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AS LÂMPADAS FLUORESCENTES COMPACTAS PODEM DANIFICAR A PELE?

6 de outubro de 2013

Lâmpada fluorescente compacta espiralada, cor branco frio, ligada.

As lâmpadas fluorescentes compactas (LFCs), muitas vezes relacionadas como uma alternativa ecológica às incandescentes, podem causar danos à pele, de acordo com um novo estudo realizado na Universidade Stony Brook, NY, Estados Unidos.

Os bulbos já são conhecidos pelos atribuídos perigos da utilização do mercúrio, um elemento tóxico, apesar de ser em quantidades muito pequenas, como os seus fabricantes são rápidos em apontar. Regulamentações em partes dos Estados Unidos e na União Europeia limitam o mercúrio até 3,5 miligramas por bulbo, sendo que o limite deverá cair para 2,5mg no próximo ano.

Agora, pesquisadores descobriram que radiações ultravioletas que escapam através das LFCs podem causar danos nas células da pele. Miriam Rafailovich, uma professora de ciência dos materiais e engenharia da Stony Brook, conduziu a pesquisa após a leitura de um artigo em um jornal israelense que relatou um pico de câncer de pele em uma fazenda comunitária quando seus residentes trocaram para bulbos fluorescentes.

Nos últimos dois anos, alguns relatos perturbadores vieram à tona, a sua maioria na literatura da União Europeia, que indicava que exposições aos bulbos das LFCs poderiam ser responsáveis por exacerbarem certas condições na pele, tais como fotodermatoses e câncer de pele em humanos,” diz o artigo, publicado no mês passado na revista Photochemistry and Photobiology.

O problema está em como os LFCs são desenhados. Lâmpadas fluorescentes, grandes e compactas, funcionam utilizando eletricidade para excitar o vapor do mercúrio dentro do bulbo. O vapor excitado então emite luz ultravioleta invisível que é absorvido pelo revestimento de fósforo do bulbo. Por sua vez, o revestimento re-emite a energia como luz visível.

Entretanto, pesquisadores encontraram mais vazamento de luz UV em LFCs comparado aos tubos fluorescentes padrões, devido ao pequeno diâmetro do vidro retorcido e curvado que cria mais espaços aonde o revestimento de fósforo é lascado, permitindo maior escapamento de luz UV.

Estudos anteriores indicaram que emissões UV de LFCs poderiam prejudicar tecidos previamente lesionados e piorar condições crônicas de pele, mas os pesquisadores estavam curiosos sobre o que estas lâmpadas fazem em peles saudáveis. Para descobrir, cientistas estudaram dois tipos de células de pele: os queratinócitos, que correspondem à 95% da camada externa da pele, e os fibroblastos dérmicos, que formam o tecido conectivo subcutâneo.

Utilizando bulbos LFCs de diferentes fabricantes comprados no comércio varejista de Long Island, o time expôs culturas de células de pele em placas de Petri a bulbos montados em luminárias de diferentes distâncias por períodos variados. O time mediu a quantidade de luz UV emitida e então, avaliou como as células reagiram.

Todos eles tiveram alguma [emissão de UV], porém, alguns eram bem piores que outros,” Rafailovich disse dos bulbos. Ela notou que os bulbos fluorescentes coloridos tinham menor emissão UV devido ao revestimento colorido flexível que ajudou na proteção da camada de fósforo.

Evite contato muito próximo, pesquisadores dizem

A luz UV vem em três variedades: UVA, UVB e UVC. Os pesquisadores testaram os bulbos para as emissões UVA e UVC. Nas células da pele, UVA cria oxigênio reativo, que pode causar dano no seu trabalho interno e penetrar mais ainda pele adentro. Ao ar livre, as pessoas são tipicamente expostas à UVA e UVB.

Por outro lado, a UVC é normalmente espalhada pelo ar, de tal forma que geralmente não somos expostas a ela à luz do sol. Entretanto, muito próximo a sua fonte, como a LFC, UVC causa danos no DNA.

Vimos quantidade significante de UVC [de LFCs], o qual não é o que você vê na atmosfera,” disse Rafailovich.

Os experimentos, sob LFCs, mostraram que as células pararam de crescer e mudaram de formato. Os fibroblastos dérmicos sofreram mais que os queratinócitos, uma vez que eles normalmente não estão expostos à luz. Isto indica que estes bulbos podem causar danos na pele em diversas camadas.

Rafailovich explicou que a curta distância, em torno de 30cm, a exposição à LFC é “equivalente à banho de sol no equador.” Isto pode não ser motivo de alarme para aqueles que têm LFCs fixados no teto, mas deve ser com abajures e lâmpadas de mesa. Os pesquisadores recomendam evitar LFCs a curta distância e colocá-las atrás de barreiras de vidro ou encapsulamento.

Entretanto, existem alternativas de iluminação eficientes agora que o preço das LEDs estão caindo e os fabricantes estão produzindo versões mais eficientes de incandescentes.

Os LEDs e bulbos incandescentes não emitem UV; portanto, eles não possuem qualquer risco,” disse Tatsiana Mironava, uma das co-autoras do artigo e professora adjunta do Departamento de Engenharia Química e Molecular da Stony Brook, em um e-mail.

Os bulbos fluorescentes muitas vezes usam menos de um quarto de energia do que os bulbos de filamento, tornando-os atraentes aos consumidores que desejam diminuir sus contas de energia. Apesar dos bulbos estarem presentes desde os anos 40, as quedas recentes de preço, incentivos governamentais e legislação banindo venda de lâmpadas ineficientes tem ajudado as LFCs iluminarem mais lares e empresas.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos tem advogado fortemente o uso da LFC sob o seu programa Energy Star, gastando U$252 milhões em 2010 a fim de aumentar o uso da LFC.

Texto traduzido do http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=can-compact-fluorescent-lightbulbs-damage-skin por Sang Eun Lee

P.S.: o artigo original foi publicado em 25 de julho de 2012.

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  1. Francisko Rod
    31 de julho de 2015 às 00:38

    É sempre notório o ar de espanto ao se promulgar os efeitos e reações moleculares que estamos sofrendo em virtude do famigerado progresso tecnológico. Na verdade 99,5% dos insumos industriais trazem malefícios graves ao ser humano e ao meio ambiente.
    O que se tem na verdade são níveis considerados seguros e que são estabelecidos pela comunidade científica internacional como aceitáveis, mas que ao decorrer da primeira década esse mascaramento cruel e aniquilador de que isso ou aquilo é seguro começa a mostrar seus efeitos negativos. Uma fatia imensa do que se produz na industria é cancerígeno, radioativo, imunodepressor ou viciante que afeta diretamente a grande massa, e cada vez mais frágeis geneticamente e psicologicamente serão as próximas gerações que são concebidas nesse universo de contaminação.

    Somos cobaias vivas principalmente da industria química e farmacêutica; quantas vezes se deixa as crianças horas e horas na frente de uma TV, computador, vídeo game, luminárias ou ate mesmo o controverso aparelho celular sem se dar conta que os níveis de radiação cancerígena gerada pelo aquecimento das placas de PCI dos eletroeletrônicos em geral é tão grande quanto um dia inteiro de exposição solar.
    Portanto ludibriar a população com parâmetros de segurança é apenas uma forma poética de falar que nossa civilização vive a beira de um grande colapso imunológico e que levará a humanidade ao limite de sua existência.

    • 2 de agosto de 2015 às 23:37

      Francisko, muito bem escrito seu comentário. Concordo contigo, em boa parte. É que sou muito otimista com o corpo humano (e com os organismos em geral), pois a evolução ocorre também em nós, não somente nos insetos e plantas mais resistentes a venenos, ou bactérias sobreviventes a antibióticos. Nosso corpo é muito bom no que faz. Por isso que nos espalhamos rapidamente pelo mundo.

      Creio que sempre haverá uma forma do corpo sobreviver, apesar das dificuldades e da ameaçadora tecnologia, que parece pretender nos levar a um mundo como o descrito em “1984”, de George Orwell. Ou pior, como o filme “Soylent Green”, de Richard Flescher.

      Cuide os remédios como aqueles para dor de cabeça, anti-inflamatórios e antigripais: curam o quê? Geralmente atuam bloqueando os sintomas, dando a impressão de melhora, mas na verdade é o corpo que faz a cura, sozinho. Obviamente, há remédios que realmente curam e ajudam a nossa sobrevivência. Além disso, os medicamentos anticancerígenos são os únicos não testados com placebo, não é interessante?

      Creio que a solução para o futuro da humanidade seja o consumo intenso de frutas, legumes e hortaliças, plantadas nas proximidades das cidades, sem depender de um sistema de transporte que leva tomates de SP para o RS, por exemplo. Isto aumentaria a diversidade alimentar, evitaria muita substâncias e técnicas destinadas à conservação dos perecíveis e beneficiaria a saúde de todos, com o consumo de produtos frescos. Mas é uma grande mudança, não me iludo que será muito difícil, pois depende de reforma agrária também. Serve como uma utopia (um horizonte inalcançável que sempre nos leva a caminhar, como dizia o Galeano).

  2. Luiz
    3 de dezembro de 2013 às 22:17

    Interessante, porém é sempre assim com o advento de novas tecnologias e aperfeiçoamento dos estudos as atuais passam a ser vilãs.

  1. 8 de março de 2015 às 00:27
  2. 15 de janeiro de 2014 às 17:44
  3. 11 de outubro de 2013 às 23:37
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