Início > Eletrônica, Manutenção > FERRAMENTA – Terceira mão para soldagem

FERRAMENTA – Terceira mão para soldagem

29 de outubro de 2012

 Figura 1 – Utilizando a "3ª Mão".

Figura 1 – Utilizando a “3ª Mão”.

Aqueles que trabalham com solda à base de estanho (Sn/Pb), como os técnicos em eletrônica, dentre os quais me incluo, geralmente encontram dificuldade para efetuar certas soldas, que tomam muito tempo. Vejamos: algumas vezes, temos de segurar o ferro de soldar com uma mão, com a outra o objeto que será soldado na placa mais a própria placa e com uma terceira temos de segurar a solda. Opa! Terceira mão? Sim, a boca! Veja neste artigo como resolvi meu problema, deixando as duas mãos livres para soldar mais tranquilamente.

Antes de tudo, é necessário informar que meu consumo de estanho não é muito grande, como ocorre em linhas de montagem, por isso esta solução foi a mais adequada para o meu caso. Utilizo, em média, um rolo de 0,5 kg a cada 3 ou 4 anos.

A utilização da boca como mão auxiliar me ocorreu logo que aprendi a soldar, por causa da dificuldade comentada acima. No início, eu fazia algumas voltas de fio de estanho e colocava na boca. Imagine a saliva em contato com a solda, o que me causava. Fui descobrindo aos poucos os problemas de intoxicação causados pelo chumbo e precisei mudar o modo de fazer o serviço.

Aí conheci um tubo de solda da Ceteisa. Tinha uns 2 cm de diâmetro e a solda era desenrolada do centro para fora. Mas colocar aquele tubo na boca era um exagero, não conseguia “mirar” o fio no ponto de soldagem, era muito curto. Assim, pensei num tubo mais longo e fino, como uma caneta. Na época, tinha uma da Faber-Castell que era ótima para isso, pois a extremidade por onde se colocava a carga era uma peça metálica, rosqueada no corpo. Esta parte podia aquecer, sem problemas, em contato com a ponta do soldador. Além disso, o diâmetro interno era aceitável, pouco maior que o das Bic tradicionais. Mas aquela caneta, de tanto usar, quebrou e precisei trocar.

Hoje, a ponta metálica em canetas é raríssima. Fui numa papelaria e pedi uma caneta desmontável comum, com o maior diâmetro interno possível. O modelo escolhido foi a CIS Tekno Ball 0,7mm, com ponta plástica rosqueada. A extremidade oposta à ponta, que fica na boca, já é vedada, por isso não há necessidade de tapá-la com resina acrílica. Sempre deve-se evitar o contato das mucosas com a solda. Por isso, nenhum furinho de ventilação, na extremidade que ficará junto à boca, poderá ser deixado aberto.

 Figura 2 – Caneta desmontável, apta para o uso pretendido.

Figura 2 – Caneta desmontável, apta para o uso pretendido.

Figura 3 – Modo de enrolar e como fica a posição da solda dentro do corpo da caneta.

Figura 3 – Modo de enrolar e como fica a posição da solda dentro do corpo da caneta.

Figura 4 – Material necessário para enrolar os segmentos de solda.

Figura 4 – Material necessário para enrolar os segmentos de solda.

Figura 5 – Enrolando lentamente, com um pouco de folga entre as espiras.

Figura 5 – Enrolando lentamente, com um pouco de folga entre as espiras.

Figura 6 – Espiral de solda pronta, antes da montagem.

Figura 6 – Espiral de solda pronta, antes da montagem.

Figura 7 – "3ª mão" pronta.

Figura 7 – “3ª mão” pronta.

Para colocar a solda dentro da caneta, pode-se enrolá-la em um arame, cujo diâmetro deve ser escolhido conforme a caneta utilizada. O diâmetro externo da solda enrolada deve ser menor que o diâmetro interno da caneta, pois com folga a solda sai mais fácil. Além disso, pelo fato de ela estar espiralada, o fio de solda não cai durante a soldagem (só quando está terminando).

A caneta utilizada como exemplo tem um diâmetro interno de 5,2mm. O estanho que utilizo tem uma bitola de 0,82mm – quanto mais fino, mais maleável. O arame de alumínio onde enrolo o fio tem 3,2 mm. Assim, o rolinho de solda, que tem uma só camada, fica um diâmetro de 4,84 mm (2×0,82 + 3,2 mm). Esta folga de 0,18 mm é suficiente para deslizar bem a solda.

Para perder menos tempo fazendo as espirais, corto pelo menos uns 10 pedaços de solda, com o comprimento exato para fazer um rolinho que caiba exatamente no comprimento interno da caneta. No meu caso, cada pedaço de solda tem 1,80 m. Para evitar o contato intenso com a solda, utilizo luvas de algodão, sem silicone. Além disso, com uma parafusadeira com velocidade variável, fica muito mais fácil e rápido enrolar as espirais. Para facilitar a retirada do fio quando enrolado, é interessante espaçar as espiras, como na foto mais abaixo.

Após enrolada e colocada a solda dentro da caneta, é só ir puxando conforme a necessidade. Deve-se cuidar para não aproximar demais o soldador da ponta da caneta, pois como é material plásitico, irá certamente derreter.

  1. Jonas
    7 de junho de 2015 às 21:15

    Olá Euzébio,
    uma coisa que eu uso para segurar e soldar em placas pequenas (quando não cabe no meu suporte de placas) e em componentes (plugues, chaves) é um improviso que eu faço com alicate comum, tipo universal, com elástico de borracha. Eu enrolo o elástico na ponta do cabo, desse jeito que tá na foto:
    http://pt-br.tinypic.com/r/35amcme/8
    O peso do alicate impede que a peça se desloque com facilidade.
    Parabéns pelo seu blog e obrigado por compartilhar seus conhecimentos.

    • 7 de junho de 2015 às 21:28

      Olá, Jonas, obrigado pela dica. Na hora do aperto, é uma mão na roda.

  1. 8 de março de 2015 às 00:25
  2. 15 de janeiro de 2014 às 17:43
  3. 30 de outubro de 2012 às 11:31
Os comentários estão desativados.
%d blogueiros gostam disto: