O mundo das campainhas, buzinas e sirenes – Parte 1/3

23 de dezembro de 2021 Deixe um comentário
Fig. 1 – Esboço das entranhas de uma campainha de dois tons (din-dom ou ding-dong).
Fig. 1 – Esboço das entranhas de uma campainha de dois tons (din-dom ou ding-dong).

Conheça o barulhento mundo dos dispositivos de alerta sonoro.

Compreenda o funcionamento da campainha din-dom (fig. 1), da campainha dos antigos telefones de disco, da cigarra elétrica, das sirenes mecânicas, das diversas buzinas para veículos, trens e navios, do Martelo de Wagner e daqueles sinalizadores sonoros, ligados na marcha a ré de ônibus, caminhões e máquinas operatrizes. Conheça os sistemas de alarme preventivo de calamidades.

Monte o seu sonorizador, com pastilha piezoelétrica ou com o buzzer eletromagnético. Saiba reconhecer as diferenças entre eles.

Resumo

## Parte 1

Introdução

O eletroímã

O mercúrio nas conexões

O surgimento da campainha elétrica

Johann Philipp Wagner (1799-1879)

As faíscas no Martelo de Wagner

A buzina elétrica

A buzina GENTIL

A buzina de “300 dB”

## Parte 2

Buzinas a ar

Alarmes contra desastres

Sirenes eletromecânicas

Cigarras e campainhas elétricas comerciais

A campainha dos telefones de disco

Tecnologias semelhantes à da cigarra

Campainha de dois tons (din-dom)

A sirene eletrônica

Circuitos práticos de sirenes eletrônicas

## Parte 3

Piezoeletricidade

Compreenda o efeito piezoelétrico

Materiais piezoelétricos e suas aplicações

Sonorizador piezoelétrico

Sonorizador eletromagnético

Como diferenciar o buzzer piezoelétrico do eletromagnético

Buzzers autônomos

A campainha detectora de raios

O barulho e nossos ouvidos

Referências

Introdução

Em qualquer busca que fazemos sobre campainhas elétricas, aparecem inúmeras páginas que explicam o tradicional modelo de Wagner, com eletroímã, sineta e o martelo acoplado a um interruptor. Pelo que pesquisei, essa tecnologia, desenvolvida na primeira metade do século XIX é usada tão somente em salas de aula e em buzinas de automóveis. As campainhas vendidas no comércio são diferentes.

Os modelos eletromagnéticos foram modificados para tornarem-se mais seguros e poderem funcionar em CA (Corrente Alternada). Apesar de limitarem-se a zumbir ou a bater em lâminas metálicas e sinetas, seu som costuma ser mais forte que o das campainhas eletrônicas, que usam um pequeno alto-falante. Estas, no entanto, conseguem imitar qualquer som ou ruído, só depende do circuito eletrônico.

Em serviços de emergência importantes, como nos sistemas de alarmes contra avalanches, tsunamis e terremotos, certamente compensa implementar dispositivos de alerta confiáveis. Se for necessário recursos de voz, um sinalizador eletrônico pode ser muito potente, quando acoplado a amplificador e corneta. Em situações que seja requerido apenas um aviso sonoro, as sirenes eletromecânicas tradicionais são extremamente confiáveis e praticamente imunes a agentes externos (radiação, temperaturas extremas, longo tempo de inatividade).

Cada uma dessas tecnologias será explicada, para que o leitor ou a leitora compreenda melhor as diferenças – às vezes sutis – de cada tipo de sinalizador. Só que, para compreender bem este assunto, precisamos olhar para os primórdios da eletricidade.

Fig. 2 – Eletroímã com uma camada de enrolamento.  Fonte: Wikipedia [1].
Fig. 2 – Eletroímã com uma camada de enrolamento. Fonte: Wikipedia [1].

O eletroímã

O eletroímã foi o passo inicial para a criação da campainha elétrica. Ele consiste de um núcleo de ferro doce, ao redor do qual tem uma bobina, formada por muitas voltas de fio de cobre esmaltado (fig. 2). Ao ligar os fios dessa bobina a uma bateria, o eletroímã comporta-se como um ímã, até que a energia seja cortada.

Fig. 3 – O primeiro eletroímã, criado por William Sturgeon. Fonte: “The electromagnet, and electromagnetic mechanism”, de Silvanus P. Thompson, edição de 1891, p.3 [2].
Fig. 3 – O primeiro eletroímã, criado por William Sturgeon. Fonte: “The electromagnet, and electromagnetic mechanism”, de Silvanus P. Thompson, edição de 1891, p.3 [2].

Imagine que estamos no começo do século XIX, mais precisamente em 1824. Nesse ano, William Sturgeon (1783-1850) passa uma grossa camada de verniz sobre uma ferradura de cavalo e enrola por cima dela várias voltas de fio de cobre. O verniz serve de isolante entre o cobre e a ferradura. O fio encapado ainda não existe – muito menos o fio esmaltado – e as espiras são enroladas um pouco separadas, para evitar curto-circuito (fig. 3). É o primeiro dispositivo elétrico capaz de suportar um objeto maior que seu próprio peso (esse eletroímã de 200 gramas consegue erguer 4kg).

Fig. 4 – Estrutura utilizada por Joseph Henry para os experimentos com o eletroímã. Fonte: “American Journal of Science and Arts”, volume XIX, janeiro de 1831, p.408 [3].
Fig. 4 – Estrutura utilizada por Joseph Henry para os experimentos com o eletroímã. Fonte: “American Journal of Science and Arts”, volume XIX, janeiro de 1831, p.408 [3].

Depois, em 1830, Joseph Henry (1797-1878) melhora radicalmente o eletroímã, ao recobrir os fios de cobre isolados com fibras de algodão encerado, o que permite enrolar várias camadas.

No American Journal of Science and Arts, volume XIX, de janeiro de 1831 [3], à p.400, Henry relata diversos experimentos com eletroímãs (fig. 4). De modo a facilitar as experiências, um dos eletroímãs é enrolado com várias bobinas independentes, que podem ser ligadas em série ou paralelo. No artigo, ele agradece a sugestão do Dr. L. C. Beck, para trocar o algodão encerado por fios de seda.

As exibições de Henry popularizam o dispositivo: um deles, com aproximadamente 37kg é capaz de sustentar quase uma tonelada. Esse eletroímã, construído para as demonstrações do professor Benjamin Silliman (1816-1885) aos seus alunos da Universidade de Yale, atualmente faz parte do acervo do Instituto Smithsonian (fig. 5). Henry o descreve minuciosamente a partir da p. 201, no volume XX, edição de julho de 1831 do American Journal of Science and Arts [4].

Fig. 5 – Eletroímã construído por Joseph Henry para o professor Benjamin Silliman, da Universidade de Yale. Fonte: Smithsonian Archives - History Div [5].
Fig. 5 – Eletroímã construído por Joseph Henry para o professor Benjamin Silliman, da Universidade de Yale. Fonte: Smithsonian Archives – History Div [5].

O típico formato de ferradura dos eletroímãs ajuda a concentrar o fluxo magnético, porque aproxima os dois polos e aumenta a eficiência de atração. No entanto, os eletroímãs podem ter formas muito diversas, depende do campo magnético que se deseja (para um motor, uma campainha, um relé, um síncroton, etc.).

Para evitar confusão: eletroímã é um dispositivo com núcleo fixo, igual às bobinas dos relés; solenoide geralmente denomina um eletroímã sem núcleo, ou com núcleo móvel (armadura), cuja função pode ser, por exemplo, controlar a válvula de entrada de água em máquinas de lavar (fig. 6).

Fig. 6 – Vista interna de uma válvula de água com acionamento elétrico. Ao ligar o eletroímã, ele atrai a armadura de ferro doce conectada a uma pequena válvula, que então libera a passagem do líquido. A membrana de borracha, junto da peça cinza, veda a passagem de água para o eletroímã e componentes associados.
Fig. 6 – Vista interna de uma válvula de água com acionamento elétrico. Ao ligar o eletroímã, ele atrai a armadura de ferro doce conectada a uma pequena válvula, que então libera a passagem do líquido. A membrana de borracha, junto da peça cinza, veda a passagem de água para o eletroímã e componentes associados.

O núcleo precisa ter grande permeabilidade magnética, característica que define a facilidade de um material aceitar (e direcionar) o fluxo magnético, até um nível máximo, quando ocorre a saturação. A partir da saturação, o campo magnético no material não aumenta mais, mesmo que o campo magnético externo fique ainda mais forte.

Desde sua criação, usa-se para o núcleo dos eletroímãs materiais “magneticamente moles”, como o ferro doce, um metal com alta permeabilidade magnética, que não satura nem imanta com facilidade. Em outros países é conhecido por dry iron (ferro seco) ou soft iron (ferro macio).

É que o desligamento abrupto do eletroímã gera um pulso magnético tão forte que poderia imantar o núcleo. O arame recozido (aquele bem mole), utilizado para amarrar vergalhões nas construções é um tipo de ferro doce, bem como aquele metal que contorna os ímãs dos discos rígidos.

Chamar um material de magneticamente duro (como os ímãs) ou de magneticamente mole, também refere-se à sua característica mecânica (mais ou menos cristalina), como é explicado em um interessante artigo da Escola Politécnica da USP, publicado nas últimas páginas da revista Geologia e Metalurgia, 11ª edição, de 1954 [6].

A compreensão do funcionamento do eletroímã propiciou a criação de inúmeros outros componentes, como os alto-falantes, os relés e os motores elétricos. O telégrafo e o telefone foram os equipamentos que beneficiaram-se imediatamente do eletroímã, porque o utilizam para diversas funções (fones, campainhas, marcador de traços e pontos, etc.).

Para mais detalhes sobre eletromagnetismo, acesse os excelentes trabalhos dos professores Fernando Luiz Rosa Mussoi, do CEFET de Santa Catarina [7] e Odailson Cavalcanti, do IFRN [8], além das páginas da Wikipedia [1] e do Instituto Smithsonian [9].

Outra ótima fonte sobre o assunto é o já citado livro “The electromagnet, and electromagnetic mechanism, de Silvanus P. Thompson, edição de 1891 [10].

Não estranhe eu citar textos antigos sobre eletricidade e magnetismo, porque esse conhecimento básico, explicado por aqueles que vivenciaram aquela época, é rico pela quantidade de detalhes e informações correlatas, jamais traduzidos para nossa língua.

Geralmente, são textos sem rodeios nem enrolação, que vão direto ao ponto, o que ajuda muito nestes tempos de informação infinita, com muito lixo e distração.

O mercúrio nas conexões

Observe que os fios da instalação de Sturgeon na fig. 3 mergulham em pequenas canecas de vidro, abastecidas com mercúrio, um excelente condutor. Era assim que se conseguia uma boa conexão elétrica, porque antes da metade do século XIX, a solda de estanho/chumbo (Sn/Pb) não era de uso comum. Inclusive os ferros de soldar desse período eram todos aquecidos por chama. As canecas com mercúrio também facilitavam os experimentos, porque possibilitavam rápidas mudanças nas conexões.

No entanto, o mercúrio é um metal pesado, que fica em estado líquido na temperatura ambiente, porque seu ponto de fusão é negativo (– 38,83°C). Isso o torna muito volátil, seus vapores são extremamente tóxicos e têm efeito duradouro no corpo humano. Essas emanações são facilmente absorvidas nos pulmões, encaminhadas ao sistema nervoso e resultam em sérios e comprovados problemas de saúde (tremores, fraqueza muscular, dificuldades para falar, ouvir, memorizar ou enxergar, dormência nas mãos e nos pés, nervosismo, ansiedade, irritabilidade, insônia). Dependendo do nível de exposição, a pessoa pode ter os rins comprometidos e desenvolver a “doença cor-de-rosa”, em que a pele toma essa cor e descama.

Apesar da gravidade, muitos efeitos tóxicos do mercúrio são parcial ou totalmente reversíveis, especialmente no caso de exposições leves ou por pouco tempo. Exposições pesadas e prolongadas podem causar danos irreparáveis [11].

Devido ao uso frequente, muitos pesquisadores foram contaminados com mercúrio. Apesar disso, já se sabia da toxidez do metal, pois era comum naquele tempo a expressão “louco como um chapeleiro”, referência aos fabricantes de chapéus, que usavam uma cola à base de nitrato de mercúrio no acabamento dos produtos e desenvolviam demência por conta disso [12][13].

Hoje em dia, os peixes são a principal fonte de contaminação por mercúrio [11], por isso é aconselhável evitar de comer com muita frequência os peixes carnívoros, como cavala, marlim, peixe-relógio, tubarão, peixe-espada, pirá, atum, anchova, garoupa e achigã. Esses peixes comem outros peixes e concentram em si o mercúrio de suas presas (biomagnificação). Recomenda-se comê-los no máximo uma vez por mês.

Após este pequeno desvio informativo, voltamos ao assunto principal, a campainha elétrica.

O surgimento da campainha elétrica

Além do eletroímã, a campainha elétrica necessita de um interruptor para obter o movimento vibratório.

Ele tem origem numa modificação do primeiro “motor” elétrico, não eletrostático, construído em 1821 por Michael Faraday (1791 – 1867), logo após descobrir que a eletricidade produz um campo magnético (fig. 7).

Fig. 7 – Rotor de Faraday (esquerda) e interruptor de Marsh. Fontes: “The electromagnet, and electromagnetic mechanism”, Silvanus P. Thompson, 1891, p.48 [10] e PeoplePill [14].
Fig. 7 – Rotor de Faraday (esquerda) e interruptor de Marsh. Fontes: “The electromagnet, and electromagnetic mechanism”, Silvanus P. Thompson, 1891, p.48 [10] e PeoplePill [14].

O mais correto seria chamá-lo de rotor: um fio de cobre, com o topo enganchado em um suporte condutor, para ter liberdade de movimentos, fica com a outra extremidade mergulhada em uma cuba com mercúrio. No centro desse recipiente há um ímã permanente, com os polos orientados ao eixo vertical (campo magnético paralelo ao elétrico).

Ao ligar uma bateria às extremidades do fio, ele começa a girar em torno do ímã. Ao trocar os polos da bateria, a rotação inverte o sentido. Em vez de utilizar o perigoso mercúrio, atualmente o experimento pode ser feito com água bem salgada.

Em 1824, o químico e assistente de Michael Faraday, James Marsh (1794 – 1846), modifica o experimento acima e cria o primeiro interruptor vibratório de que se tem notícia, o Marsh Interrupter, também chamado de fio oscilante. É o mesmo fio longo e livre, cuja parte inferior está mergulhada no mercúrio. Desta vez, o fio está entre os polos do ímã, reolhe a fig. 7. Para ajudar na compreensão, fiz um vídeo que demonstra os experimentos de Faraday e Marsh:

Motor de Faraday

O experimento de Marsh é muito parecido com o de Faraday, porque somente a posição do ímã foi alterada. Devido ao campo magnético intenso e agora perpendicular ao da corrente elétrica, o fio chega a saltar do líquido condutor e interrompe a conexão. Com isso, cessa o impulso, o fio volta à posição anterior, entra novamente em contato com o líquido e o ciclo recomeça.

Esta pode ter sido a origem do interruptor das campainhas desenvolvidas depois, que foram acopladas ao eletroímã. O dispositivo é citado na p.318 do livro “The electromagnet, and electromagnetic mechanism, de Silvanus P. Thompson, edição de 1891 [2]. Esta publicação conta que, depois de Marsh, Dr. Roget’s usou o mesmo princípio para sua a espiral dançante e Dal Negro, Henry, Wagner e Froment montaram seus próprios modelos.

Observação: a troca do mercúrio por água salgada tem um pequeno efeito colateral: a formação de bolhas e o desgaste de um dos eletrodos em contato com o líquido condutor, devido à eletrólise. Na solução salina são gerados os gases cloro (no ânodo) e hidrogênio (no cátodo), em vez do oxigênio e hidrogênio, que obteríamos se a solução fosse com o corrosivo ácido sulfúrico.

Esses gases são perigosos em grandes concentrações: o hidrogênio é explosivo e o cloro oxidante e altamente venenoso. O experimento poderia tornar-se perigoso se ficasse ligado por horas, em ambiente minúsculo e fechado. Em casa, uma janela aberta será mais que suficiente para evitar problemas. Para saber mais sobre a eletrólise, consulte a página do Brasil Escola [15].

Johann Philipp Wagner (1799-1879)

Apesar de muitos citarem que a cigarra elétrica teria sido inventada por Henry em 1831, nas pesquisas de jornais científicos da época isso não fica evidente. Sabe-se que ele demonstrava aos seus alunos da Albany Academy uma rudimentar campainha, chamada de telegraph, formada por um eletroímã, um ímã e sineta (fig. 8). Esse princípio foi utilizado por Samuel Morse para a criação do telégrafo – o que originou disputas judiciais com Henry [16] – e serviu de modelo para as campainhas dos telefones, como veremos adiante.

Fig. 8 – Experimento chamado telegraph, que Henry demonstrava aos seus alunos. O eletroímã, ao ser acionado repetidamente, causava a atração ou repulsão do ímã suspenso, que batia na sineta conforme a polaridade do fluxo magnético. Fonte: Smithsonian Annual Report, 1857, p.105 [17].
Fig. 8 – Experimento chamado telegraph, que Henry demonstrava aos seus alunos. O eletroímã, ao ser acionado repetidamente, causava a atração ou repulsão do ímã suspenso, que batia na sineta conforme a polaridade do fluxo magnético. Fonte: Smithsonian Annual Report, 1857, p.105 [17].
Fig. 9 – Dois desenhos do Martelo de Wagner, observe que o circuito da esquerda é o que funciona, porque só ali o polo positivo está marcado no lugar certo, além de mostrar clara e corretamente o fio de união dos eletroímãs. Fontes: Zeno [18] e Wikipedia [19].
Fig. 9 – Dois desenhos do Martelo de Wagner, observe que o circuito da esquerda é o que funciona, porque só ali o polo positivo está marcado no lugar certo, além de mostrar clara e corretamente o fio de união dos eletroímãs. Fontes: Zeno [18] e Wikipedia [19].

Ocorre que não há ímãs no aparato inventado por Johann Philipp Wagner, conhecido por Martelo de Wagner ou reótomo (rheotom), ou ainda interruptor de corrente (current-break) [20]. O coração desse aparato é uma cigarra elétrica, porque tem o eletroímã e o interruptor vibratório, aos quais são acrescentados o martelo e a sineta (fig. 9).

Também chamam este dispositivo de Martelo de Neeff, mas Christian Ernst Neeff (1782-1849) tão somente apresentou o trabalho de Wagner (um motor baseado no princípio do interruptor vibratório) em 1° de maio de 1836, na celebração anual da Sociedade Senckenberg [20]. Em português, seria mais correto chamá-lo de “Badalo de Wagner”, mas esse termo pode levar a outros significados…

Em 1837, Wagner publica o trabalho “Geração de tons mesmo em metais não magnéticos por meio de correntes galvânicas interrompidas” (“Erzeugung von Tönen auch in nicht magnetischen Metallen durch unterbrochene galvanische Ströme”), que provavelmente creditou a ele a invenção da campainha elétrica (fig. 10).

Fig. 10 – Esboço da campainha elétrica de Wagner.
Fig. 10 – Esboço da campainha elétrica de Wagner.

As figuras 11 e 12 mostram, respectivamente, o martelo e a campainha de Wagner, apropriados para demonstrações em aulas de Física.

Como sempre, o interruptor vibratório é composto por uma cinta metálica flexível, presa de um lado para criar o efeito de mola. Em frente ao núcleo e acoplada a esta lâmina há uma peça de ferro doce (a armadura), para aumentar a atração magnética. O interruptor vibratório da campainha elétrica tem lâmina maior que o da cigarra, porque incorpora um batedor maciço, para percutir a sineta. Atrás da lâmina há uma peça de platina, que toca um contato ajustável, do mesmo material. Na posição de repouso, a lâmina pressiona o contato e mantém o interruptor ligado.

O eletroímã fica em série com o interruptor vibratório e com outro interruptor, usado para ativar o circuito. Podemos ver isso na montagem da figura 13, com uma chave de faca, enquanto que o ideal seria uma chave de contato momentâneo NA (Normalmente Aberta), como uma chave tact ou mesmo um interruptor de campainha. As extremidades desse circuito são ligadas à fonte de alimentação (bateria, pilhas, etc.).

Fig 11 - Martelo de Wagner para ensino, da centenária marca Phywe, acoplável a outros experimentos (como a bobina de indução de Ruhmkorff). Fonte: Uranmaschine [21].
Fig 11 – Martelo de Wagner para ensino, da centenária marca Phywe, acoplável a outros experimentos (como a bobina de indução de Ruhmkorff). Fonte: Uranmaschine [21].
Fig. 12 – Campainha elétrica de Wagner, modelo apropriado para demonstrações em aulas de Física. Fonte: AliExpress, loja Childhood Funny Store [22].
Fig. 12 – Campainha elétrica de Wagner, modelo apropriado para demonstrações em aulas de Física. Fonte: AliExpress, loja Childhood Funny Store [22].
Fig. 13 – Montagem sugerida pelo fabricante da campainha elétrica da figura anterior. Fonte: AliExpress, loja Childhood Funny Store [22].
Fig. 13 – Montagem sugerida pelo fabricante da campainha elétrica da figura anterior. Fonte: AliExpress, loja Childhood Funny Store [22].

Funcionamento do Martelo de Wagner – ao ligar o circuito, o eletroímã atrai a armadura. Ao movimentar-se, a armadura interrompe a corrente elétrica, porque desconecta a ligação nas suas costas (o interruptor vibratório), como se vê na figura 10 e subsequentes. A atração é forte e a inércia faz o martelo bater na campânula, para logo voltar à sua posição de repouso. Isso fecha novamente o circuito e reinicia o ciclo.

Esse movimento, demorado para explicar, é muito rápido e chega a gerar um zumbido característico.

As faíscas no Martelo de Wagner

Como já comentado, a campainha ou o martelo de Wagner servem mais para o aprendizado de eletricidade básica, porque seu uso não é confiável nem seguro.

As faíscas causam um desgaste intenso dos contatos, que deveriam ser de platina (mais cara que o ouro). Caso contrário, ocorrem frequentes falhas no funcionamento, por causa da oxidação e deformação das superfícies da junção.

A adição de um capacitor entre os contatos do interruptor diminui as faíscas e aumenta sua vida útil. Inclusive, são as faíscas em relés que costumeiramente os travam, especialmente nas centrais de portões automáticos, cuja solução apresentei AQUI no Dicas do Zébio.

Além de diminuir a confiabilidade, as faíscas geradas no interruptor vibratório tornam esse tipo de campainha potencialmente perigoso, porque podem começar incêndios ou causar a ignição em atmosferas inflamáveis e/ou explosivas. Sob certas condições, até o pó fino pode tornar-se explosivo.

Por isso que as campainhas vendidas no comércio são diferentes (e serão tratadas mais adiante). Nos primórdios da eletricidade, certamente era uma campainha comercial, como demonstra a fig. 14.

Fig. 14 – Antigas campainhas elétricas, vendidas no início do século XX. Observe os suportes para pendurá-las na parede. Fonte: Luft-Zug [23], ebay [24] e Horst-Ries [25].
Fig. 14 – Antigas campainhas elétricas, vendidas no início do século XX. Observe os suportes para pendurá-las na parede. Fonte: Luft-Zug [23], ebay [24] e Horst-Ries [25].

As buzinas dos automóveis são um dos poucos dispositivos que utilizam o Martelo de Wagner.

A buzina elétrica

Se pensarmos em segurança, colocar um acessório que gera faíscas junto de um motor a combustão pode parecer absurdo. Mas os fabricantes não são doidos, é a falta da buzina que pode causar um acidente, até porque os automóveis praticamente nasceram com ela.

Ocorre que a buzina elétrica é selada, os contatos de acionamento ficam fechados dentro de um compartimento, que também protege da chuva, barro e poeira. Por isso, ela é segura e bastante resistente a agentes externos. E devido ao uso eventual da buzina, há pouco desgaste dos contatos do interruptor vibratório, que tem uma vida útil estimada de 100 mil acionamentos.

As buzinas são obrigatórias em praticamente qualquer veículo automotor, como automóveis, caminhões, locomotivas e embarcações. Apenas os botes (embarcações miúdas), quando em navegação interior estão dispensados de apitos ou buzinas. O objetivo, obviamente, é alertar da sua presença e evitar acidentes.

Até os aviões têm buzina, mas esta funciona em solo, mais como um sistema de comunicação entre a equipe de manutenção.

Fig. 15 - Buzina com bulbo de borracha e corneta, em carro antigo. Fonte: Alegri / 4freephotos.com [26].
Fig. 15 – Buzina com bulbo de borracha e corneta, em carro antigo. Fonte: Alegri / 4freephotos.com [26].

Há regras específicas, os veículos rodoviários devem respeitar a norma técnica ABNT NBR 5535 e correlatas, além das portarias do CONTRAN. A emissão sonora deve ser contínua, sem alterações de tonalidade e o nível sonoro deve estar entre 87 decibéis (curva A) e 112dB(A). Veículos com potência menor que 7KW (pouco mais de 9HP) devem emitir no mínimo 83dB(A).

No começo do século XX, as buzinas eram de acionamento manual, como aquelas vindas das bicicletas, com a pera de borracha acoplada a uma corneta. Diversos fabricantes de automóveis continuaram usando esses modelos (fig. 15), alguns muito requintados, talvez porque fossem mais confiáveis – ou agradáveis – naquele tempo. Se você olhar bem, foram essas cornetas que inspiraram o onipresente símbolo da buzina.

Havia modelos mais barulhentos e ainda manuais, que utilizavam um princípio parecido com o do reco-reco (raspar um objeto duro em superfície ondulada). Ou o inverso: uma roda dentada bate repetidamente em uma protuberância, engastada no centro de um diafragma feito de folha de aço e acoplado a uma corneta (fig. 16).

Fig. 16 – Buzinas klaxon de acionamento manual. Fontes (da esquerda para a direita): Bidorbuy [27], Olympic Drums & Percussion [28] e T-Bucket Plans [29].
Fig. 16 – Buzinas klaxon de acionamento manual. Fontes (da esquerda para a direita): Bidorbuy [27], Olympic Drums & Percussion [28] e T-Bucket Plans [29].
Fig. 17 – Buzina klaxon elétrica, com motor de eixo vertical. Fonte: Wikipedia [30] e ebay [31].
Fig. 17 – Buzina klaxon elétrica, com motor de eixo vertical. Fonte: Wikipedia [30] e ebay [31].
Fig. 18 – Buzinas klaxon elétricas, com motor de eixo horizontal, observe a diferença entre elas, especialmente na parte do eixo que toca a lâmina. Fonte: Google Patents [32] e HNSA [33].
Fig. 18 – Buzinas klaxon elétricas, com motor de eixo horizontal, observe a diferença entre elas, especialmente na parte do eixo que toca a lâmina. Fonte: Google Patents [32] e HNSA [33].
Fig. 19 – Buzinas klaxon à venda, novas (esquerda) ou restauradas. Fonte: DesertCart [34], Oldtimer Service [35], Amazon [36] e Bonhams[37].
Fig. 19 – Buzinas klaxon à venda, novas (esquerda) ou restauradas. Fonte: DesertCart [34], Oldtimer Service [35], Amazon [36] e Bonhams[37].

Em 1908, Miller Reese Hutchinson patenteou um modelo acionado por motor elétrico (fig. 17), que foi licenciado e fabricado pela Lovell-McConnell Manufacturing Company, cujo fundador cunhou o termo klaxon (palavra que vem do grego antigo klazō, “Eu grito”). É um termo onomatopeico, porque ao pronunciar klaxon, podemos lembrar do som produzido quando apertamos e soltamos uma lata de refrigerante…

Uma patente de 1914 mostra um modelo mais compacto, com eixo horizontal, que desliza esferas acopladas ao perímetro de um disco (fig. 18, esquerda). Ao girar o eixo, as esferas batem nas ondulações do diafragma, o que causa forte vibração. A patente pode estar incorreta, porque várias esferas no perímetro exigem demasiado esforço do motor e é mais provável que fiquem perto do centro, como sugere o desenho ao lado. O movimento é semelhante ao daquelas chaves rotativas para troca de faixa, nos antigos rádios de ondas curtas, mas feito para ser MUITO barulhento.

As buzinas klaxon ficaram mais conhecidas pelo som emitido, que hoje simboliza o início da era automobilística:

– “Awoooga!”

Ao contrário do que se crê, as klaxon nunca fizeram parte dos carros da Ford, especialmente do modelo T – cuja buzina era opcional –, porque foi uma subdivisão da General Motors que comprou, em 1924, a Lowell-McConnell [29].

A engraçada e espalhafatosa buzina klaxon fez – e faz – tanto sucesso que até hoje é encontrada à venda, seja nova ou restaurada (fig. 19). Até a famosa Fiamm fabrica o modelo OOGA HORN (part. N° 6605923).

No começo do século XX também foi desenvolvida a buzina que utilizava eletroímã em vez de motor. De acordo com a Wikipedia [38], ela teria sido inventada em 1910, por Oliver Lucas, de Birminghan, Inglaterra. Esse tipo de buzina emite um determinado e contínuo tom (fig. 20). A corneta era um acessório essencial para aumentar a eficiência e melhorar a diretividade do som. Observe que o modelo fabricado pela Bosch, em 1921 (fig. 21), dispunha também de um disco ressonante, ao estilo das atuais buzinas planas, que trataremos a seguir.

Fig. 20 – Buzinas que operam com solenoide, patentes US1197910 (esq.) e US1351729. Fonte: Google Patents [32].
Fig. 20 – Buzinas que operam com solenoide, patentes US1197910 (esq.) e US1351729. Fonte: Google Patents [32].
Fig. 21 – Buzina Bosch, produzida desde 1921. Fonte: Bosch [39] e flickr [40].
Fig. 21 – Buzina Bosch, produzida desde 1921. Fonte: Bosch [39] e flickr [40].

Desde então o sistema é o mesmo, semelhante à campainha elétrica que mostramos antes e arranjado de forma compacta e eficiente: um compartimento circular, com o eletroímã no centro, ligado em série com um interruptor vibratório; esse interruptor é acoplado à armadura (núcleo móvel), de maneira a chavear conforme o seu movimento; a armadura do eletroímã é presa ao centro de um diafragma, moldado para funcionar como uma mola.

A armadura, quando atraída, move o diafragma e desliga o interruptor; a atração cessa, o diafragma faz a armadura voltar à posição de repouso e o interruptor liga outra vez, o que reinicia o ciclo. Em razão desse movimento, o diafragma emite um som característico, que varia conforme a espessura e o diâmetro da fina chapa de aço que o constitui, além da massa do conjunto diafragma/armadura. O som pode ser ampliado de duas maneiras.

A primeira delas é a buzina caracol, que usa o diafragma acoplado a uma corneta (trompa) enrolada sobre si mesma, que concentra e direciona a emissão sonora (figs. 22 e 23A).

A garganta da trompa tem uma pequena área, pela qual se comunica com o diafragma e que aumenta exponencialmente, no trajeto até a boca. As frequências limites de emissão da corneta são dadas pelo tamanho da garganta (frequência mais alta) e da boca (frequência mais baixa).

O espaço entre o diafragma e a garganta da corneta é chamado de câmara de compressão. A corneta converte um pequeno deslocamento de ar de alta pressão em um grande deslocamento de ar de baixa pressão (a corneta é um transformador acústico). O formato em caracol é usado para diminuir o tamanho final da trompa.

Fig. 22 – Vista do interior da buzina caracol.
Fig. 22 – Vista do interior da buzina caracol.
Fig. 23 – Diferenças entre a buzina caracol (A) e a plana, “bi-bi”ou “paquerinha” (B).
Fig. 23 – Diferenças entre a buzina caracol (A) e a plana, “bi-bi”ou “paquerinha” (B).
Fig. 24 – Modelos de buzina plana, vista de perfil (A), usadas em motocicletas (B,C) e automóveis (D,E).
Fig. 24 – Modelos de buzina plana, vista de perfil (A), usadas em motocicletas (B,C) e automóveis (D,E).
Fig. 25 – Animação que mostra o funcionamento da buzina plana.
Fig. 25 – Animação que mostra o funcionamento da buzina plana.

Na buzina caracol há um grande espaço entre a armadura e a parte fixa do núcleo do eletroímã, preso na parte traseira da carcaça (figs. 22 e 23A). Com isso, evita-se colisão entre eles, durante o funcionamento. A parte fixa do núcleo do eletroímã aumenta o poder de atração magnética.

O segundo modelo de buzina tem o som mais agudo e simpático, é a buzina plana, mais conhecida como “paquerinha” ou “bi-bi” (fig. 23B). Internamente é a mesma buzina que a caracol, mas no lugar da corneta há uma campânula (sineta) bastante achatada, presa pelo ponto central ao diafragma. A sineta pode ficar exposta ou protegida, como vemos na fig. 24.

Ao olhar melhor a figura 23, percebemos que na buzina plana o espaço de ar (gap) entre a armadura e o núcleo fixo é bem pequeno. A intenção disso é fazer com que durante o funcionamento, ocorra a colisão da armadura com o núcleo, agarrado à parte traseira da buzina, para forçar o aumento de vibração da campânula. A animação da fig. 24 mostra isso.

No Brasil, a buzina “bi-bi” acompanha os carros da Volkswagen desde os tempos do Fusca. É possível que a alcunha da buzina plana tenha alguma relação com o fato de que o automóvel serve muito mais como um símbolo de status do que de utilidade.

Atualmente, várias montadoras equipam seus automóveis, caminhões e ônibus com a buzina plana. As motocicletas sempre usaram este modelo, um pouco menor e de tom mais agudo.

A falta de corneta provavelmente torna a buzina “paquerinha” menos suscetível aos defeitos por oxidação, porque nos modelos abertos, não há locais para o acúmulo de água ou sujeira. Ao ser acionada, a campânula vibra tão fortemente que impede isso.

A buzina plana tem uma frequência bem definida de emissão, devido à ressonância da campânula, o que torna o sinal sonoro claramente audível e de timbre bem personalizado.

Já a buzina caracol, em que pese ter a frequência de ressonância determinada pela distância entre a garganta e a boca, emite um som mais grave, uniforme e suave, espalhado por várias frequências [41].

Ambos os modelos podem ser instalados em dupla, cujos tons precisam ter uma diferença de 65Hz a 100Hz. São comuns os pares de buzinas com frequências de 335/435 Hz, 340/425 Hz, 350/415Hz, 350/420Hz, 420/500Hz e 500/600Hz (fig. 26).

Fig. 26 – Par de buzinas planas Yiyida (335/435Hz), com emissão sonora maior que o permitido pelas normas brasileiras. Fonte: Amazon [42].
Fig. 26 – Par de buzinas planas Yiyida (335/435Hz), com emissão sonora maior que o permitido pelas normas brasileiras. Fonte: Amazon [42].

Requisito importante são as conexões elétricas das buzinas, que devem ser muito confiáveis, porque o consumo de corrente é alto e gira em torno de 4 a 6A por buzina (naquelas de 12V).

Há modelos com um ou dois terminais, que costumam ser do tipo fast-on (terminal chato de encaixe). A buzina com um só terminal recebe o outro polo através do chassi do veículo e pode falhar, se houver ferrugem no suporte de aço. As buzinas modernas geralmente são conectadas com dois terminais de ligação, através de soquete específico.

No lado externo, além dos terminais de conexão há um ajuste, usado para extrair o máximo de volume da buzina. Pode ser necessário retocá-lo, se houver perda de eficiência.

Dependendo do fabricante, pode haver um filtro de teflon na carcaça, que anula a diferença de pressão atmosférica entre o interior e o exterior da buzina e impede a entrada de sujeira.

Lembre-se: toda buzina deve emitir um tom contínuo, limpo e sem falhas.

Se a buzina de seu veículo subitamente variar de tom, tocar mais baixo, oscilar ou às vezes falhar, revise urgentemente todas as conexões, inclusive o botão no volante e o relé de acionamento, porque a buzina é um item obrigatório de segurança e sujeita o condutor a multa.

Em caso de alagamentos, a buzina poderá ter encharcado e não funcionar bem, como se ficasse dando gargarejos (nos modelos com caracol). Seria mais seguro trocá-la, mas pode ser feita antes uma tentativa de expô-la ao sol forte por uns dois dias inteiros, para forçar a evaporação da água que entrou. Devido ao formato do caracol, não há garantia que evapore tudo. Com o tempo, o diafragma poderá oxidar e impedir o funcionamento. Se entrou sujeira esqueça, melhor trocar.

Abrir uma buzina pode piorar a situação, porque as peças geralmente são prensadas e encaixadas em locais exatos, com rebites fortes e qualquer modificação poderá causar falhas de funcionamento. Alguns modelos nem podem ser abertos.

Aliás, o preço não é tão alto para economizar nisso. Entre buzinar ou atropelar alguém, o que fica mais barato?

Fig. 27 – Folheto de instruções das buzinas Mini Fiamm, da década de 1980.
Fig. 27 – Folheto de instruções das buzinas Mini Fiamm, da década de 1980.

SUA SEGURANÇA: no seu veículo, observe e respeite a posição em que o fabricante instalou a(s) buzina(s), porque será a mais eficiente e correta para a dispersão do som. Os modelos de corneta geralmente ficam voltados obliquamente para baixo, para o som refletir na carcaça ou no chão e também para escoar a água que porventura as atingir. Confira as instruções montagem e as condições de garantia das buzinas Mini Fiamm, em foto que guardei de um par que vendi há um bom tempo (fig. 27).

Para quem desejar conhecer em profundidade o funcionamento das buzinas, recomendo a leitura da detalhada tese de mestrado de Miao Yu e Nanhai Huang, do Departamento de Engenharia Mecânica do Blekinge Institute of Technology, da Suécia [43]. Eles sugerem diversas maneiras de aumentar a eficiência desses dispositivos.

As buzinas eletromecânicas continuam a ser fabricadas devido a sua segurança, robustez, confiabilidade, alta emissão sonora e simplicidade de construção. O problema é que o interruptor vibratório delas é um grande gerador de interferência eletromagnética, que pode atrapalhar o funcionamento dos veículos modernos. As buzinas também precisam evoluir, e há novidades.

Fig. 28 – Buzina Bosch H3F Digital Fanfare. Fonte: Bosch Auto Parts [44].
Fig. 28 – Buzina Bosch H3F Digital Fanfare. Fonte: Bosch Auto Parts [44].
Fig. 29 – Buzina Fiamm HK-9E, de acionamento eletrônico. Fonte: Fiamm Components, p.11 [45].
Fig. 29 – Buzina Fiamm HK-9E, de acionamento eletrônico. Fonte: Fiamm Components, p.11 [45].

A Bosch, fabricante de buzinas desde 1921, lançou no comércio a buzina sem o interruptor eletromecânico (Bosch H3F Digital Fanfare – fig. 28). A Fiamm, por sua vez, lançou o modelo para uso industrial HK-9E (fig. 29). Ambas são ativadas por circuito eletrônico, que produz pouca interferência eletromagnética, além de atender e até exceder as normas técnicas pertinentes.

A Bosch [44] comenta que sua buzina H3F é menos suscetível a ambientes agressivos e tem durabilidade até 10 vezes maior, porque não há desgaste mecânico. Pode tocar continuamente por até 3 minutos – as tradicionais tocam 1 minuto no máximo. Buzinas de acionamento eletrônico produzem melhor qualidade de som, com pouca ou nenhuma flutuação, consomem menos corrente elétrica e são adequadas aos atuais veículos, entupidos de eletrônica embarcada.

A buzina GENTIL

Às vezes, precisamos avisar alguém à nossa frente e buzinar pode parecer agressivo. Para evitar isso, podemos montar uma buzina gentil, com um toque bem curto, personalizado, como aqueles alertas de mensagem no celular. No vídeo abaixo, Mark Rober mostra como fazer isso. Essencialmente, aciona uma corneta piezoelétrica com um microcontrolador (Arduino ou qualquer outro), que gera o som ou reproduz uma gravação:

A buzina de “300 dB”

Também estão à venda na internet buzinas que alegam emitir 300dB! Nada mais falso, observe a tabela da fig. 30, que compara os níveis de intensidade sonora. Lembre-se que uma diferença de 3dB é o dobro de potência elétrica e uma diferença de 10dB é 10 vezes mais. Uma emissão sonora tão intensa como 300dB seria destrutiva ao entorno, pois 150dB já é o limiar do pânico e acima de 200dB é mortal. Observe os comentários dos compradores para não se iludir.

Fig. 30 – Tabela comparativa de níveis sonoros. Cuide que as palavras usadas podem parecer estranhas aos brasileiros, porque esta imagem vem de Portugal. Fonte: Câmara Municipal de Almada [46], através de Mondoarq [47].
Fig. 30 – Tabela comparativa de níveis sonoros. Cuide que as palavras usadas podem parecer estranhas aos brasileiros, porque esta imagem vem de Portugal. Fonte: Câmara Municipal de Almada [46], através de Mondoarq [47].

## O mundo das campainhas, buzinas e sirenes – Parte 2

## O mundo das campainhas, buzinas e sirenes – Parte 3 – final

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DICA – Quando a raquete mata-mosquitos vibra

18 de janeiro de 2021 12 comentários

Fig. 1 – Raquete mata-mosquitos parcialmente desmontada.

Fig. 1 – Raquete mata-mosquitos parcialmente desmontada.

Se a raquete mata-mosquitos zumbe e vibra ao acionar o botão e às vezes funciona, outras vezes não, leia esta dica, pode ser um problema bem fácil de resolver.

Ocorre também da raquete ligar normalmente, às vezes até matar algum mosquito, mas não fazer mais aquele estalo típico, nem aparecer a faísca. Saiba como resolver este inconveniente.

Já abordei as raquetes mata-mosquitos em artigo recente no Dicas do Zébio. Aquele post detalha o funcionamento do circuito, como testar os diodos de alta-tensão (AT), as falhas que podem ocorrer na parte eletrônica, a troca do transformador e até como atualizar a raquete, com a instalação de uma pilha de lítio 18650, recarregável por USB. Acesse o texto por AQUI.

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O Natal de 2020

22 de dezembro de 2020 2 comentários

Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Antigas bolas de Natal, feitas de vidro colorido e espelhado.

Que ano! Todos tivemos muitas dificuldades, em razão do confinamento causado pela pandemia.

Mas, estamos em plenas Boas Festas, 2021 está chegando aí e precisamos espairecer.

Descobri por esses dias uma bela canção de Natal, diferente das mesmas de sempre. Não é nova, essa música já tem mais de 30 anos e fez sucesso na Europa dos anos 1980. Por aqui, jamais tocou.

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DICA – Lanterna LED em capacete

27 de outubro de 2020 5 comentários

Fig. 1 – Lanterna LED para cabeça, adaptada em capacete.

Fig. 1 – Lanterna LED para cabeça, adaptada em capacete.

Às vezes, precisamos lidar na penumbra ou na escuridão com a ajuda de uma lanterna. Mas, ocupar uma das mãos com ela atrapalha qualquer serviço.

A solução é uma lanterna de cabeça, que seja fácil de usar. Consegui isso ao adaptar um modelo LED em capacete de segurança, alimentado por pilha de lítio recarregável e substituível. É o assunto deste artigo.

Aproveite para conhecer um circuito simples e eficiente de controle de corrente para LEDs, que funciona com ampla faixa de tensões.

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TÉCNICA – Nikon Coolpix 3200 com pilha de lítio + pilha falsa

1 de julho de 2020 3 comentários

Fig. 1 – Nikon Coolpix 3200, com o compartimento das pilhas aberto.

Fig. 1 – Nikon Coolpix 3200, com o compartimento das pilhas aberto.

Minha primeira máquina fotográfica digital foi esta NIKON Coolpix 3200, que comprei usada. Gosto muito dela, porque apesar de não ser HD é econômica e tira excelentes fotos em close-up.

De uns tempos para cá, a Nikonzinha começou a reclamar de pilhas fracas, mesmo quando novas. Como as pilhas AA de NimH ou mesmo alcalinas de boa qualidade são escassas e caras no Brasil, resolvi adaptar uma pilha recarregável de lítio de 3,7V. Mostro neste artigo como fazer isso. Aproveite também para informar-se melhor sobre as pilhas de lítio.

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Músicas para enlevar

11 de junho de 2020 Deixe um comentário

A internet, às vezes, pode ser muito chata, devido à segmentação, que é o ato deliberado de separar, classificar qualquer coisa em caixinhas. Por exemplo, os diversos estilos musicais.

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TÉCNICA – OUTRO conserto da fonte XBOX ligada em 220V

28 de maio de 2020 8 comentários

Fig. 1 – Placa de fonte XBOX 360 S, com o capacitor eletrolítico de entrada vazado.

Fig. 1 – Placa de fonte XBOX 360 S, com o capacitor eletrolítico de entrada vazado.

Ao ligar em 220V uma fonte chaveada que só aceita 127V, ela pode queimar de maneiras diferentes, dependendo do tempo que o fusível leva para abrir e interromper a corrente elétrica.

No modo mais rápido, queima só o fusível e o varistor. Isso foi tratado em outro artigo, aqui no Dicas do Zébio: Conserto da fonte de XBOX 360 S (Slim) que foi ligada em 220V.

Passados poucos segundos, se o varistor não queimar, o capacitor eletrolítico de entrada da fonte explode e vaza o eletrólito (fig. 1) e então queima o fusível. É disso que vamos tratar hoje.

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CORONAVÍRUS – Não se desespere

6 de abril de 2020 8 comentários

Assim como a alegria, a tristeza também um dia irá passar.

Este vírus nos trancou em casa. A verdade cruel é que parecemos palitos de fósforo: duramos muito pouco e qualquer vento pode nos apagar.

Tire vantagem do isolamento: agora há tempo, faça as coisas sem atropelos, durma mais, mas não exagere, pois as manhãs são sempre agradáveis e bonitas.

Imite os povos orientais, sejam árabes, indianos, chineses, japoneses, coreanos, filipinos, indonésios e outros, que fazem isso há séculos: não entre em casa com os calçados da rua, tenha um par de chinelos ou pantufas à porta, para cada morador. Lave as mãos frequentemente, com água e sabonete.

Converse, ouça melhor aqueles que estão ao seu lado e que todos os dias lhe aturam. Seja mais atencioso e amoroso para com os outros, imagine como está a vida daqueles que moram em uma peça 3×4. Se tiver algum poder, utilize-o para beneficiar os outros.

Coma devagar, saboreie cada garfada. Prepare sua comida com mais carinho e atenção, descubra o valor do orégano e do sal junto do tomate, do alho picado em meio ao queijo aquecido, ou da cebola crua no recheio do pastel. Faça pães, como faziam antigamente, só com 4 ingredientes. Controle sua gula.

Leia aquele livro ou revista que está rolando pela casa, há tempos. Leia outros posts do Dicas do Zébio! Aprenda algo novo ou pratique um instrumento musical. Assista ao que você realmente gosta, não aceite a ansiedade, a indolência e o envenenamento mental, vindos da TV e dos noticiários alarmantes. Ouça músicas sem vídeo, para percebê-las por inteiro.

Sinta o fresco perfume da noite, olhe para o céu, você perceberá que ele não é mais cortado a todo instante por aquelas chatas luzinhas piscantes dos aviões. Com sorte, verá uma lua maravilhosa, ou alguma estrela cadente. Aí, pense num desejo.

Pare de tomar remédio por conta própria, por qualquer dorzinha. Além de não resolver o problema e somente aliviar os sintomas, seu corpo estará de guarda abaixada quando o vírus chegar. Faça algum exercício, nem que seja só arrumar ou limpar a casa.

Ao beber, frua com gosto, como se fosse seu último gole. Afinal, para alguns, poderá ser mesmo.

Pense nos mais idosos, que estão na corda bamba. Pode ser que logo mais, você não consiga nem ir ao enterro deles. Telefone, bata um papo. Lembre-se de alguma piada.

Plante alguma coisa, seja árvore frutífera, tempero ou hortaliça. Meta as mãos na terra, nem que seja na de um vaso. Aproveite para desenrolar as raízes e diminuir o seu tamanho, e replante. Para tudo poder recomeçar.

Sente-se confortavelmente num lugar silencioso, na penumbra e tente ficar quieto, sem pensar. É difícil parar a cabeça, esforce-se, concentre-se em uma só coisa. Pense em um mundo de paz, saúde e alegria. Quando você perceber, os minutos terão se transformado em horas, e você sentirá uma profunda tranquilidade interior.

Faça como os antigos egípcios: todos os dias, abra a boca para o sol, deixe ele ver suas entranhas e lhe curar. Mosca só entra em boca podre.

Afinal de contas, a vida é para ser digerida, já dizia Arroz, um poema coreano.

INFORMAÇÕES

Se você quer informações corretas sobre o coronavirus, acesse o portal da Fiocruz, que tem muito material, inclusive orientações (imprimíveis) sobre os cuidados básicos para preservar nossa saúde, nestes tempos de pandemia.

Para obter notícias consistentes, fora dos meios tradicionais e sem estardalhaço, olhe um noticiário de Portugal, da França ou da Alemanha (todos em nossa língua) e um da Coreia do Sul, em inglês.

Aliás, da Deutsche Welle, tem um interessante artigo sobre como melhorar seu sistema imunológico para enfrentar o vírus: https://www.dw.com/pt-br/como-fortalecer-o-sistema-imunológico-durante-o-isolamento/a-53007971

Se quiser saber como anda o vírus pelo mundo, acesse o portal do Hospital Johns Hopkins, nos EUA, é bem completo, atualiza mais rápido que o da Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro mapa mundial sobre a pandemia é o Worldometers.

No RS, a Secretaria de Saúde divulga a situação do estado em um mapa.

Por fim, lembre-se que todos os dias, o sol nasce para todos.

Arroz – Um poema coreano

3 de março de 2020 3 comentários

Fig. 1 – Arroz (밥 - Bap), de Yang-hee Chun, poema em língua coreana. Fonte: Blog Last-minute Girl [1]

Fig. 1 – Arroz (밥 – Bap), de Yang-hee Chun, poema em língua coreana. Fonte: Blog Last-minute Girl [1]

Arroz – por Yang-hee Chun

Para você que come muito arroz porque está sozinho

Para você que dorme muito porque está entediado

Para você que chora muito porque está triste

Eu escrevi isso.

Mastigue seus sentimentos que estão encurralados

Como você mastigaria arroz

Afinal, a vida é algo que você precisa digerir

O singelo poema “Arroz” (– Bap, em coreano) sintetiza perfeitamente uma boa forma de encarar a vida. O arroz é um alimento sagrado para os orientais, eles o comem em todas as refeições diárias, inclusive no café da manhã. Antigamente, era usado até como dinheiro.

Esse poema aparece nas cenas finais da primeira temporada da série da Netflix “Vamos Comer” (Let’s Eat), dirigida pelo coreano Joon-hwa Park. Curti muito a série e o poema a encerrou com chave de ouro. Assim, foi praticamente uma obrigação saber mais sobre ele e quem o escreveu.

A poetisa sul-coreana Yang-hee Chun (천양희), segundo a Wikipedia [2], nasceu em Busan em 12 de janeiro de 1942, filha mais nova de sete. Cresceu influenciada por seu pai e seu avô, estreou seus poemas em 1965 e parou de escrever de 1969 a 1982, devido ao casamento. Divorciou-se e voltou à ativa em 1983, não sem antes passar pela tuberculose e por problemas cardíacos. Já recebeu vários prêmios literários em seu país, é uma das raras pessoas que alcançou o reconhecimento público na juventude e voltou a ser premiada aos 40 anos de idade.

O site da Biblioteca Digital de Literatura Coreana – LTI Korea [3], mostra uma foto dela, uma entrevista (em coreano…) e as formas de escrever o nome, onde podemos perceber que, dependendo da transliteração, a grafia pode ser ligeiramente diferente.

O poema “Arroz”, traduzido acima, é uma amostra do que essa poetisa consegue criar. Seus textos falam da solidão, das dores e decepções que encontramos ao longo da vida e sugere meios de enfrentá-las. Alguns trabalhos seus foram traduzidos para o inglês e o japonês, mas nada ainda para nossa língua. Agradeço muito ao diretor Joon-hwa Park, que nos brindou com esta pérola

Inserção em 24/10/2021 – OBSERVAÇÃO: Infelizmente, percebi há alguns dias que esta primeira temporada saiu da Netflix e agora tem uma versão tailandesa, simplesmente horrível.  O enredo é o mesmo, adaptado para eles, mas não há como comparar a qualidade dos atores e da produção coreana com as péssimas atuações desta nova versão.  Quem quiser ver a original (inclusive a 3a. temporada, que nunca apareceu na citada operadora de streaming), terá que procurar na Viki ou em outro canal de doramas.

Fig. 2 – Let’s Eat, primeira temporada na Netflix. Fonte: Blog Vamos Falar Disso [4].

Fig. 2 – Let’s Eat, primeira temporada na Netflix. Fonte: Blog Vamos Falar Disso [4].

Let’s Eat já está na terceira temporada, apesar de ainda só aparecerem duas na Netflix. A série é uma comédia romântica, com um toque de gourmet – essa palavra da moda. Todo episódio mostra os atores saboreando uma ou mais refeições, das mais diversas origens, com dicas interessantes sobre os pratos, para que o prazer de comer seja mais intenso. Os atores literalmente comem e bebem, não é como nas novelas brasileiras, que trocam de cena quando a pessoa vai abocanhar algo e depois só aparece com a língua empurrando a bochecha, mastigando nada…

Além das enormes diferenças culturais, fica evidente que eles comem muito bem. É hábito em vários lugares, mesmo nos mais populares, ter frutos do mar ainda vivos, que são mortos na hora de fazer o prato. E é comum as mesas disporem de uma grelha, onde os próprios clientes colocam as porções para assar. Os melhores restaurantes têm um coletor de fumaça para cada mesa. Nota-se que eles estão acostumados à comida fresca, mais nutritiva e saborosa.

Eles não se importam de chupar o lámen com barulho, entornar direto o caldo do prato, ou ficar rolando algum pedaço de comida quente pela boca. A etiqueta, o requinte e a pompa à mesa só servem para aqueles que podem levar 2 horas em cada refeição. O nosso tempo é cada vez mais escasso, precisamos nos ater ao que é importante: saborear bem a comida!

Por conta desta série, tenho sentado mais calmo à mesa, sem atropelos. Presto mais atenção ao gosto de cada garfada. A sensação tem sido muito agradável, diria até de descoberta de sabores que não percebia antes. Mastigo mais e tenho estado mais tranquilo, também.

Em restaurantes, eu comia um tanto rapidamente, apesar de algumas vezes ter visto pessoas servirem-se à minha frente no buffet e irem embora enquanto eu sentava…

Seria interessante que nós, brasileiros, não fôssemos tão vorazes, ansiosos e apressados à mesa, porque isso só nos trará problemas no futuro.

Concordo que a vida é uma correria, mas se aproveitarmos com mais atenção aqueles momentos das refeições (sem olhar o celular, né), muito estresse poderia ser evitado. Isso vale também para aqueles, como eu, que levam marmita para almoçar no trabalho. Pesquisas preveem que o Brasil será o país mais obeso do mundo daqui a 10 anos [5] – estamos em 2020. Imagine, o país mais desigual do mundo também poderá ser o campeão de obesidade!

Voltando ao poema, ele diz que temos que digerir a vida. Não precisa explicar mais nada. Isso é uma das coisas que tenho gostado de ver nos seriados que vem do leste: em cada episódio eu sempre aprendo algo de positivo e interessante.

E o que você tira de bom de uma novela brasileira? Não é só intrigas, ciúmes, brigas, forçação de barra, sexo, soberba, palhaçadas, canalhices e hipocrisia? Sem falar dos estereótipos e da violência. Se queremos um futuro melhor, temos que olhar para coisas boas, desejáveis, que nos façam pensar e comparar com a vida que temos. Porque aqueles seriados coreanos, japoneses, chineses e europeus, contam estórias agradáveis, têm humor na medida certa e sem baixarias, apresentam relações humanas baseadas na franqueza e mostram lugares tranquilos para morar, passear à noite ou conversar calmamente. Aqui, vivemos no sobressalto, a todo momento temos que aguentar um vizinho barulhento na madrugada, um tiro ou um rojão, a sirene de uma ambulância ou da polícia, ou ainda o escapamento aberto de um carro ou moto…

Fig. 3 – Kaoru Kobayashi, o “Mestre” da série Jantar da Meia-noite (Midnight Dinner). Fonte: Peach no Japão [6].

Fig. 3 – Kaoru Kobayashi, o “Mestre” da série Jantar da Meia-noite (Midnight Dinner). Fonte: Peach no Japão [6].

Para completar este texto sobre vida e comida, lembro que a Netflix trouxe do Japão a elogiadíssima série “Jantar da meia noite” (Midnight Dinner), já com duas temporadas – está saindo a terceira -, em que um pequeno restaurante em Tóquio abre à meia-noite e fecha às sete da manhã. O “mestre” faz o prato que o cliente pedir, se tiver os ingredientes. Cada episódio é curto, dura cerca de 20 minutos e conta uma estória envolvendo um prato preferido de alguém. É extremamente agradável de assistir, foi feito com muito cuidado: se você observar, perceberá que a abertura de cada episódio é ligeiramente diferente da anterior. Também há dicas sobre o preparo dos pratos, às vezes tão simples como uma salsicha empanada. E não sou só eu que falo bem [6][7].

Pense o seguinte: adianta você viver apressado e aflito, cheio de preocupações e traumas, enquanto a vida está passando? Saborear a comida é o que nos devolve aos eixos – desde que você deixe a gula de lado. Agradeça aos céus por ter recebido a refeição e aprecie o momento…

Nota Final

Uma curiosidade sobre o nome dos coreanos: ele é composto por duas partes, ao passo que o sobrenome é um só. Sempre. Assim, um nome como o da excelente cantora Youn-sun Nah, pode ser explicado como o nome (Youn-sun) e o sobrenome ou nome da família (Nah). E quando escrevem, fazem como os americanos: geralmente o sobrenome vem primeiro (Nah Youn Sun). Procure pela Youn-sun Nah no Youtube, a música “My Favorite Things” [8] é uma amostra do que ela faz com a voz. O site da cantora é https://www.younsunnah.com/

Referências

[1] Last-minute Girl – Rice Poem (Chun Yang Hee) – Hangul and translation – Let’s eat – http://last-minute-girl.blogspot.com/2014/09/rice-poem-chun-yang-hee-hangul-and.html

[2] Wikipedia – Cheon Yang-hee https://en.wikipedia.org/wiki/Cheon_Yang-hee

[3] Digital Library of Korean Literature – Chun Yang Heehttps://library.ltikorea.or.kr/node/31514

[4] Blog Vamos Falar Disso – Crítica – Let’s Eathttp://vamosfalardisso.com.br/critica-lets-eat/

[5] BBC – 2015 – Brasil pode ser o pais mais obeso do mundo em 15 anos – https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150826_obesidade_infantil_mdb

[6] Peach no Japão – Piti Koshimura – Curiosidades sobre a série Midnight Dinner – Tokyo Stories – https://peachnojapao.com/cultura/cinema/curiosidades-sobre-a-serie-midnight-diner-tokyo-stories/

[7] Nerd Cult – Conheça Shinya Shokudo, O Jantar da Meia-noite – https://www.nerdcult.com.br/2017/02/conheca-shinya-shokudo-o-jantar-da-meia.html

[8] Youtube – Youn-sun Nah – My Favorite Thingshttps://youtu.be/v3q6L8ONqCI

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Como resolver qualquer problema

26 de agosto de 2019 12 comentários

Esquema para resolver qualquer problema

Este esquema é muito famoso na Itália (procure por “Schema per la soluzione di ogni problema”) e encaixa em qualquer profissão ou assunto. Quantas vezes presenciamos alguém inescrupuloso dizer:

– Não fui eu, foi ele…

Observe que será mera coincidência qualquer semelhança com os dias atuais, nos quais o espalhamento de mentiras tornou-se corriqueiro e é feito por quem devia dar o exemplo (seja juiz, policial, doutor, jornalista ou político).

Se você quiser continuar a brincadeira, poderá editar ou traduzir o fluxograma, esteja à vontade, baixe DAQUI o original em formato .odg (compactado em formato zip).