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TÉCNICA – Conserto de trilhas de circuito impresso II

11 de janeiro de 2013

Figura 1 – Rombo causado por parafuso nas trilhas do circuito impresso.

Figura 1 – Rombo causado por parafuso nas trilhas do circuito impresso.

O assunto é, novamente, o reparo de trilhas de circuito impresso. Desta vez, daquelas trilhas minúsculas, típicas de placas multicamadas.

O nosso problema era um conjunto de trilhas arrebentadas por um parafuso, na placa lateral de um projetor Sanyo PLC-SU20E, já um tanto antigo. Alguém tinha tentado montar o aparelho com um parafuso mais longo do que o original, e a fábrica simplesmente não deixou uma área de escape para evitar a tragédia, mostrada na figura 1…

A técnica

O parafuso é milimétrico, tamanho M3. Ou seja, o diâmetro do rombo era de 3 mm aproximadamente. A primeira tarefa foi limpar a área do furo e remover qualquer rebarba que pudesse formar algum curto-circuito (figura 2).

Figura 2 – Rebarbas de cobre removidas, para evitar curto-circuito.

Figura 2 – Rebarbas de cobre removidas, para evitar curto-circuito.

    evitar curto-circuito.  Figura 3 – Fio rígido fino, encapado, utilizado no reparo.

Figura 3 – Fio rígido fino, encapado, utilizado no reparo.

A seguir, foi feita a união com fio rígido do único trecho mais espesso, danificado pelo parafuso. As outras trilhas eram tão finas que impossibilitavam qualquer manutenção local.

Foi necessário testar a continuidade de cada lado das trilhas – usando um multímetro com aviso sonoro -, até encontrar um ponto de ancoragem para soldar um fio rígido muito fino, encapado. Este fio era muito utilizado nos anos 1980-1990, em placas de computadores, para corrigir “problemas de projeto” (figura 3).

Para o teste de continuidade, foi necessário prender agulhas nas pontas de prova, para perfurar o verniz e poder realizar os testes. Também foi utilizada uma caneta para retroprojetor, de escrita fina, para ir marcando os locais de provas e a correspondência entre o lado esquerdo e direito.

Para restabelecer as conexões, poderia ter utilizado os fios telefônicos presentes nos cabos telefônicos multivias. Mas eles são mais grossos e teriam dificultado enormemente o trabalho Estes fios, por causa de sua rigidez e bitola, poderiam levantar as trilhas caso fossem movimentados após a soldagem.

Após encontrados todos os pontos de contato, e conferidos várias vezes que estavam corretos, os fios foram soldados. Obviamente, houve necessidade de utilizar uma lupa para visualizar com clareza e precisão a área de reparo.

Uma dica

Naquele momento, tínhamos à disposição, na universidade local, um microscópio estereoscópico (como o da figura 4), que o pessoal da biologia chama de lupa… Ele tinha dois aumentos possíveis, 20 e 40 vezes. As oculares aumentam 10x e as lentes inferiores aumentam 2x ou 4x. Como o aumento é multiplicado no percurso da luz, resulta no final em 20x ou 40x. Há modelos com zoom, que permitem variar continuamente a magnificação – ver referências [1] e [2].

Figura 4 – Microscópio estereoscópico de 20x e 40x de aumento. Fonte: Mercado Libre Mexico [1].

Figura 4 – Microscópio estereoscópico de 20x e 40x de aumento. Fonte: Mercado Libre Mexico [1].

É um microscópio excelente para trabalhar com microeletrônica. Como é estereoscópico (tem dois caminhos completos e independentes até cada olho), enxerga-se a profundidade, ou seja, é um microscópio naturalmente 3D.

Estes microscópios estereoscópicos arrasam qualquer dos microscópios USB que tem aparecido por aí. Imagine poder apertar com uma agulha um ponto de solda e sentir (e ver) exatamente o esforço necessário para fazer uma pequeníssima marca…

Nossas mãos são instrumentos de altíssima precisão, o que precisamos é enxergar bem o que fazemos, para poder comandá-las adequadamente.

Voltando ao assunto

O resultado da recuperação das conexões pode ser visto nas figuras 5, 6 e 7. Para realizar o serviço, o verniz dass trilhas foi cuidadosamente removido nos pontos de solda, evitando raspar demais, pois a maior parte dos locais de soldagem eram furos para comunicação com outras camadas.  Por fim, as trilhas foram limpas com álcool isopropílico adicionado a breu, para formar uma película protetora (ver post anterior). Após estes procedimentos, foram novamente conferidas as ligações e o equipamento foi ligado. E funcionou normalmente.

Figura 5 – Lado esquerdo das conexões, recuperado e limpo.

Figura 5 – Lado esquerdo das conexões, recuperado e limpo.

Figura 6 – Local do dano causado pelo parafuso, onde se nota a trilha mais espessa recuperada.

Figura 6 – Local do dano causado pelo parafuso, onde se nota a trilha mais espessa recuperada.

Figura 7 – Lado direito das conexões, recuperado e limpo.

Figura 7 – Lado direito das conexões, recuperado e limpo.

Este aparelho tinha sido condenado por uma oficina autorizada da capital, pois a “placa principal” tinha sido danificada. O usuário tinha outro equipamento com eles e comentou o conserto. Eles telefonaram querendo saber qual o milagre que eu tinha operado para o projetor voltar à vida…

Outro defeito no projetor

Neste mesmo projetor, eu tinha necessitado retirar a frente do gabinete, junto à lente. Depois, ao recolocá-la, o equipamento não funcionava mais.

Claro, foi descuido meu, facilitado por outro erro do fabricante. Há dois conectores iguais, de 4 fios cada, que ligam o painel frontal aos circuitos internos. Um deles é o do sensor infravermelho (figuras 8 e 9) e fica à esquerda da lente, olhando por trás do aparelho.

Figura 8 – Sensor de infravermelho, projetor visto de cima e por trás, lente fica à direita.

Figura 8 – Sensor de infravermelho, projetor visto de cima e por trás, lente fica à direita.

Figura 9 – Sensor infravermelho, visto mais de longe.

Figura 9 – Sensor infravermelho, visto mais de longe.

Figura 10 – Placa localizada do outro lado da lente (direito, quando visto por trás).

Figura 10 – Placa localizada do outro lado da lente (direito, quando visto por trás).

Figura 11 – Projetor visto de cima, pela frente, com destaque para o caminho dos cabos dos sensores.

Figura 11 – Projetor visto de cima, pela frente, com destaque para o caminho dos cabos das plaquetas frontais.

Figura 12 – Placa superior deslocada para a frente, com destaque para os conectores dos sensores.

Figura 12 – Placa superior deslocada para a frente, com destaque para os conectores das plaquetas frontais.

Figura 13 – Conectores dos sensores de infravermelho e umidade.

Figura 13 – Conectores das plaquetas frontais.

Figura 14 – Projetor Sony PLC-SU20E.

Figura 14 – Projetor Sanyo PLC-SU20E.

O outro conector liga uma plaquinha no lado direito da lente (figura 10). No manual de serviço – ver referências [3] e [4] – diz viewer led, mas o circuito é diferente do manual, tem um chip. Parecia um sensor de umidade, mas não tenho certeza. Os dois cabos seguem para uma placa abaixo daquela que liga as três telas LCD junto ao prisma misturador (figura 11, ver o círculo azul). Esta placa tem conectores idênticos para os dois cabos, bem juntos (figura 12 e 13).  É um convite para o erro…

Falha minha em não ter marcado com caneta um dos conectores, ao desmontar. Por sorte, isto não danificou nada, foi só trocar um pelo outro na placa e o projetor voltou a funcionar. A aparência do projetor pode ser vista na figura 14 e o manual de serviço do aparelho pode ser encontrado em [3] e [4].

Referências

[1] Mercado Libre Mexico – Foto do microscópio estereoscópico – http://articulo.mercadolibre.com.mx/MLM-411870472-microscopio-estereoscopico-binocular-aumento-de-20x-y-40x-_JM

[2] Meiji – Fabricante japonês de microscópios estereoscópicos e binoculares – http://www.meijitechno.com/pdfs/em_brochure.pdf

[3] Manual de serviço do Sanyo PLC-SU20B e E – http://diagramas.diagramasde.com/otros/Sanyo%20PLC-SU20B.pdf

[4] Eservice info – Manual de serviço do Sanyo PLC-SU20B e E, em 5 partes – http://www.eserviceinfo.com/index.php

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  1. Igor Garcia de Sousa
    11 de maio de 2015 às 18:39

    Ola, adorei seu blog e gostaria de pedir uma ajuda, hoje fui fazer manutenção no meu ps3 e acabei rompendo um ponto de solda…
    Levei a um amigo que conserta e ele condenou a placa, gostaria de saber se o procedimento de refazer a trilha seria o mesmo.

    • 17 de maio de 2015 às 22:23

      Igor, dependendo do ponto que arrebentou, é possível que tenha rompido uma camada interna da placa de circuito impresso. Atualmente, a miniaturização existente utiliza placas multicamadas.

  2. Arnaldo S Schver
    10 de dezembro de 2013 às 17:51

    Ola EUSEBIO, gostaria de você pudesse indicar onde possa mandar reparar uma placa de circuito impresso de ar condicionado de veiculo – agradeço por sua orientação

    • 10 de dezembro de 2013 às 22:10

      Arnaldo, fica difícil dar uma orientação destas, o que posso lhe dizer é um local provável de defeito. Tenho visto consertos de split, onde o pessoal sempre verifica as conexões dos sensores do equipamento, pois podem estar com mau contato, causando falha no funcionamento.

      Em automóveis não deve ser diferente, pois o circuito eletrônico deve, essencialmente, controlar a temperatura.

      Se a placa não for muito complexa, é possível que em sua cidade você encontre algum técnico curioso, que goste de desafios e que seja caprichoso. Desafie algum…

      Além disso, há um porém nestes casos. Equipamentos embarcados, ainda mais se forem originais de fábrica, podem ter peças exclusivas, que não são encontradas no comércio de eletrônica. Veja se não é o seu caso.

  3. BRUNO RODRIGUES LOPES
    3 de setembro de 2013 às 19:28

    parabéns pelo site, seus métodos são simples práticos e funcionais

  4. Waldir Rabello
    2 de fevereiro de 2013 às 09:12

    Muito boa a dica,já enfrentei esse tipo de problema, agora gostaria de saber como obter pequenas dica desse blog?

    • 2 de fevereiro de 2013 às 11:00

      Olá Waldir, não entendi sua pergunta. As dicas estão todas no blog, se você quiser vê-las inteiramente, é só clicar em “leia mais”. É isso?

      • Waldir Rabello
        2 de fevereiro de 2013 às 11:38

        Sim,é isso. Vc já postou a resposta pra mim, no meu email,sobre o Amplificador Polyvox AP3100. Abraços

  1. 8 de março de 2015 às 00:25
  2. 15 de janeiro de 2014 às 17:43
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