Anúncios
Início > Eletrônica, Manutenção > TÉCNICA – Conserto de fonte bivolt XBOX compatível

TÉCNICA – Conserto de fonte bivolt XBOX compatível


Figura 1 – Identificação dos polos do conector da fonte XBOX para o modelo 360 S.

Figura 1 – Identificação dos polos do conector da fonte XBOX para o modelo 360 S.

Conserte e compreenda o funcionamento de uma fonte bivolt, compatível com a plataforma XBOX 360 S.

Saiba como adaptar uma fonte ATX para ser comandada pelo XBOX, da mesma maneira que a original. É uma alteração totalmente reversível. De quebra, conheça melhor os transistores MOSFET de potência.

Teste da fonte XBOX 360 S

Primeiramente, vamos comprovar se a fonte de alimentação está com defeito mesmo.

Pode-se testar qualquer fonte do XBOX 360 S, isolando as capas internas do conector da fonte com dois tocos de espaguete ou de canudinho de refrigerante. Inserindo cada pedaço num dos plugues, eles servem para isolar as conexões. Assim, consegue-se ativar a fonte (LED na cor verde) e medir as tensões da saída, como demonstra o vídeo acima.

Após fazer a conexão de ativação, pode demorar alguns instantes para o LED ficar verde, depende da fonte.

Caso ocorra algum curto-circuito, a fonte entrará em proteção e provavelmente ficará bloqueada. A solução será desligá-la da rede elétrica, aguardar vários minutos até descarregar todos os capacitores, para recomeçar os testes.

Pode-se também só conectar a fonte ao XBOX (sem ligar na rede elétrica) e apertar o botão para ligar. Isso costuma descarregar os capacitores da fonte.

Olhe cuidadosamente a figura 1. O conector da fonte do XBOX 360 S engana, pois a capa metálica externa de cada um dos plugues NÃO TEM NADA A VER com a respectiva face interna, são conexões diferentes!

As duas mangas externas são ligadas ao GND (terra ou zero volt) e as duas faces internas, ao +12V. No entanto, só é possível medir esses 12V após ativar a fonte. Os +5Vsb (StandBy) podem ser medidos a qualquer tempo, pois esta tensão é fornecida permanentemente à console, para que ela possa comandar a fonte.

Olhando o conector da fonte com a face chanfrada virada para baixo, o pino do plugue esquerdo é a entrada PS_ON (ou CTL, em fontes compatíveis). O pino do plugue direito é a saída dos +5Vsb da fonte, que possibilita à console controlar a energia. Basicamente, o que a console faz para ativar a fonte é ligar o PS_ON no +5Vsb, como demonstramos no vídeo.

Ligou a fonte XBOX original em 220V?

Se a fonte não funcionar, pode ser que ela tenha sido indevidamente ligada em 220V. Fiz um post sobre este problema, que é extremamente comum, acesse o artigo AQUI.

Comparação entre a fonte XBOX original e a imitação

A maior vantagem, em relação ao modelo original para o XBOX 360 S é que a cópia é bivolt automático, não queima por ligar em 220V. Mas com o uso, aparecem outros problemas, que são resultado das economias de projeto.

Figura 2 – Etiquetas de fontes para o XBOX 360 S. A da direita é o original, a da esquerda é a cópia, de marca desconhecida e bivolt automático.

Figura 2 – Etiquetas de fontes para o XBOX 360 S. A da direita é o original, a da esquerda é a cópia, de marca desconhecida e bivolt automático.

Figura 3 – Vista das fontes pelo lado do LED, a fonte da direita é a original.

Figura 3 – Vista das fontes pelo lado do LED, a fonte da direita é a original.

Figura 4 – Vista das fontes pela entrada da rede elétrica, a fonte da direita é a original.

Figura 4 – Vista das fontes pela entrada da rede elétrica, a fonte da direita é a original.

Figura 5 - Vista lateral das fontes, a de cima é a original.

Figura 5 – Vista lateral das fontes, a de cima é a original.

Figura 6 – Vista interna das ventoinhas, a de cima é a original.

Figura 6 – Vista interna das ventoinhas, a de cima é a original.

A fonte compatível deixa a desejar, por exemplo, na ventilação dos componentes. Comparando com a original (figuras 2 a 6), há menos aberturas de ar, o que pode piorar o desempenho em lugares quentes. Além disso, a ventoinha é montada na tampa, em cima do estágio primário, mas é o secundário que mais aquece, como se nota nas manchas escuras da placa (figura 7). A fonte original tem a ventoinha no mesmo lugar, mas há um caminho bem determinado para o fluxo de ar atingir as peças mais quentes. Inclusive, a ventoinha fica escondida na tampa.

A capacidade de corrente é outra característica importante, pois uma fonte para o XBOX 360 S precisa fornecer pelo menos 9,6A em 12V e 1A em 5V, que totalizam 120W de potência. Neste quesito a fonte imitação fornece mais que o necessário. Segundo a etiqueta do fabricante, ela entrega 10,83A na linha de +12V e 1A no ramo de +5Vsb (135W de potência).

Para comparação, na figura 8 aparece a placa de uma fonte original XBOX. Este modelo é mais curto que outra fonte, também original, abordada em post anterior (VER AQUI).

Figura 7 – Localização dos capacitores C19 e C20 na fonte compatível. Junto deles é possível perceber que a placa ficou mais escurecida, devido ao aquecimento.

Figura 7 – Localização dos capacitores C19 e C20 na fonte compatível. Junto deles é possível perceber que a placa ficou mais escurecida, devido ao aquecimento.

Figura 8 – Placa da fonte original do XBOX.

Figura 8 – Placa da fonte original do XBOX.

O defeito

Ao abrir a fonte, ela exalava aquele cheiro característico de componente eletrônico queimado. O capacitor eletrolítico C20, de 2200uF/25V, estava estufado. Ao medi-lo, sua capacitância estava quase na metade do valor nominal (figura 9). Por sorte não vazou, senão teria que limpar toda a placa com álcool isopropílico, pois o eletrólito desses capacitores é corrosivo e condutor de eletricidade.

O capacitor seguinte na linha de 12V, C19, também tinha a capacitância diminuída e estava com 2000uF, 10% abaixo do valor de fábrica. É o limite inferior de tolerância para eletrolíticos, que fica entre -10% e +30%. C19 forma um filtro π (a letra grega Pi) com L1 e C20, que é muito eficiente para “amansar” a ondulação (ripple) da linha de 12V.

Figura 9 – Capacitor C20, de 2200uF/25V. Observe que a capacitância dele está bem abaixo do valor nominal.

Figura 9 – Capacitor C20, de 2200uF/25V. Observe que a capacitância dele está bem abaixo do valor nominal.

Como o capacitor C20 é o primeiro a filtrar os 12V depois da retificação, ele fica sujeito a maior aquecimento que os capacitores subsequentes, pois trabalha com pulsos limpos, com o máximo de ondulação. E a linha de +5Vsb é extraída junto dele, o que ajuda a aumentar o ripple.

Além disso, altas frequências de trabalho não harmonizam com altas capacitâncias. Capacitores de grande valor tem elevada autoindutância e precisam de maiores tempos de carga e descarga. É a tal da reatância do capacitor (impedância), que quanto mais alta for, mais irá rejeitar a troca rápida de estado. Por isso eles aquecem quando são exigidos em ciclos de carga e descarga de alta intensidade e velocidade.

A solução para isso seria distribuir o valor necessário de capacitância entre 2 ou 3 capacitores, pois cada um deles terá uma autoindutância muito menor, diminuindo sensivelmente a geração de calor. Em razão dos custos, muitos fabricantes preferem passar batido por isso.

Além desses componentes, o LED bicolor estava com a cor verde queimada. A cor verde indica o funcionamento normal. É provável que o LED tenha queimado após C20 estufar, pois isso elevou o nível de ripple da fonte e pode ter estressado o componente.

Por precaução, também foram trocados C3 e C13, ambos de 22uF/50V, pois são responsáveis, respectivamente, pela filtragem da tensão para o conversor PWM e pelo estágio de ativação da saída, formado por Q5, Q6 e IC2.

Figura 10 – Esquema da fonte bivolt automático, compatível com XBOX 360 S.

Figura 10 – Esquema da fonte bivolt automático, compatível com XBOX 360 S.

O circuito

A figura 10 mostra o esquema extraído desta fonte. Clicando na imagem com o lado direito do mouse, escolha abrir nova aba (ou guia), para acompanhar as explicações com o desenho em tamanho normal. Alerto que a intenção deste desenho é somente informativa, para ajudar no diagnóstico. Não foram identificados os capacitores SMD e os diodos. Eventualmente, poderá haver algum erro no esquema, por causa do pouco tempo que tive para desenhá-lo.

Uma característica deste circuito é que nas referências de vários componentes não são respeitadas as respectivas funções, elas simbolizam mais o encapsulamento. Por exemplo, o regulador Q2 e os diodos Q7 e Q8 não são transistores, apesar de usarem invólucro TO-220. Do mesmo modo, IC2, que tem encapsulamento de circuito integrado (SO-8), mas é um transistor.

Além disso, as cores dos fios de conexão com a console não são as mesmas utilizadas pela fonte original, como demonstra a figura 11. No modelo compatível, o fio branco corresponde ao +5Vsb (StandBy – tensão sempre presente), o vermelho ao +12V, o verde é do CTL (PS_ON) e o preto é o terra (ground, GND, cujo potencial é zero Volt).

Na fonte XBOX original, as cores são quase todas iguais às do padrão de fontes ATX. O fio vermelho é do +5Vsb, o amarelo é do +12V, o azul é o do PS_ON e o preto é o terra. Há também um fio cinza, para o sensor de corrente (Rsense), ligado dentro do plugue ao terra. A conexão Rsense não existe na fonte compatível.

Figura 11 – Conexões da fonte XBOX com a console, a fonte original é a da direita.

Figura 11 – Conexões da fonte XBOX com a console, a fonte original é a da direita.

Figura 12 - Placa da fonte compatível XBOX, lado cobreado. O lado primário está à esquerda das fendas verticais de isolamento, compare com a figura 7 e com o esquema.

Figura 12 – Placa da fonte compatível XBOX, lado cobreado. O lado primário está à esquerda das fendas verticais de isolamento, compare com a figura 7 e com o esquema.

Se traçarmos uma linha vertical que passe pelo meio do transformador do esquema da figura 10, à esquerda fica o lado “vivo”, ligado ao primário do transformador. É o estágio de chaveamento, que pode causar choques fatais, muito cuidado, portanto. O integrado IC1 (OB2269, com encapsulamento SMD de 8 pinos SO-8, é o conversor PWM (Pulse Width Modulation – Modulação por Largura de Pulso). Ele está montado no lado cobreado da placa (figura 12, também à esquerda). A folha de dados – datasheet – do OB2269 está AQUI.

À direita daquela linha vertical imaginária fica o secundário, responsável pela retificação e filtragem da tensão de 12V. O transformador também tem nesse lado uma saída de tensão exclusiva, via D6 e C13, para o estágio de estabilização (Q3, IC3 e arredores).

A tensão de saída é monitorada por Q3 (TL431 – uma conhecida referência de tensão, cuja folha de dados está AQUI). Ele recebe a informação através do divisor de tensão formado por R20 em paralelo com R24, ligados na linha de 12V, junto a C19. A outra metade do divisor de tensão é R22, ligado à terra. As variações de corrente sobre o TL431 são repassadas para o acoplador óptico IC3 (PC817, folha de dados AQUI).

Assim, a luminosidade do LED interno do acoplador óptico acompanha a tensão de saída, que num primeiro momento varia conforme o consumo. Isso altera a polarização do fototransistor (pinos 3 e 4 de IC3). A acoplamento óptico entre o LED e o fototransistor, ambos dentro do PC817, garante uma isolação galvânica de 5000V, o que permite interligar estágios com tensões e impedâncias muito diferentes.

O fototransistor, por sua vez, altera a corrente no pino 2 (FB = feedback = realimentação) do conversor OB2269, que então compensa a largura dos pulsos (sinal PWM) entregues ao transistor Q1. O transistor MOSFET Q1 (WFF10N60, folha de dados dele AQUI) realiza o chaveamento do transformador.

Os pulsos induzidos no secundário desse transformador, após retificação e filtragem, originam a tensão contínua de 12V. É a largura ajustável desses pulsos entregues a Q1 que estabiliza a tensão de saída de 12V, dependendo do consumo de corrente, informação essa repassada (realimentada) ao primário pelo acoplador óptico.

A saída de +5Vsb é regulada independentemente pelo 7805.

Segundo a folha de dados do OB2269, a frequência de trabalho do oscilador PWM é dada pelo resistor ligado no pino 4 (RI), pela fórmula F=6500/R. O resultado é dado em KHz, mas creio haver algum erro aí, pois o valor de R43, ligado no pino 2 é de 24K, o que daria uma frequência de 0,270 Khz. Isso dá 270Hz, o que é inadmissível, pois é frequência muito baixa, audível. Não medi a frequência de trabalho, mas pelo tamanho do transformador, deve ser 27KHz ou 270KHz.

A tensão de 12V é retificada por dois diodos duplos, que infelizmente, esqueci de identificar. Certamente são diodos muito rápidos, cada em deve aguentar pelo menos 2x6A. Na fonte original XBOX original, só tem um diodo Schottky, de 2x15A, o STPS3045CTC, a folha de dados dele está AQUI.

Os +5Vsb são extraídos da linha de +12V, através do regulador 7805 (Q2). Este regulador fornece corrente máxima de 1A, mas para fornecer esta corrente, deveria estar acoplado a um bom dissipador. Provavelmente a console não usa toda a capacidade de corrente. A folha de dados do 7805 está AQUI.

A linha de +12V é ativada pelo transistor MOSFET IC2 (HP4401DY), que parece um circuito integrado, pois usa um encapsulamento SMD de 8 pinos (SO-8), como se nota na figura 13. Nestes encapsulamentos, quando há vários pinos soldados junto é sinal que eles tem a mesma função e servem para aumentar a capacidade de corrente. Nesse caso, o terminal 4 é a porta (gate), os pinos 1,2 e 3 são do supridouro (source) e os pinos 5, 6, 7 e 8 são do dreno (drain). Este transistor funciona como uma chave e a folha de dados dele está AQUI.

Figura 13 – Lado cobreado do estágio secundário.

Figura 13 – Lado cobreado do estágio secundário.

Nesse circuito, o LED bicolor tem 2 funções: ao ligar a fonte na rede elétrica, as duas cores ficam acesas, gerando a luz laranja. Quando a console do XBOX aciona a fonte, o LED vermelho é aterrado por Q4, fazendo com que seja emitida só a luz verde. Q4 é ativado pelos +12V, que foram liberados por IC3. Devido a essa configuração, o LED vermelho jamais irá indicar algum estado de falha, como acontece com a fonte original.

XBOX ligado em fonte ATX

É natural associar a fonte do XBOX com as fontes ATX dos computadores, que fornecem esses níveis de tensão (+5Vsb e +12V) e entregam correntes bem mais altas (figura 14).

Figura 14 – Etiquetas de fontes ATX: Corsair, de 500W e Bestec, de 300W. Em destaque, as capacidades de corrente das linhas de +5Vsb e +12V.

Figura 14 – Etiquetas de fontes ATX: Corsair, de 500W e Bestec, de 300W. Em destaque, as capacidades de corrente das linhas de +5Vsb e +12V.

No entanto, o pino CTL (ConTroL) ou PS_ON (Power Supply ON) da fonte do XBOX não tem o mesmo comportamento do pino PS_ON# das fontes ATX. Enquanto estas necessitam aterrar o fio de comando para ligá-las, a fonte do XBOX precisa de +5V na linha PS_ON.

Quando contornada essa diferença, é possível transformar qualquer fonte de PC em fonte de XBOX. Segundo as especificações para desenvolvedores de fontes ATX [1], a conexão PS_ON# desses equipamentos tem os seguintes requisitos:

– É ativada com nível TTL baixo (menor que 0,8V);

É desativada com nível TTL alto (maior que 2,0V);

– Aceita histerese de 0,3V, para cada um dos patamares de acionamento;

– A corrente máxima é menor que 2 mA, no nível lógico baixo;

– Necessita de um resistor pull-up interno (resistor ligado a um potencial positivo, que mantém o nível alto quando não há conexão);

– A tensão pode chegar no máximo a 5,25V;

– Deve ter proteção anti-ressalto (debouncing), para evitar acionamentos erráticos por causa de chaves mecânicas.

Conhecendo estes requisitos, percebemos que só é necessário montar um circuito inversor com um transistor, que aterre a conexão PS_ON# da fonte ATX, ao receber +5V.

Nesse caso, o uso de transistor NPN (bipolar) não é recomendado, devido à intrínseca barreira de potencial das junções de silício. Durante a condução, há uma tensão entre coletor e emissor (Vce) de cerca de 1,7V, bem mais alta que um dos limiares TTL de acionamento (0,8V).

Já os transistores MOSFET não tem barreira de potencial entre seus terminais. A porta (terminal G, de Gate) tem a mesma função da base dos transistores NPN e PNP, é o terminal de controle do componente. Os terminais dreno (D) e supridouro (S) do MOSFET são equivalentes ao coletor e emissor dos transistores de silício. Mal comparando, um transistor MOSFET canal N é equivalente ao transistor bipolar NPN, do mesmo modo que o MOSFET canal P é equivalente ao transistor PNP.

A diferença básica entre esses transistores é a forma de polarização. Enquanto nos bipolares o controle é feito pela corrente de base, nos MOSFET a polarização é determinada pela tensão de porta. A porta tem impedância tão alta que a corrente nela é desprezível. Obviamente, entram em jogo outras características, como a capacitância de porta, que limita a frequência máxima de trabalho.

Quando um transistor MOSFET está ligado, forma-se virtualmente um curto-circuito entre o dreno e o supridouro, coisa de alguns miliohm. Este valor de resistência é a RdsResistance Drain-Supply ou Resistência Dreno-Supridouro, que o fabricante informa na folha de dados. Através da Rds, podemos calcular a potência dissipada no transistor (se as condições de chaveamento forem semelhantes), usando a velha e conhecida Lei de Ohm.

Por isso que os transistores MOSFET são ideais para funcionar como chaves, pois quanto menor a Rds, menor será o aquecimento da junção e maior a capacidade de corrente.

Um detalhe sobre o símbolo dos MOSFET, em comparação com transistores bipolares. Agora, a seta dentro do símbolo indica o sentido real da corrente (do negativo para o positivo, pois só os elétrons – de carga negativa – tem mobilidade). Os transistores bipolares indicam o sentido convencional da corrente (do positivo para o negativo).

Todos os MOSFET são sensíveis à eletricidade estática e por isso têm um diodo interno entre os terminais D e S, em polaridade oposta à de condução do componente. Conforme a conveniência, este diodo pode estar representado ou não no símbolo do transistor MOSFET. A figura 15 dá uma ideia do que estamos falando.

Figura 15 – Na parte superior, símbolos de transistores MOSFET de canal N e P, abaixo, símbolos de transistores NPN e PNP.

Figura 15 – Na parte superior, símbolos de transistores MOSFET de canal N e P, abaixo, símbolos de transistores NPN e PNP.

Outro detalhe é a tensão de porta necessária para os transistores MOSFET apresentarem a menor Rds (condução total). A tensão nominal entre porta e supridouro (VgsVoltage Gate-Supply) é de 10V. Há transistores MOSFET que chaveiam com níveis TTL e conduzem plenamente com 5V na porta. Alguns fabricantes informam a Rds com 4,5V e com 10V de porta.

Mesmo com essa diferença, a imensa maioria dos MOSFET conduz muito bem quando Vgs atinge 2 ou 3V, apenas a Rds não alcança o valor mínimo.

No nosso caso, como a corrente que passará pelo MOSFET é muito baixa (máximo de 2mA), Rds não é importante e podemos usar 5V na porta. Pelos testes efetuados, praticamente qualquer transistor MOSFET de canal N poderá servir. A figura 16 mostra alguns MOSFET de potência, separados por tipo. Todos esses manejam correntes de 10A ou maiores e equivalem a usar um caminhão para transportar uma maletinha de meio quilo…

Os componentes menores (com encapsulamento TO-252) foram extraídos de sucatas de placas-mãe de computadores, pois eles aparecem em grande quantidade ao redor do processador, no VRM (Voltage Regulator Module ou Módulo Regulador de Tensão). O VRM serve para adequar os requisitos de energia para o processador e memória, principalmente.

A figura 17 mostra parte dessa área numa placa mãe. Note que no entorno do soquete do processador há vários transistores de chaveamento, bobinas e capacitores (que geralmente são de eletrólito sólido, pois são muito exigidos).  Se quiser conhecer mais sobre capacitores para computadores, acesse meu post sobre a reativação de um servidor Dell, AQUI.

Figura 16 – Transistores MOSFET retirados de sucata. O grupo da esquerda tem portas sensíveis ao nível lógico TTL (AOD420, SUD50N02406P, 2SK3919, SMP60N03, MTP52N06V e SSM40N03P). O grupo da direita funciona com 10V de porta (2SK4213A, 2SK4212A, 2SK3570 e NDP6060).

Figura 16 – Transistores MOSFET retirados de sucata. O grupo da esquerda tem portas sensíveis ao nível lógico TTL (AOD420, SUD50N02406P, 2SK3919, SMP60N03, MTP52N06V e SSM40N03P). O grupo da direita funciona com 10V de porta (2SK4213A, 2SK4212A, 2SK3570 e NDP6060).

Figura 17 – Parte de placa-mãe Gigabyte GA945SGCM-S2C, onde é possível ver diversos transistores MOSFET (2SK3918 e 2SK3919) no estágio VRM, junto com capacitores e bobinas (caixinhas pretas).

Figura 17 – Parte de placa-mãe Gigabyte GA945SGCM-S2C, onde é possível ver diversos transistores MOSFET (2SK3918 e 2SK3919) no estágio VRM, junto com capacitores e bobinas (caixinhas pretas).

Figura 18 – Circuito para comandar uma fonte ATX com o XBOX 360 S.

Figura 18 – Circuito para comandar uma fonte ATX com o XBOX 360 S.

Figura 19 – Ligação de fonte de PC e circuito de comando no cabo de fonte XBOX.

Figura 19 – Ligação de fonte de PC e circuito de comando no cabo de fonte XBOX.

As figuras 18 e 19 mostram o circuito e o diagrama de montagem. Com ele, a console do XBOX 360 continuará comandando a fonte. O transistor MOSFET é acionado por uma tensão na porta, proveniente da console. A tensão de acionamento vem do +5Vsb da fonte.

Os valores dos componentes não são críticos. O resistor de 100K e o capacitor de 5nF servem para manter a porta desligada e evitar acionamentos indevidos, por causa de ruído. O resistor de 1K em série com a entrada evita a passagem de altas correntes. Essa placa foi montada com um 2SK4212A, que trabalha bem com níveis TTL na entrada.

Qualquer fonte ATX no XBOX

Na adaptação anterior, a inicialização poderia ser um tanto pesada para a fonte, que mesmo sendo de boa qualidade, entraria em proteção, devido ao forte consumo inicial.

Para esses casos, é preciso adicionar um circuito de retardo, que faça a fonte ATX ligar primeiro e só energize a console depois de algum tempo (2 segundos, em média). Isto pode ser feito com um MOSFET chaveando a saída, do mesmo modo que a fonte compatível (rever a figura 10, IC2 e arredores).

O problema aqui é a polarização do MOSFET que fará o retardo. Como ele fica na linha de +12V, se ligarmos a porta ao dreno (através de um resistor de 100k), haverá uma queda de tensão no supridouro e o XBOX não funcionará.

Agora é necessário abrir a fonte e tirar uma tensão de polarização junto do diodo (ou diodos) que retificam a linha de 12V. Retificando e filtrando separadamente estes pulsos, é possível conseguir uma tensão um pouco mais alta, suficiente para polarizar corretamente o MOSFET. Se houver no secundário da fonte um estágio com tensão acima de 12V, ele poderá ser utilizado. Observe que o esquema da figura 10 mostra exatamente isso, para acionar IC2, através da tensão extraída por D6 e C13.

O circuito do retardo está na figura 20. Na figura 21, temos o esquema de uma fonte ATX qualquer, com destaque para o ponto onde deve ser retirada a tensão para polarização do MOSFET. E na figura 22, um panorama das ligações com o XBOX.  Para outras fontes, é só seguir, da saída para a entrada, o percurso da linha de 12V, até o estágio de retificação desta tensão.

Figura 20 – Circuito de acionamento com retardo

Figura 20 – Circuito de acionamento com retardo

Figura 21 – Fonte ATX, em destaque o ponto onde deve ser retirada a tensão de polarização para o MOSFET. Fonte: Elektrotanya [2].

Figura 21 – Fonte ATX, em destaque o ponto onde deve ser retirada a tensão de polarização para o MOSFET. Fonte: Elektrotanya [2].

Figura 22 – Ligações do adaptador com fonte ATX para XBOX, com retardo.

Figura 22 – Ligações do adaptador com fonte ATX para XBOX, com retardo.

O funcionamento do circuito ocorre da seguinte maneira:

1) Com a fonte ATX plugada na console, conecta-se o cabo da rede elétrica. Neste momento, a fonte fornece tensão somente na saída de +5Vsb;

2) Ao ligar a console XBOX, esses +5Vsb são repassados para a porta de Q100;

3) Q100 é um transisfor MOSFET canal N, que aterra a conexão PS_ON# e liga imediatamente a fonte ATX. Neste momento, todas as saídas da fonte são ativadas e ficam na tensão nominal;

4) Ao mesmo tempo, Q200, outro MOSFET canal N, ligado na saída de +12V da fonte ATX, começa a receber uma tensão cada vez maior em sua porta através de sua fonte exclusiva;

5) Q200 não conduz imediatamente, porque C201 está carregando. Assim que Q200 passa a conduzir, os +12V são levados para o XBOX.

7) Ao desligar a console, Q100 desarma imediatamente a conexão PS_ON#.

8) E a saída de +12V é bloqueada lentamente.

Observação: no circuito de retardo, é melhor que o MOSFET Q200 aceite o acionamento por nível lógico. Agora a Rds é importante, porque qualquer resistência causará aquecimento no transistor. Por isso, é preciso usar transistor MOSFET com grande capacidade de corrente, como aqueles das placas-mãe. O 2SK3919, por exemplo, aceita níveis lógicos e pode manejar até 64A, naquele tamanho… O mesmo vale para o 2SK3570 (48A máximos).

Outra opção é usar transistores MOSFET em paralelo, que é vantajoso devido ao equilíbrio térmico. Como o aquecimento aumenta a Rds, a corrente migra para o transistor mais frio, que tem menor Rds, compensando a diferença.

MAS, se mesmo extraindo a tensão de polarização de Q200 junto da retificação de 12V da fonte ATX e ele continuar apresentando uma tensão entre dreno e supridouro maior que 0,2V, a única solução será adicionar uma fonte qualquer de 12V, totalmente independente, só para alimentar o retardo.  Daí a adaptação já começa a ficar meio complicada…

Defeitos em XBOX

Para quem desejar conhecer várias dicas de conserto da console XBOX, recomendo o extenso trabalho de Adrian Callaghan [3], que pode ser baixado AQUI.

Há algum tempo, fiz um post sobre o problema de ligar a fonte do XBOX em 220V, e como consertá-la. Acesse AQUI.

E como curiosidade, Benjamin Heckendorn [4] mostra como fazer do XBOX 360 um laptop…

Façam bom proveito das informações!

Referências

[1] Form Factors – ATX specification v 2.2http://www.formfactors.org/developer%5Cspecs%5Catx2_2.PDF

[2] Elektrotanya – Sunny ATX-230 PC power supply – https://elektrotanya.com/sunny_atx-230_pc_power_supply_sch.pdf/download.html

[3] Adrian Callaghan – XBOX Repair Guide – http://adriancallaghan.co.uk/wp-content/downloads/Guides/XBOX_REPAIR_GUIDE.pdf

[4] Engadget – How to make an XBOX 360 laptophttps://www.engadget.com/2007/04/18/how-to-make-an-xbox-360-laptop-part-1/

\ep/

Anúncios
  1. D ANGELO DE OLIVEIRA E SILVA
    9 de setembro de 2017 às 09:36

    Cara, cada vez mais fã dos seus artigos. Se fossem mais numerosos, teria leitura semanal garantida! Imagino que o tempo lhe seja escasso, e por isso vale a pena esperar cada post – ainda que com grande latência.

    Grande abraço!
    D’Angelo

    • 10 de setembro de 2017 às 21:23

      D Angelo, realmente, gostaria de ter o dobro do tempo para fazer os artigos… Além disso, estou preparando mais uma parte dos filamentos LED, que está me absorvendo bastante. Daí, quando dá um tempo, no meio dos grandes artigos, coloco outros menores. E leve em conta que todos são feitos com muito esmero. Obrigado pela leitura, continue prestigiando, porque tem muitas novidades em breve!

      • DANGELO DE OLIVEIRA E SILVA
        11 de setembro de 2017 às 11:58

        Quanto ao prestígio, dê como certo! Atento ao e-mail.

        Sou professor universitário e, embora minha área de atuação não tenha ligação explícita com os temas aqui publicados, gosto de acompanhar a metodologia empregada para a criação de seus trabalhos. Como entusiasta e “hobista”, aprendo muito com suas revisões e explicações. Certamente são meus elogios compartilhados por muitos nesse país. Desejo muito sucesso!

      • 11 de setembro de 2017 às 22:47

        Dangelo, não posso dizer que tenho uma metodologia, pois não sou professor… Mas sempre gostei de ensinar o que aprendi. Isso me lembra da época de programação de computadores, lá por 1983, na universidade. Gostava tanto da disciplina que fiquei como monitor por dois semestres e apesar de haver outros monitores na época, havia muito o costume de fazer segredo sobre a tal da informática… Eu explicava tudo o que me pedissem, tinha sempre muito mais alunos para atender do que eles todos juntos. Porque senti na pele quando quis aprender e ficavam me enrolando, tive que fazer por minha conta, dando cabeçadas. Não gosto desse hábito de apropriação do conhecimento. Informação é para ser disseminada, da forma que ressoe melhor em cada um. Eu abomino o hábito que alguns tem de induzir os outros em erro, justamente por estarem de posse de informação privilegiada.

  1. 10 de setembro de 2017 às 22:25

Colabore para melhorar este texto

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: