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Pré-sal: a ponta do iceberg do petróleo brasileiro


Figura 1 – Semelhanças entre os continentes africano e sul-americano. Fonte: The Africa Report [1].

Figura 1 – Semelhanças entre os continentes africano e sul-americano. Fonte: The Africa Report [1].

Observe o mapa conjugado do Brasil e África (figura 1). Estas regiões são geologicamente semelhantes.

O território de Angola, por exemplo, na região da bacia Benguela, é equivalente à região de Santos, pois faziam parte da mesma área, quando havia um só continente em todo o planeta (Gondwana). Lá, como cá, são grandes áreas de exploração de petróleo.

Existe petróleo por toda a costa oeste africana, desde a África do Sul até Marrocos, pelo menos. Até a Petrobras achou – e explora – reservas do pré-sal por lá (figura 2).

Figura 2 – Concessões petrolíferas em Angola. Fonte: Sonangol [2].

Figura 2 – Concessões petrolíferas em Angola. As jazidas em destaque tem participação da Petrobras.  Clique para ampliar. Fonte: Sonangol [2].

 Figura 3 – Bacias petrolíferas brasileiras. Fonte: Petrobras [3].


Figura 3 – Bacias petrolíferas brasileiras. Fonte: Petrobras [3].

E aqui? Recentemente descoberta (e pouco falada), a Margem Equatorial, na foz do rio Amazonas, tem petróleo e gás, no pré e no pós-sal. E também tem na Bacia de Pelotas, e na Bacia Potiguar, etc.. Um mar de petróleo (figura 3).

Se as reservas provadas já são um bilhete premiado, imagine o resto, ainda não descoberto.

O pré-sal custa, hoje, 8 dólares o barril para a Petrobras. Este é o custo. E quanto vale cada barril? Por baixo, digamos 30 dólares (já foi mais de 100, há poucos anos).

Então, brotam do chão, todo o dia, U$80 milhões de dólares (segundo a produção diária de 2,7 milhões de barris e usando o custo mais alto, do pré-sal).

Que resultam em U$21 bilhões por ano, já descontando o custo de cada barril.

Em reais, isto dá R$82 BILHÕES por ano. Fora os recursos oriundos das outras áreas, como os fertilizantes e as refinarias.

Isto indica alguma falta de dinheiro no caixa da Petrobras, ou impossibilidade de pagar as contas, ainda mais sabendo que a produção está aumentando? Se as multinacionais já podem participar em até 70% de cada poço do pré-sal, porque a Petrobras tem que ceder mais? Porque ela não pode ter nem os 30% e determinar como extrair?

Precisamos extrair tudo de uma só vez? Se são reservas, RESERVAS, temos que usá-las com parcimônia, afinal, um dia acabam. A Noruega fez isso, decidiu que usaria o petróleo para beneficiar o povo e dos 20 bilhões de barris que eles descobriram, ainda restam 8. Em 40 anos, saíram da pobreza para tornarem-se o país com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo.

Aqui, a mina de ferro e ouro de Carajás, tinha reservas estimadas para durar 400 anos, na década de 1990. Depois que a concessionária da mina (Vale do Rio Doce) foi privatizada, estima-se que Carajás dure apenas 40 anos. Pergunte a qualquer construtor: depois de aumentarem 10 vezes o ritmo de exploração das minas, o ferro barateou no Brasil?

Voltaram com a ladainha de entregar tudo, afinal “os estrangeiros são melhores nisso…”

Estudos estimam que as reservas brasileiras de petróleo são pelo menos 9 vezes maiores que as da Noruega.

Nós nem sabemos quanto temos, de tanto que temos…

Aliás, vamos esclarecer a diferença entre concessão e partilha:

Concessão – a concessionária fica com tudo, é dona da área de exploração, determina como será explorada, inclusive contabiliza estas reservas como patrimônio.  As jazidas sob concessão seguem junto se a empresa for vendida.

Partilha – a União fica com a propriedade da área, assim nem a operadora principal (Petrobras), nem as empresas parceiras podem contabilizar como patrimônio as reservas. Com a exclusividade, a Petrobras (o governo) determina em que velocidade será feita a exploração e o Governo Federal mantém a posse das jazidas.

Se o problema é a corrupção, a saída é abrir as pernas aos estrangeiros? Ou melhorar nossos métodos de fiscalização e punição?

Nem a Noruega escapou de uma série de escândalos com a Stat Oil. E a Stat Oil (ESTATAL), quer explorar nosso pré-sal também. Porque eles podem ter uma estatal com negócios por todo mundo e nós não?

Figura 4 – Capa da revista Isto É, de abril de 1992.

Figura 4 – Capa da revista Isto É, de abril de 1992.

O que não pode é sempre aparecer a mesma conversa, depois de algum tempo. Olhe esta capa da IstoÉ, de abril de 1992, quando o Collor estava sob ataque cerrado da mídia (figura 4), logo antes do impeachment.  Curiosamente, o envolvido no escândalo de 1992 é Pedro Paulo Leoni Ramos, que também aparece na Operação Lava Jato.  E é só um, das dezenas de outros…

Nada mudou, não se iluda.  Posicione-se.

Seguem alguns dados, talvez estonteantes:

De 2003 para cá, nos 13 anos do governo agora deposto, a Petrobras saiu de 30 mil funcionários para 85 mil, os investimentos passaram de 5 bilhões de dólares para US$48 bilhões e a participação da Petrobras no PIB pulou de 3% para 13%.

A Petrobras valia, em 2003, 20 bilhões de dólares, hoje vale US$120 bilhões. Mas antes da desvalorização, chegou a valer 320 bilhões de dólares.

Tem mais: em 2008, 73% das reservas provadas de petróleo mundiais, eram dominadas por empresas ESTATAIS (em 1970, as estatais controlavam 1%).

O controle nacional das reservas de petróleo permite, como pontos fundamentais: ditar o ritmo de exploração das reservas e de comercialização do óleo; gerar e obter informações detalhadas e confiáveis das jazidas; desenvolver tecnologia própria; instalar políticas de conteúdo nacional; influenciar os preços no mercado interno (hoje, está mais caro andar de ônibus intermunicipal do que duas pessoas fazer o mesmo trajeto de carro).

Um último ponto: a frota brasileira de veículos levará muitos anos para passar para motores elétricos, o consumo de petróleo irá sustentar-se muito tempo, até porque além da gasolina há outros subprodutos importantes (querosene de aviação, diesel, nafta para a produção de plásticos, tintas e borrachas, etc).

[1] The Africa Report – Angola-brazilian connection could mean higher productionhttp://www.theafricareport.com/Southern-Africa/angola-brazilian-connection-could-mean-higher-production.html

[2] Sonangol – Angola – Concessões – http://angola-luanda-pitigrili.com/who%E2%80%99s-who/s/sonangolhttp://www.sonangol.co.ao/Portugu%C3%AAs/%C3%81reasDeAtividade/Concession%C3%A1ria/Documents/GAD201501-DMC0001-P-A.pdf

[3] Petrobras – Bacias – http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/bacias/

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  1. Marilson Santos
    8 de junho de 2016 às 03:42

    Comunistinha de merda. Os milicos ajudaram a eleger o Lula e FHC, bando de covardes assim como você e sua corja vermelha.

    • 12 de junho de 2016 às 19:56

      Num post em defesa da Petrobrás (e do futuro do Brasil), você vem e me chama de comunista. Creio que, por tabela, qualquer um que tentar defendê-la, corre o risco de ser chamado da mesma forma. Inclusive os militares, que durante os anos 1960 e 1970 a defenderam incansavelmente. E olha só, na mesma época eles perseguiam comunistas (os subversivos)…

      Esta tática do “argumentum ad hominen” (argumento contra o homem) é o tipo mais comum de falácia (mentira com cara de verdade): quando não há argumentos, o oponente torna-se o alvo, não o assunto de que ele trata. É o típico desvio de foco, para chamar atenção a outro ponto, que nada tem a ver com o assunto principal.

      Os chineses classificam as pessoas conforme os assuntos de que elas tratam. A escala evolutiva inferior começa com as pessoas, depois segue para os fatos e por último, para as ideias. Em qual destes níveis você se encaixa?

      A você, que está enlameado de ódio, eu só desejo o seguinte: que a cada vez que pensar mal de alguém, você pise num coco.

      • 16 de julho de 2016 às 15:59

        Muito boa a resposta! Hihihi…

  2. Celso Beraldu
    30 de maio de 2016 às 16:27

    Ou o site trata de assuntos técnicos, ou trata de assuntos políticos. As duas coisas não se coadunam. As opiniões são apenas do dono do blog, com as quais não concordo, a não ser alguns poucos trechos. O autor deve ater-se a assuntos técnicos. De blogs políticos, temos os pagos pelo governo de plantão, com o nosso dinheiro. Creio não ser seu caso, não é Zébio?

    • 5 de junho de 2016 às 23:30

      Celso, discordo do seu ponto de vista. O meu blog é sobre tudo o que aperta o meu calo, por isto falo de outros assuntos, até de política, quando acho importante. Se há textos técnicos, é por conta da minha área de conhecimento, que de modo algum está separada do meu viver diário como cidadão.

      Temos, sim, que falar de política, pois foi justamente a falta de debates sobre ela que causou este abismo entre o que a população deseja e um bando de picaretas eleitos, que só pensam em benefício próprio. Não falo só em nível federal, certamente no seu município há, por exemplo, vereadores envolvidos com imobiliárias, o que é uma indecência.

      Tenho o direito (como todos têm) de ter uma convicção política. Ela não é formada de verdades prontas e frases de efeito, que muito se vê por aí. Também não tenho hábito de ofender os oponentes, para ganhar uma discussão (tática muito comum atualmente). Porque crises mesmo, já vivi bem piores, que fizeram muita gente passar fome, para dizer o mínimo. Ouça o que digo: o fundo do poço é muito, mas muito mais fundo e pior do que esta “crise” que está aí.

      E não sou patrocinado, pode ter certeza, a única receita vem dos cliques nos anúncios do blog, que nem paga os custos da hospedagem. Sai do meu bolso mesmo.

      Este blog surgiu, inicialmente, para repassar uma série de técnicas de manutenção que desenvolvi, que servem não só para a eletrônica e áudio, mas para diversas outras áreas. Mas com o tempo, achei muito chato escrever sempre sobre questões técnicas, por isto você poderá encontrar aqui, além de artigos técnicos, textos sobre reciclagem, poesia, críticas diversas, crônicas, talvez até algumas receitas (meto a mão na cozinha também, e não faço feio). Aguarde sempre o inesperado!

    • Tuxedo
      11 de junho de 2016 às 16:58

      Fácil, Celso. Não gostou, muda para outro site que tenha mais a sua cara. O blog é “pessoal” e, portanto, seu autor tem direito de escrever o que quiser. Diferente dos veículos de imprensa que, em sua maioria, são concessões governamentais e, portanto, deveriam ter certo comprometimento com seu conteúdo (mas não têm). Parabéns Eusébio, pelo seu blog COMO UM TODO !

  3. luiz ferreira
    30 de maio de 2016 às 14:29

    Olá ZÉBIO.

    Você tem um e-mail para contato???

    Caso SIM qual????

    Preciso entrar em contato com você, para esclarecer uma dúvida
    sobre eletricidade, e o texto é longo.

    luizferreiratouro@gmail.com

    ATÉ.

    • 5 de junho de 2016 às 22:38

      Luiz, todos os comentários são moderados, por isto eu vejo eles antes de qualquer leitor. Envie suas questões pelo comentário e se eu achar conveniente, iremos conversar via e-mail, ou manteremos a conversa aqui, para ajudar outros internautas.

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