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RECICLAGEM – Fonte de PC

11 de maio de 2012

Fonte Seventeam - Etiqueta

Figura 1 – Fonte AT Seveteam ST-221WHT

Atualmente, aparecem cada vez mais produtos eletrônicos que rapidamente tem como destino o lixo.  Todos sabemos que estes materiais podem contaminar o solo e a água se não forem dispostos adequadamente.  Este artigo tenta dar uma contribuição, sugerindo o reaproveitamento de componentes que fazem parte destes equipamentos.

Apesar de comprarmos muitos produtos eletrônicos, não nos damos conta muitas vezes que este consumo exagerado nos causa problemas, especialmente no aspecto do retorno financeiro.   Toda compra deveria ser um investimento, com uma determinada validade.  Quando não nos servisse mais, deveríamos poder revender o aparelho, tal como fazemos com uma bicicleta ou um automóvel.  Mas a produção em massa dos eletrônicos faz com que não tenham valor de revenda, pois ficam obsoletos muito rapidamente ou estragam com facilidade.  No final de tudo, o dinheiro investido fica somente para o fabricante e seus revendedores e nosso bolso, vazio.  Não é justo.

Aí entra a reciclagem, viabilizando algum retorno, ao menos pelo ponto de vista ecológico (o que já é importante).

Tal como as latas de alumínio, em que o reaproveitamento, aqui no Brasil, alcança níveis muito elevados, pode-se reutilizar vários componentes eletrônicos, depois de adequadamente retirados de seus equipamentos originais.  Será demonstrado que, mesmo em início de 2011, quando escrevo este texto, há a possibilidade de reciclar muitos componentes uma fonte de PC de mais de 10 anos.  Muitos componentes são de uso universal, e não “perdem a validade” ou ficam obsoletos com facilidade, como parafusos, arruelas, conectores, tomadas, porta-fusíveis, etc.  Podem ser utilizados na manutenção e montagens de dispositivos eletrônicos com relativa tranquilidade.  Além disso, se for calculado o valor de compra de cada item em separado, ficará evidente que certos componentes são muito valiosos no varejo.

Para este trabalho, foi desmontada como exemplo uma fonte de PC modelo AT, da época do 486 e Pentium.  Esta fonte apresenta algumas qualidades: a Seventeam ST-221WHT não é um modelo top de linha, mas fica bem acima da média.  Em relação a fontes com qualidade inferior, as diferenças são notadas na qualidade dos componentes utilizados e em um projeto mais cuidadoso, que resulta na existência de filtros de entrada e melhores sistemas de proteção.

Deve-se observar que não é interessante reciclar componentes que envelhecem com facilidade, ou que são submetidos a regimes duros de trabalho.  No caso das fontes chaveadas temos os capacitores eletrolíticos, principalmente.  Eventualmente, alguns diodos, resistores e transistores.  Geralmente estas peças ficam em áreas escurecidas da placa de circuito impresso, o que indica longo tempo de sobreaquecimento.

Fontes de baixa qualidade também podem utilizar componentes plásticos que ressecam após alguns anos, diminuindo a confiabilidade.  Partes metálicas também podem ter problemas com a oxidação.  Nessa hora é que se nota porque aparelhos aparentemente idênticos tem preços tão diferenciados…

Além disso, é importante ter em mente a necessidade de avaliar/testar todos os componentes que se planeja reciclar, pois geralmente o produto foi descartado por apresentar mau funcionamento.  Assim, provavelmente será encontrado um fusível, transistor, diodo ou resistor avariado, com fugas ou valores alterados.  Adicionalmente, nas fontes de boa qualidade ainda poderão ser encontrados capacitores eletrolíticos em bom estado, devido a projetos mais cuidadosos, que exigem mais tolerâncias a falhas.

Se o equipamento foi atingido por um raio ou outro tipo de descarga elétrica, muitos componentes certamente estarão danificados, e a reciclagem deverá se concentrar em peças não eletrônicas.  Nesta situação, o teste não será suficiente para garantir que a peça não provoque um defeito em breve.  Já um erro de ligação em rede elétrica de tensão maior que a recomendada, geralmente afetará apenas o circuito de entrada, dificilmente chegando ao estágio secundário.

Na figura 2 são exibidos os componentes recuperados da fonte mencionada.  Eles não fazem parte da placa de circuito impresso (PCI).  Na figura 3, são mostrados os componentes que estavam montados na placa de circuito impresso.  Abaixo de cada figura, há uma lista dos respectivos componentes.

Peças externas à placa

Figura 2 – Componentes externos à placa

Componentes externos à placa, retirados da fonte:
1 ventoinha 8 cm diâmetro, 12V;
1 tomada macho para corrente alternada (CA), com fio e conector fêmea CA para placa;
1 tomada fêmea CA;
1 chave HH 115/230V;
3 porcas M4 zincadas, com arruela de pressão integrada;
4 parafusos auto-atarrachantes para ventoinhas;
4 parafusos cabeça chata M3x6 mm, oxidados (pretos);
4 parafusos cabeça chata M3x6 mm, zincados;
4 parafusos cabeça panela M3x9 mm, zincados, c/ arruela de pressão integrada;
2 parafusos cabeça panela M3x9 mm, zincados;
1 placa de fibra de vidro isolante, aproximadamente 10x14x0,6 cm;
1 jogo de cabinhos 1,5 mm²;
1 passa-fio grosso;
1 passa-fio fino;

Peças retiradas da placa

Figura 3 – Componentes da PCI de fonte AT Seventeam ST-221WHT

Componentes retirados da placa:
1 diodo schottky duplo CTB-34, encapsulamento TOP3;
1 diodo duplo CTL22S, encapsulamento TO220;
2 transistores 2SC1406;
1 ponte retificadora PBL405;
1 regulador 7905;
1 capacitor de poliéster 1uF/25V;
2 capacitores de disco 4,7nF/250V CA Y;
1 capacitor poliéster 1nF/400V (TSE);
2 capacitores poliéster 100nF/250V CA X2;
2 capacitores eletrolíticos 470uF/200V;
2 resistores 51 ohm, 3 W;
1 resistor 150 ohm, 3 W;
1 resistor 220 ohm , 1 W;
4 resistores 270K ohm, 1 W;
1 termistor NTC 2R55 (SCK);
1 varistor 12G221K (THR);
1 bobina toroidal – filtro RF;
1 bobina de ferrite – filtro RF;
1 bobina toroidal de entrada CA – filtro espúrios;
1 fusível 5AT;
1 par de suportes para fusíveis, para PCI;
1 conector macho para ventoinhas, para PCI;
1 conector macho para CA, para PCI;
4 folhas isolantes emborrachadas para TPO3;
3 isoladores plásticos para M3;
1 dissipador de ferro pequeno, para TO220;
2 dissipadores de alumínio 75x33x3 mm;
5 arruelas de pressão M3, zincadas;
1 porca M3, zincada;
1 parafuso cabeça panela M3x13 mm, zincado;
4 parafusos cabeça panela M3x10 mm, zincados;

É de se observar que não aparece nas listas nenhum circuito integrado, em razão de sua rápida obsolescência.  A sua reciclagem é válida em alguns casos:  se o leitor reside afastado das grandes cidades, onde qualquer aquisição implica em elevados gastos de tempo e dinheiro;  se o componente é de uso comum e o equipamento desmontado é de excelente qualidade; ou se a peça tem uso imediato/fará parte de um projeto em breve.

Um aspecto importante, no caso da reciclagem de produtos de razoável qualidade, é que pode-se realizar montagens com melhores índices de segurança e confiabilidade.  É o caso, por exemplo, do uso de porta-fusíveis, conectores e proteções contra surtos.  Nos aparelhos para uso profissional, as falhas não são toleradas e os componentes trabalham, geralmente, mais protegidos e longe dos seus limites de fadiga.  Mas as montagens de equipamentos eletrônicos caseiros ou artesanais carecem dos recursos de equipamentos profissionais justamente por causa do custo das proteções ou de componentes superdimensionados.  Com a reciclagem pode-se dispor de tais peças a preços razoáveis.

Outra possibilidade é a invenção de novos usos para alguns componentes, algo que não tinha sido pensado antes.  Muitas das soluções mais práticas de nosso cotidiano vieram de soluções encontradas no enfrentamento de dificuldades, conjugadas à criatividade.  A criatividade sempre aflora em locais com poucos recursos.  Pode-se notar, por exemplo, que a culinária é mais rica nas regiões que o povo experimentou, no seu passado, períodos de fome generalizada.  Por isso, sempre é interessante dispor de um “estoque” de componentes de boa qualidade, para utilização eventual.  Mas também não é aceitável guardar tudo, enchendo a oficina ou a garagem de entulhos que jamais serão utilizados.   A seleção do que será reciclado é um assunto para outro artigo.

Bom proveito em sua reciclagem!

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  1. 18 de março de 2015 às 16:19

    QUERIA ESVAZIAR A RECICLAGEM

  2. lapria
    4 de março de 2014 às 20:18

    Estava procurando na internet o que é THR porque duas fontes queimaram essa peça e descobri aqui que se trata de um varistor. Só queria saber porque ela queimou. Se puder me informar, obrigado. Excelente post.

    • 4 de março de 2014 às 23:27

      Lapria, o que ocorreu nestas fontes é que estavam em 110V e foram ligadas na tomada de 220V. Só assim queima o varistor, com certeza.

      Ah, ele pode queimar com um raio na rede elétrica, mas não é comum ver isto.

      Outro causa poderia ser um problema no circuito de aterramento, que faria surgir uma tensão excessiva vinda pelo pino de aterramento.

  1. 8 de março de 2015 às 00:27
  2. 15 de janeiro de 2014 às 17:45
  3. 16 de novembro de 2012 às 15:50
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