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NOTEBOOK – Como consertar o plugue da fonte

19 de abril de 2012

Fig1-DSCN0309

E estragou o plugue da fonte do notebook, bem no final de semana, quando estamos sem muitos recursos à mão – principalmente um plugue novo. Só aquele amigo que tem um soldador e mexe com estas coisas…

Para ajudar seu amigo (ou você mesmo, caso se disponha a fazer o serviço), segue um roteiro mastigadinho para realizar o conserto.

Antes, um alerta: a fiação dos produtos eletrônicos é tão mais forte quanto mais caro se pagar por eles, mas ela não é indestrutível. Quando se enrolam apertadamente os cabos ao redor do equipamento, a fiação certamente será danificada, cedo ou tarde. Da mesma forma ao desconectar da tomada, puxando pelo cabo, em vez do plugue. Estes equipamentos requerem um tanto de cuidado.

E o que fazer, então, se quebrou?

Inicialmente, deve-se expor o fio junto ao plugue, com precaução. A ponta do cabo que será soldado ao plugue deverá ter malha sobrando, para poder compensar durante a soldagem. O excesso será retirado depois – melhor sobrar que faltar…

Como se pode ver na foto inicial, o cabo da fonte é do tipo coaxial – um condutor central (branco) com a malha ao redor, que funciona como blindagem contra interferências. Neste tutorial não iremos recuperar a blindagem, espalhando a malha ao redor do condutor central, na emenda. Isto aumentaria o tamanho da emenda e o tempo do serviço, trazendo mais problemas. Como é uma fonte chaveada, poderá haver algum aumento do ruído eletromagnético, mas a função básica, que é carregar a bateria do notebook, será preservada.

Aqui, utilizei espaguetes termorretráteis de dois diâmetros diferentes (dois pedaços de 7 mm e um de 15 mm). Eles encolhem com o calor, que poderá vir de um soprador térmico, de um secador de cabelos ou de um isqueiro, passado rapidamente. Pode-se notar também um espaguete pequeno, mais espesso, resistente ao calor e em forma de C, com 5 mm de diâmetro, que irá abraçar o condutor central. Os dois tipos de espaguetes estão disponíveis em lojas de material elétrico, com relativa facilidade.

No caso dos espaguetes termorretráteis, deve-se deixá-los um pouco mais compridos do que o tamanho necessário, pois a retração devido ao calor também ocorre no sentido do comprimento, mas com menor intensidade. O tamanho varia conforme o lugar de colocação e a área a cobrir: quanto mais externo o lugar do espaguete, tanto maior ele será (em diâmetro e comprimento). Isto aumenta a ridigez do conjunto. Após cortados, coloca-se, ANTES de soldar, primeiro o mais externo, seguindo para o mais interno:

Fig2-DSCN0310

Inicia-se a soldagem pelo condutor central. A seguir, o espaguete em C deverá abraçar esta junção, de modo que não fique nenhuma parte exposta. A seguir, solda-se a malha, cuidando para que a abertura do espaguete em C fique do lado contrário ao da solda da malha.

Fig3-DSCN0311

Fig4-DSCN0312

Na próxima foto, nota-se uma cola branca, que foi usada para firmar a fiação dentro dos espaguetes e dar mais rigidez ao conjunto. É a antiga “Pra quê prego”, da Pattex (que é da Henkel). Hoje a cola é chamada Monta e Fixa – PL500, da Cascola (também da Henkel). Como a cola é pastosa e fica um pouco elástica depois de secar, é ideal para preencher os vazios na conexão, além de facilitar novas manutenções no futuro (se o usuário continuar quebrando cabos…). Deve-se atentar para não deixar nenhuma possibilidade de curto-circuito antes de aplicar a cola e os espaguetes. Nas fotos seguintes, nota-se o primeiro espaguete, antes e depois de ser aquecido.

Fig5-DSCN0314

Fig6-DSCN0315

Fig7-DSCN0316

Agora, será colocado o segundo espaguete, que é do mesmo diâmetro que o primeiro e tem comprimento pouco maior. Ele fica mais para trás, já que a intenção aqui é reforçar aquele trecho que foi soldado, para que não quebre mais. Depois vem o terceiro espaguete, que encapa todos os anteriores, de modo a formar uma peça inteira, sem partes móveis. O prolongamento deste espaguete, junto ao fio que vai à fonte, ajuda a tornar aquele ponto mais maleável, pois é justamente ali que o fio irá quebrar, se continuar a receber maus tratos. Finalizando a emenda, umas gotas de cola de cianoacrilato (Super Bonder, da Henkel ou Scoth Bond, da 3M), junto ao plugue.

Fig8-DSCN0317

Fig9-DSCN0318

Fig10-DSCN0319

Fig11-DSCN0320

Para concluir, vamos tratar da interferência: junto ao conector, há uma “batatinha” presa ao fio. É um filtro de radiofrequência (RF), um cilindro oco de ferrite. Geralmente ele é injetado de fábrica com o cabo. No meu caso, como estava muito próximo do ponto de soldagem, cortei e coloquei outro, de montar.  Ele pode ser comprado no comércio de eletrônica ou retirado de equipamentos de informática antigos. Apresenta o cilindro partido em duas metades e pode ser encaixado ao longo do fio.

Se não houver outra opção, a solução é utilizar o anel de ferrite original. Deve-se retirá-lo do cabo com cuidado, desmontá-lo e limpá-lo. Daí, ANTES de fazer as soldas da emenda, recolocar a proteção no cabo, fixando com espaguete termorretrátil. Fica a sugestão. Abaixo são mostrados os dois tipos e a sequência de desmontagem do cilindro de ferrite injetado.

Fig13-DSCN0305

Fig14-DSCN0542

Fig15-DSCN0543

Fig16-DSCN0545

Fig-12-DSCN0322

ATENÇÃO: A proteção de ferrite não é uma peça à toa, pois os fabricantes não ficam gastando dinheiro com itens desnecessários. Ela isola tanto a interferência RF que o notebook gera por si mesmo, como a que o equipamento recebe, vinda da fonte. Além disso, é sabido que certas interferências podem ocasionar falhas no funcionamento dos equipamentos, até um travamento. Não seja negligente, utilize-a.

Bom proveito!

P.S.: A saga continua:  veja neste post, como REFORMAR o plugue do notebook.

\ep/

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  1. Danilo
    18 de fevereiro de 2015 às 21:11

    Pode me tirar uma dúvida?

  2. joilson
    3 de fevereiro de 2015 às 09:01

    eu soldei direto do plug e ainda da mal contato!!!

    • 7 de fevereiro de 2015 às 22:24

      Joilson, o conector no carregador é só a metade da conexão…

      Já consertei aparelhos que estavam com a tomada do notebook com defeito, sem qualquer problema no carregador. Pode ser o seu caso.

      Daí, só alguém especializado para trocar a tomada (jack) de carregamento, que geralmente fica soldada à placa mãe.
      Não é para qualquer técnico, tem que ter uma boa estação de solda.

  3. Anderson
    6 de agosto de 2014 às 19:12

    Romeve o ferrite do meu notebook e imendei o cabo porque estava curto tirei o ferrite liguei o notebook e ela paro e nao quer ligar mais o que sera?

    • 6 de agosto de 2014 às 22:52

      Anderson, a remoção do ferrite não impedirá o funcionamento da fonte, ele é um filtro contra interferências. Eu trocaria o cabo completo do teu carregador, ou trocaria por outro carregador para ver se o problema é no notebook ou na fonte de alimentação.

      Pode ser ainda que a tomada no próprio notebook, onde é ligado o carregador, esteja falhando.

  4. carlos
    7 de maio de 2014 às 15:33

    se eu juntar o de alumínio com o de cobre vai funcionar???

    • 7 de maio de 2014 às 23:02

      Carlos, não entendi sua pergunta. Você se refere ao vídeo demonstrativo da corrente de Foucault?

      • carlos
        11 de janeiro de 2016 às 20:33

        teclas do teclado nao responde ao toque,falta tintura de prata e ai?

      • 17 de janeiro de 2016 às 23:39

        Carlos, não entendi sua pergunta.

  5. Tiago
    6 de janeiro de 2014 às 11:04

    Se eu emendar ele e passar a fita isolante sem fazer solda dá certo também?

    • 6 de janeiro de 2014 às 11:59

      Tiago, o problema é que um fio emendado, sem solda, não conseguirá fornecer a corrente de carga da fonte, que fica por volta de 3A, em alguns momentos.
      Assim, o melhor a fazer é soldar os fios, pois uma simples emenda poderá aquecer muito e causar mais problemas.

      Já utilizar fita isolante para evitar curto-circuitos pode, não há problemas, em princípio. Mas compre uma fita de boa qualidade, como a Scotch 33+. As fitas isolantes não devem ser esticadas demais, pois depois de algum tempo elas encolhem, deixando exposta a cola grudenta.

      Outra opção é utilizar a fita auto-fusão, que é boa evitar a umidade na emenda. Esta fita não tem cola e deve ser esticada, pois ela funde-se a si mesma. Depois, ela deve ser coberta com fita isolante comum, caso contrário começa a fundir-se com determinados plásticos que estiverem à sua volta.

  6. jucy
    7 de dezembro de 2013 às 16:26

    Salvou a vida de
    meu notebook e meu trabalho de escola.

    • 8 de dezembro de 2013 às 00:19

      Jucy, obrigado, é reconfortante saber que o artigo a ajudou.

  7. Wallace Victor
    22 de novembro de 2013 às 23:30

    Queria Saber onde encontro os materiais para fazer o meu conserto pq o meu carregador deu curto mas a fonte ainda funciona ai cortei e queria remendar de novo onde encontro o RF e as outras coisa?

    • 24 de novembro de 2013 às 23:06

      Wallace, qualquer loja de informática que trabalhe com sucata deverá ter este ferrite ou até um cabo inteiro da fonte. Outros componentes, como capacitores, encontrará em lojas de eletrônica.

  8. Claudio Jorge
    19 de outubro de 2013 às 20:30

    As fontes genéricas ou universais não tem o ferrite nem muito menos a ligação do terra. Depois o note fica dando problemas ou queima e dá um prejuízo maior!

    • 19 de outubro de 2013 às 22:27

      Cláudio, concordo contigo. Fontes muito simples, leves e pequenas, de fabricantes desconhecidos, tem problemas na qualidade dos componentes internos, ou até no projeto do equipamento. O barato sempre sai caro.

  9. marcello
    30 de setembro de 2013 às 13:17

    olá amigo , minha fonte entra 110, acende o led mas não sai 20 volts, tem como me ajudar a achar o defeito .
    marcellomotor@ibest.com.br

    • 30 de setembro de 2013 às 19:45

      Marcello, se o LED está no corpo da fonte, certamente há alguma interrupção entre a fonte e o plugue. Se o LED está no próprio plugue, ainda assim poderia ser um defeito interno dele, ou da tomada no notebook. Veja no meu post sobre a reforma de um plugue de fonte, um comentário sobre a qualidade destes jacks. Nesta hora é que se nota a diferença entre fabricantes de marcas consagradas e os outros.

  10. BRUNO RODRIGUES LOPES
    3 de setembro de 2013 às 20:08

    realmente tem muita gente que deixa o ferrite para lá

  11. Ricardo
    4 de maio de 2013 às 19:39

    ola foi muito bom o ensinamento iria gastar 115 reais com uma fonte nova olhando passo a passo eu mesmo fiz o conserto

    ficou ótimo grato!

  1. 8 de março de 2015 às 00:26
  2. 15 de janeiro de 2014 às 17:44
  3. 30 de setembro de 2013 às 00:37
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