e no blog do livreiro e tradutor Milton Ribeiro (NÃO É ex-ministro!!) [4], acesse-a AQUI ou AQUI.

Um detalhe sobre a Ipanema FM é a semelhança com sua irmã, a “maldita” Fluminense FM, de Niteroi, RJ, também nos mesmos 94.9 MHz. Ambas marcaram a cena musical dos anos 80 e 90 em suas respectivas regiões e ajudaram a impulsionar o rock nacional. A Ipanema foi mais que isso, ela sacudiu todas as formas de cultura na capital, com toques de rebeldia, novidade e liberdade.

Katia também fez uma interessante dissertação de mestrado em Ciências da Comunicação, pela Unisinos [5], onde destrinchou a esquema do jabá em 3 rádios FM. Jabá é o “agrado” que as gravadoras oferecem aos meios de comunicação, para tocarem mais (ou somente) as composições escolhidas para fazer sucesso (as chamadas “músicas de trabalho”). Ou você pensa que o sucesso das canções é sempre determinado pelo público? Leia o trabalho dela AQUI.

Não que hoje tenha melhorado muito isso, pois as empresas se adaptam. Apesar da internet democratizar o acesso a um infinito repertório, os serviços online de divulgação musical podem não ter um artista antigo, ou aquele que faz sucesso somente na sua região, nem a versão que você mais gosta de uma música e muito menos lhe apresentar algo diferente do que costuma ouvir.

Sabe aquelas viseiras que colocam nos cavalos, para que olhem somente para frente? Pois é.

E as rádios online podem sofrer na mão dos provedores de internet: cada qual opera um cache de internet (não é cachê), uma reserva temporária de memória que guarda páginas web recentemente carregadas, para não ter que repetir o acesso ao endereço original e que pode, em tese, gravar horas de programação de uma determinada rádio e reproduzir essa sequência em certas ocasiões. O objetivo seria reduzir custos (diminuir o tráfego de dados) através de software inteligente. Com isso, o ouvinte não perceberia interrupções da programação, mas teria a impressão de um fraco repertório, o que poderia inviabilizar a audiência das pequenas emissoras. O descompasso entre a playlist e a música que está em execução no momento pode ser um reflexo disso.

Vai lá na Rádio Elétrica, ouça e deleite-se!

Referências

[1] Dana – Entrevistas – Katia Suman – https://dana.com.br/social/entrevistas/katia-suman/

[2] Estante Virtual – Katia Suman e os diários secretos da rádio Ipanema FM – https://www.estantevirtual.com.br/ludylivros/katia-suman-katia-suman-e-os-diarios-secretos-da-radio-ipanema-fm-2531990865?show_suggestion=0

[3] Sul21 – Katia Suman relembra papel da Ipanema em relação ao rock e garante: liberdade era total – https://sul21.com.br/entrevistasz_areazero/2015/05/katia-suman-relembra-papel-da-ipanema-em-relacao-ao-rock-e-garante-liberdade-era-total/

[4] Milton Ribeiro – Katia Suman relembra papel da Ipanema em relação ao rock e garante: liberdade era total – https://miltonribeiro.ars.blog.br/2018/03/07/katia-suman-relembra-papel-da-ipanema-em-relacao-ao-rock-e-garante-liberdade-era-total/

[5] Unisinos – Repositório – Dissertação de mestrado de Katia Suman – O jabá no rádio FM: Atlântida, Jovem Pan e Pop Rock – http://www.repositorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/2613

O mundo das campainhas, buzinas e sirenes – Parte 3/3

22 de março de 2022 6 comentários

Fig. 66 – À esquerda, fragmento natural de quartzo incolor (cristal de rocha), à direita o sal de La Rochelle. Fonte da imagem do sal de Rochelle: Science Notes [105].

Fig. 66 – À esquerda, fragmento natural de quartzo incolor (cristal de rocha), à direita o sal de La Rochelle. Fonte da imagem do sal de Rochelle: Science Notes [105].

Nesta terceira e última parte sobre os dispositivos de alerta sonoro, tratamos do efeito piezoelétrico e as imensas possibilidades de uso,. Saiba diferenciar os sonorizadores piezoelétricos dos eletromagnéticos, os cuidados para projetar e montar o seu sonorizador.

Aprenda também como funciona a campainha detectora de raios, e a influência do barulho em nossas vidas.

Resumo

## Parte 1 (link)

Introdução

O eletroímã

O mercúrio nas conexões

O surgimento da campainha elétrica

Johann Philipp Wagner (1799-1879)

As faíscas no Martelo de Wagner

A buzina elétrica

A buzina GENTIL

A buzina de “300 dB”

## Parte 2 (link)

Buzinas a ar

Alarmes contra desastres

Sirenes eletromecânicas

Cigarras e campainhas elétricas comerciais

A campainha dos telefones de disco

Tecnologias semelhantes à da cigarra

Campainha de dois tons (din-dom)

A sirene eletrônica

Circuitos práticos de sirenes eletrônicas

## Parte 3

Piezoeletricidade

Compreenda o efeito piezoelétrico

Materiais piezoelétricos e suas aplicações

Sonorizador piezoelétrico

Manipulação e dicas para projeto de sonorizadores piezoelétricos

Circuitos de acionamento

Sonorizador eletromagnético

Como diferenciar o buzzer piezoelétrico do eletromagnético

Buzzers autônomos

A campainha detectora de raios

O barulho e nossos ouvidos

Referências

Leia mais…

O mundo das campainhas, buzinas e sirenes – Parte 2/3

26 de janeiro de 2022 9 comentários
Fig. 31 – Foto extraída do artigo “PRF prende caminhoneiro que isolou parte do sistema de freios”. Fonte: Blog do Caminhoneiro [48].

Conheça o barulhento mundo dos dispositivos de alerta sonoro. Nesta segunda parte, são abordadas as buzinas a ar (inclusive as utilizadas pelos trens e navios), os sistemas de alertas contra calamidades, as tradicionais sirenes eletromecânicas, as cigarras elétricas, as campainhas de telefones e a campainha din-dom.

Também destrinchamos a sirene eletrônica e mostramos alguns circuitos práticos.

Leia mais…

O mundo das campainhas, buzinas e sirenes – Parte 1/3

23 de dezembro de 2021 5 comentários
Fig. 1 – Esboço das entranhas de uma campainha de dois tons (din-dom ou ding-dong).
Fig. 1 – Esboço das entranhas de uma campainha de dois tons (din-dom ou ding-dong).

Conheça o barulhento mundo dos dispositivos de alerta sonoro.

Compreenda o funcionamento da campainha din-dom (fig. 1), da campainha dos antigos telefones de disco, da cigarra elétrica, das sirenes mecânicas, das diversas buzinas para veículos, trens e navios, do Martelo de Wagner e daqueles sinalizadores sonoros, ligados na marcha a ré de ônibus, caminhões e máquinas operatrizes. Conheça os sistemas de alarme preventivo de calamidades.

Monte o seu sonorizador, com pastilha piezoelétrica ou com o buzzer eletromagnético. Saiba reconhecer as diferenças entre eles.

Leia mais…

DICA – Quando a raquete mata-mosquitos vibra

18 de janeiro de 2021 16 comentários

Fig. 1 – Raquete mata-mosquitos parcialmente desmontada.

Fig. 1 – Raquete mata-mosquitos parcialmente desmontada.

Se a raquete mata-mosquitos zumbe e vibra ao acionar o botão e às vezes funciona, outras vezes não, leia esta dica, pode ser um problema bem fácil de resolver.

Ocorre também da raquete ligar normalmente, às vezes até matar algum mosquito, mas não fazer mais aquele estalo típico, nem aparecer a faísca. Saiba como resolver este inconveniente.

Já abordei as raquetes mata-mosquitos em artigo recente no Dicas do Zébio. Aquele post detalha o funcionamento do circuito, como testar os diodos de alta-tensão (AT), as falhas que podem ocorrer na parte eletrônica, a troca do transformador e até como atualizar a raquete, com a instalação de uma pilha de lítio 18650, recarregável por USB. Acesse o texto por AQUI.

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O Natal de 2020

22 de dezembro de 2020 2 comentários

Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Que ano! Todos tivemos muitas dificuldades, em razão do confinamento causado pela pandemia.

Mas, estamos em plenas Boas Festas, 2021 está chegando aí e precisamos espairecer.

Descobri por esses dias uma bela canção de Natal, diferente das mesmas de sempre. Não é nova, essa música já tem mais de 30 anos e fez sucesso na Europa dos anos 1980. Por aqui, jamais tocou.

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DICA – Lanterna LED em capacete

27 de outubro de 2020 5 comentários

Fig. 1 – Lanterna LED para cabeça, adaptada em capacete.

Fig. 1 – Lanterna LED para cabeça, adaptada em capacete.

Às vezes, precisamos lidar na penumbra ou na escuridão com a ajuda de uma lanterna. Mas, ocupar uma das mãos com ela atrapalha qualquer serviço.

A solução é uma lanterna de cabeça, que seja fácil de usar. Consegui isso ao adaptar um modelo LED em capacete de segurança, alimentado por pilha de lítio recarregável e substituível. É o assunto deste artigo.

Aproveite para conhecer um circuito simples e eficiente de controle de corrente para LEDs, que funciona com ampla faixa de tensões.

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TÉCNICA – Nikon Coolpix 3200 com pilha de lítio + pilha falsa

1 de julho de 2020 6 comentários

Fig. 1 – Nikon Coolpix 3200, com o compartimento das pilhas aberto.

Fig. 1 – Nikon Coolpix 3200, com o compartimento das pilhas aberto.

Minha primeira máquina fotográfica digital foi esta NIKON Coolpix 3200, que comprei usada. Gosto muito dela, porque apesar de não ser HD é econômica e tira excelentes fotos em close-up.

De uns tempos para cá, a Nikonzinha começou a reclamar de pilhas fracas, mesmo quando novas. Como as pilhas AA de NimH ou mesmo alcalinas de boa qualidade são escassas e caras no Brasil, resolvi adaptar uma pilha recarregável de lítio de 3,7V. Mostro neste artigo como fazer isso. Aproveite também para informar-se melhor sobre as pilhas de lítio.

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