Anúncios

Archive

Posts Tagged ‘partilha’

Pré-sal: a ponta do iceberg do petróleo brasileiro

23 de maio de 2016 8 comentários

Figura 1 – Semelhanças entre os continentes africano e sul-americano. Fonte: The Africa Report [1].

Figura 1 – Semelhanças entre os continentes africano e sul-americano. Fonte: The Africa Report [1].

Observe o mapa conjugado do Brasil e África (figura 1). Estas regiões são geologicamente semelhantes.

O território de Angola, por exemplo, na região da bacia Benguela, é equivalente à região de Santos, pois faziam parte da mesma área, quando havia um só continente em todo o planeta (Gondwana). Lá, como cá, são grandes áreas de exploração de petróleo.

Existe petróleo por toda a costa oeste africana, desde a África do Sul até Marrocos, pelo menos. Até a Petrobras achou – e explora – reservas do pré-sal por lá (figura 2).

Figura 2 – Concessões petrolíferas em Angola. Fonte: Sonangol [2].

Figura 2 – Concessões petrolíferas em Angola. As jazidas em destaque tem participação da Petrobras.  Clique para ampliar. Fonte: Sonangol [2].

 Figura 3 – Bacias petrolíferas brasileiras. Fonte: Petrobras [3].


Figura 3 – Bacias petrolíferas brasileiras. Fonte: Petrobras [3].

E aqui? Recentemente descoberta (e pouco falada), a Margem Equatorial, na foz do rio Amazonas, tem petróleo e gás, no pré e no pós-sal. E também tem na Bacia de Pelotas, e na Bacia Potiguar, etc.. Um mar de petróleo (figura 3).

Se as reservas provadas já são um bilhete premiado, imagine o resto, ainda não descoberto.

O pré-sal custa, hoje, 8 dólares o barril para a Petrobras. Este é o custo. E quanto vale cada barril? Por baixo, digamos 30 dólares (já foi mais de 100, há poucos anos).

Então, brotam do chão, todo o dia, U$80 milhões de dólares (segundo a produção diária de 2,7 milhões de barris e usando o custo mais alto, do pré-sal).

Que resultam em U$21 bilhões por ano, já descontando o custo de cada barril.

Em reais, isto dá R$82 BILHÕES por ano. Fora os recursos oriundos das outras áreas, como os fertilizantes e as refinarias.

Isto indica alguma falta de dinheiro no caixa da Petrobras, ou impossibilidade de pagar as contas, ainda mais sabendo que a produção está aumentando? Se as multinacionais já podem participar em até 70% de cada poço do pré-sal, porque a Petrobras tem que ceder mais? Porque ela não pode ter nem os 30% e determinar como extrair?

Precisamos extrair tudo de uma só vez? Se são reservas, RESERVAS, temos que usá-las com parcimônia, afinal, um dia acabam. A Noruega fez isso, decidiu que usaria o petróleo para beneficiar o povo e dos 20 bilhões de barris que eles descobriram, ainda restam 8. Em 40 anos, saíram da pobreza para tornarem-se o país com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo.

Aqui, a mina de ferro e ouro de Carajás, tinha reservas estimadas para durar 400 anos, na década de 1990. Depois que a concessionária da mina (Vale do Rio Doce) foi privatizada, estima-se que Carajás dure apenas 40 anos. Pergunte a qualquer construtor: depois de aumentarem 10 vezes o ritmo de exploração das minas, o ferro barateou no Brasil?

Voltaram com a ladainha de entregar tudo, afinal “os estrangeiros são melhores nisso…”

Estudos estimam que as reservas brasileiras de petróleo são pelo menos 9 vezes maiores que as da Noruega.

Nós nem sabemos quanto temos, de tanto que temos…

Aliás, vamos esclarecer a diferença entre concessão e partilha:

Concessão – a concessionária fica com tudo, é dona da área de exploração, determina como será explorada, inclusive contabiliza estas reservas como patrimônio.  As jazidas sob concessão seguem junto se a empresa for vendida.

Partilha – a União fica com a propriedade da área, assim nem a operadora principal (Petrobras), nem as empresas parceiras podem contabilizar como patrimônio as reservas. Com a exclusividade, a Petrobras (o governo) determina em que velocidade será feita a exploração e o Governo Federal mantém a posse das jazidas.

Se o problema é a corrupção, a saída é abrir as pernas aos estrangeiros? Ou melhorar nossos métodos de fiscalização e punição?

Nem a Noruega escapou de uma série de escândalos com a Stat Oil. E a Stat Oil (ESTATAL), quer explorar nosso pré-sal também. Porque eles podem ter uma estatal com negócios por todo mundo e nós não?

Figura 4 – Capa da revista Isto É, de abril de 1992.

Figura 4 – Capa da revista Isto É, de abril de 1992.

O que não pode é sempre aparecer a mesma conversa, depois de algum tempo. Olhe esta capa da IstoÉ, de abril de 1992, quando o Collor estava sob ataque cerrado da mídia (figura 4), logo antes do impeachment.  Curiosamente, o envolvido no escândalo de 1992 é Pedro Paulo Leoni Ramos, que também aparece na Operação Lava Jato.  E é só um, das dezenas de outros…

Nada mudou, não se iluda.  Posicione-se.

Seguem alguns dados, talvez estonteantes:

De 2003 para cá, nos 13 anos do governo agora deposto, a Petrobras saiu de 30 mil funcionários para 85 mil, os investimentos passaram de 5 bilhões de dólares para US$48 bilhões e a participação da Petrobras no PIB pulou de 3% para 13%.

A Petrobras valia, em 2003, 20 bilhões de dólares, hoje vale US$120 bilhões. Mas antes da desvalorização, chegou a valer 320 bilhões de dólares.

Tem mais: em 2008, 73% das reservas provadas de petróleo mundiais, eram dominadas por empresas ESTATAIS (em 1970, as estatais controlavam 1%).

O controle nacional das reservas de petróleo permite, como pontos fundamentais: ditar o ritmo de exploração das reservas e de comercialização do óleo; gerar e obter informações detalhadas e confiáveis das jazidas; desenvolver tecnologia própria; instalar políticas de conteúdo nacional; influenciar os preços no mercado interno (hoje, está mais caro andar de ônibus intermunicipal do que duas pessoas fazer o mesmo trajeto de carro).

Um último ponto: a frota brasileira de veículos levará muitos anos para passar para motores elétricos, o consumo de petróleo irá sustentar-se muito tempo, até porque além da gasolina há outros subprodutos importantes (querosene de aviação, diesel, nafta para a produção de plásticos, tintas e borrachas, etc).

[1] The Africa Report – Angola-brazilian connection could mean higher productionhttp://www.theafricareport.com/Southern-Africa/angola-brazilian-connection-could-mean-higher-production.html

[2] Sonangol – Angola – Concessões – http://angola-luanda-pitigrili.com/who%E2%80%99s-who/s/sonangolhttp://www.sonangol.co.ao/Portugu%C3%AAs/%C3%81reasDeAtividade/Concession%C3%A1ria/Documents/GAD201501-DMC0001-P-A.pdf

[3] Petrobras – Bacias – http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/principais-operacoes/bacias/

\ep/

Anúncios