Para ONDE vamos, amigo ou inimigo?

A nossa vida é um caminho sem volta, desde que brotamos neste mundo, até retornarmos ao pó.
Muitos consideram que há bastante tempo para fazer as coisas, que podem deixar para começar depois. Mas, se forem analisar com cuidado, verão que a vida é muito curta.
Quando visitamos aqueles parentes ou amigos de quem gostamos, já paramos para pensar quantas vezes poderemos fazer isso ao longo da vida? Se os visitamos uma vez por ano, dará quantas no total?
Partindo da média de expectativa de vida do povo brasileiro, que é de quase 76 anos e descontada a nossa idade, dá o que pensar. Mulher brasileira vive mais, quase 80 anos, então a maioria dos homens brasileiros morrerá antes dos 76.
Assim, se temos 13 anos, vamos nos ver pelo menos 63 vezes. Agora, se estivermos com 60 anos, serão só mais 16 vezes. Se os nossos parentes e amigos tiverem idade avançada, esse saldo será menor ainda.
Sem falar que nós mesmos poderemos parar pelo meio do caminho em uma tragédia qualquer, como tantas que acontecem neste país abandonado pelas elites: enchentes, deslizamentos, temporais, violência pessoal ou institucional, acidentes de trânsito, construções mal feitas ou um problema de saúde fulminante.
Essa perspectiva vale para tudo o que fazemos. Temos motivo justo para deixar de fazer algo agora? Ou nos acostumamos demais ao tempo das telas, que destrói todo o nosso tempo livre?
E causa divisão.
Antigamente, aquele amigo, conhecido ou parente que tinha uma ideia política diferente da nossa era tolerado, sem grandes problemas. Apesar das falhas, enxergávamos que aquelas pessoas também tinham coisas boas e interagíamos com elas.
De uns anos pra cá, passamos a enxergar os outros como amigos ou inimigos, sem meio termo. Ficamos igual a computador: é zero ou um.
Uma diferença qualquer de opinião pode resultar na exclusão permanente, a pessoa deixa de ser visitada, convidada para encontros, reuniões, aniversários, Natal, Páscoa ou qualquer outra junção, justamente porque pensa diferente.
Essa divisão acontece com mais impacto dentro das famílias e tem causado toda sorte de conflitos, resultando em separações, brigas e até crimes.
Hoje, só nos juntamos com quem pensa igual e isso reforça a divisão, pois não tem ninguém no grupo para criticar alguma ideia descabida ou totalmente fora da realidade. E tais alucinações começam a fazer parte dos assuntos do dia a dia, sem muitos filtros.
Ao se reunir somente com quem pensa igual, o cérebro trabalha muito menos, quase não usa os neurônios, porque só precisa concordar. É bom lembrar do ditado: “Se você não pensa, será pensado pelos outros.”
Junto a isso, temos um sistema educacional que nos ensina a obedecer, jamais a criticar ou pensar diferente.
Pensar e comandar é ato restrito às escolas pagas, onde a elite forma os futuros dirigentes deste imenso país. Lá, a educação é investimento, mas para as escolas públicas é despesa. Educação é o que leva o país para frente, olhe para os asiáticos: todos, sem exceção, martelam na educação!
Outra questão que soma dificuldades às nossas vidas é a religião. Todos os grupos religiosos proclamam a paz, mas estão cada vez mais isolados uns dos outros. “A minha religião é a única verdadeira!”; “O nosso Deus é melhor que o seu”; “Sou melhor que você!” A quem serve isso?
Tudo isso forma um caldo que está fermentando.
Essas divisões da população em grupos isolados uns dos outros, somente beneficia quem já está no poder e nunca apeou dele, desde 1500. São esses que sempre se beneficiaram com a falta de unidade do povo e agora lucram com tais conflitos, através de seus paus mandados, os políticos.
Quem está no cargo máximo atualmente, pode fazer apenas o que o Congresso deixar. E NUNCA nosso Congresso teve maioria canhota. Inclusive nos estados, as Assembleias estão totalmente dominadas por grupos elitistas que defendem com unhas e dentes os seus privilégios, como se fossem direitos. São esses que se chamam “conservadores”, pois querem conservar o que nosso país sempre teve de ruim.
Uma elite que pensa pouco (e lê menos ainda) não se deu conta do básico: salários baixos implicam ao pobres maior estresse e violência e resultam em trabalho mal feito, porque ninguém consegue dar conta do recado se estiver cansado por ter dormido pouco, a roupa ficou fedendo porque não deu tempo de secar direito, ter passado em pé 2 horas espremido no ônibus e ainda preocupado em como vai passar o resto do mês.
Monteiro Lobato já reclamava dos baixos salários na década de 1920, antes do Brasil transformar-se no grande exportador de hoje. Lá se vão 100 anos, o bolo cresceu muito e o povo continua a receber migalhas. A chapa tá esquentando, mas o caldo de que falei é outro.
Países que eram mais pobres que o Brasil há 40 anos, hoje nos ultrapassaram e dão ao seu povo uma qualidade de vida impressionante. A Coreia do Sul tem o tamanho de Santa Catarina ou Pernambuco. O Distrito Federal é 8 vezes maior que Singapura. Esses dois países asiáticos, que precisam importar quase tudo, têm cidades bonitas, com muito verde, pracinhas, riachos, estradas perfeitas, trens ou ônibus para onde precisar, moradia decente para todos, educação de qualidade, indústria pujante, salários dignos. Porque eles escolheram cuidar do povo!
É isso que boa parte da elite brasileira não quer (resol)ver: enquanto mantém a maioria na ignorância, por conta da péssima educação, por outro lado desvaloriza o trabalhador, prefere que ele fique com um salário que o torne dependente, mas que não permite que melhore de vida.
O trabalhador mora mal, muitas vezes de aluguel – queima dinheiro todo mês – e tem poucos lugares para passear, tá tudo tomado pelo concreto. Sua vida só patina. Precisa muito esforço e persistência para manter a cabeça pra fora d’água.
Afinal, quando há muitos que aceitam receber miséria do empregador, pra quê pensar em melhorar a vida daqueles que constroem a sua riqueza? Ambos envelhecem juntos, mas não podem progredir juntos.
A saída é a bebida, o sexo ou, muito pior, as drogas. Nem a música diverte mais, porque foi sequestrada por um bando de empresários com cérebro de minhoca, cujo objetivo é branquear nossa musicalidade, deixando-a sem gosto, sem calor, sem suor, sem vida, sem passado. Temos muita diversidade, mas ela não passa da cerca que esses imbecis ergueram.
Olhe ao seu redor. A quantidade de obesos em nosso país é algo impressionante. A causa? Má alimentação, principalmente, causada por desinformação (má educação, outra vez), falta de movimento (exercícios, caminhadas) e consumo descontrolado de comidas e bebidas industrializadas, que nos poupam tempo, são gostosas, mas roubam nossa saúde.
E aqui é que vem o caldo. Olhe ao redor, novamente, um pouco mais para longe: os estados brasileiros, depois os países do nosso continente. Quantas vezes você ouviu falar mal dos nordestinos, ou que os estados do sul querem se separar? E o que sabemos dos nossos irmãos castelhanos? Portugal nos legou um país imenso e não praticamos a solidariedade nem a boa vizinhança, antes nos isolamos e zombamos do país que nos criou. Claro, temos um passado (e um presente) muito cruel, ainda temos que acertar essa conta. Agora é justamente quando podemos definir um bom futuro, é só querer. E não se dobrar.
Os estados brasileiros deveriam sempre se unir em benefício do país, não o contrário. Correntes de pensamento diferentes devem chegar a um consenso, em vez de impedir bons projetos só porque vieram do “outro lado”.
Senadores, deputados federais e estaduais, deveriam pensar na infraestrutura nacional, na integração entre os municípios e estados, na qualidade das obras, na redução de tragédias, no desenvolvimento como um todo, mas atendem a interesses locais e o país fica à deriva. Essa é a política destra, que enterra as boas ideias (como os teleféricos para as comunidades do Rio ou as ferrovias) e faz valer a sua total falta de compromisso com os brasileiros e o ajoelhamento com os de fora, para sempre. Defendem os interesses de seus financiadores, que costumam gastar muito mais em campanha do que o salário que irão receber.
Afinal, é o Poder Legislativo que comanda os destinos do país (Senadores, deputados federais, deputados estaduais, vereadores). O Poder Executivo (Presidente, governadores e prefeitos) só consegue fazer o que o Legislativo deixa. E o Judiciário deveria servir de balança entre eles, para ninguém tomar conta.
E agora, com o caldo fermentando ao nosso redor, precisamos pensar no futuro que queremos para nós. Ou vamos descambar para um gigante quebradiço, que em mais alguns anos pode começar a se despedaçar como aquele do leste da Europa, espatifado em 7 pedaços nos anos 1990, ou nos juntamos e damos um basta a essa mania de explorar os outros sem dar nada em troca.
“Divide et impera.” (Dividir para reinar, é disso que se trata)
Há muito conteúdo por aí que mistura diversas verdades isoladas, mas leva a uma conclusão totalmente falsa. Não se iluda com afirmações que causam indignação e simplificam as coisas, porque elas apelam para as emoções e fazem agir por impulso. Os que falam que são contra o sistema, frequentemente agem em defesa dele e mentem descaradamente, confiantes da ignorância do povo. O objetivo é, como sempre, DIVIDIR, nunca UNIR ou prestar SOLIDARIEDADE.
“Diga-me com quem andas, que te direi quem és.” Cuide que as legendas juntam pessoas que tem os mesmos objetivos! Água não se mistura com óleo!
Muito cuidado daqui pra frente, virá fogo e tragédia de todo lado. Enxergue a diferença entre a crítica contra alguém (só acusações dirigidas à pessoa) ou contra o que ela faz ou fez (atos dela, com provas). OUÇA COM ATENÇÃO, não tape seus ouvidos, procure informar-se com várias fontes, depois analise calmamente e conclua. Mantenha a cabeça erguida, o olhar fixo e o pensamento livre. Escolha bem e não se arrependa.
Desejo a você este Feliz Domingo.